A crise do capitalismo e a «maçã-de-Adão» do revisionismo comunista

albertoc4eos apostolos do revisionismo

Um excerto do artigo de José Paulo Gascão, editor de ODiario.info

(…)
“Em França, um documento aprovado numa reunião de dois dias do CC do Partido Comunista Francês – 5 e 6 de Dezembro de 1968 – foi a primeira e bem estruturada peça teórica de um longo processo reformista, cujo objectivo era a chegada do partido ao governo através das estruturas da democracia burguesa sem destruir o aparelho de Estado que servia o capital monopolista. Desde logo conhecido como o «Manifesto Champigny», nele se defende «a substituição do poder gaulista dos monopólios por uma democracia política e económica avançada, que abra a via do socialismo». Tudo isto sem uma única palavra para a necessidade de destruir e substituir o Estado burguês.
Em Espanha, à semelhança da «via italiana para o socialismo», Santiago Carrillo elabora a «política de reconciliação nacional» que, mais tarde, conduziu à assinatura do «Pacto de Moncloa» pelo PCE, ao mesmo tempo que descartava o passado de luta armada. A via errática imposta por Carrillo, logo a partir da sua eleição como Secretário-geral, em Janeiro de 1960, originou o abandono e a expulsão de inúmeros quadros do partido.
Não admira por isso que, pouco antes do 25 de Abril, se vendesse livremente em Lisboa com profusa exposição nas montras o «Depois de Franco, o quê?» de Santiago Carrillo. Era uma cunha na coesão ideológica do movimento comunista internacional, as posições aí expostas não se distinguiam das da social-democracia.
Não é seguramente uma curiosidade registar que, no início desta mesma época, em 1967, Álvaro Cunhal reafirmava a importância das teses leninistas sobre o Estado e lançava A Questão do Estado, Questão Central de Cada Revolução.
Como não é um acaso que hoje, na Europa, apenas o Partido Comunista Português, o Partido Comunista da Grécia, o Partido Comunista Checo e o AKEL (Chipre) mantém influência clara nos seus países, embora com divergências claras nos seus programas e actuações. Dos três maiores partidos comunistas da Europa não socialista no pós-guerra, um desapareceu – o PCI em Itália –, outro tem uma presença residual – PCF em França – e o terceiro dissolveu-se numa organização unitária insignificante – o PCE em Espanha.
Tudo isto em nome de hipotéticas «particularidades nacionais» para responder às quais encontravam formulações contrárias a algumas das principais teses do marxismo-leninismo.
A teoria ensina-nos e a prática já o comprovou sobejamente que a participação em governos da burguesia não só não contribui para a construção do socialismo, como corrói, até à sua destruição como organizações de classe, os partidos que a essa experiência se sujeitam.
A pretensão de chegar ao governo sem ruptura revolucionária e sem a destruição do Estado burguês e a sua substituição por um Estado ao serviço da nova classe no poder é a «maçã-de-Adão» do revisionismo comunista – o seu pecado original.”

http://www.odiario.info/?p=3386

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