O verdadeiro ponto da situação nas Repúblicas Populares de Donetsk e Lugansk

Era conhecido há já algum tempo que a criação da Federação de Nova Rússia era encabeçada por um reaccionário monárquico assumidamente (saudosista do czarismo) – o comandante máximo das milícias Igor Strelkov – mas por outro lado falava-se numa luta de classes nesta região que envolvia comunistas e companheiros de esquerda opondo-se a diversas variantes reaccionárias do nacionalismo russo. A presença de comunistas e anti-fascistas genuínos é real, comprovada por muito mais que fotografias, relatada por fontes fiáveis de organizações comunistas e anti-fascistas no terreno.

A situação  mudou, não podemos continuar a medir as palavras em prol de uma esperança vã – a tomada do poder em Nova Rússia pelos comunistas e anti-fascistas – chegamos a um ponto em que a solidariedade internacionalista com os comunistas e anti-fascistas da região de Donbass implica colocar o dedo na ferida e alertá-los para o perigo que correm em deixarem-se liderar por uma hierarquia política e militar que além de abertamente reaccionária e czarista agora assume estar às ordens de Vladimir Putin – isto quer dizer estar às ordens da burguesia russa.

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Pela descrição atenta do blog “sociologia crítica” – um veículo de informação da esquerda anti-fascista de Donbass que assume o nome Comité Enrique Lister – ficamos a saber quem realmente lidera politcamente e militarmente esta Federação de Nova Rússia assume abertamente o seu carácter nacionalista russo, czarista e de súbditos do líder burguês Vladimir Putin. Assim é descrita resumidamente a conferência de imprensa de Strelkov:

“Factores externos (clasificación por etapas) – mensaje simbólico:

– Él está vivo y bien
– El motivo de su salida fue la lucha interna dentro del liderazgo de Novorussia y el hecho de que se le dijo que los suministros sólo serían entregados si se marchaba.
– La foto de Putin a su espalda en la pared
– Él está sentado detrás de una bandera rusa monárquica sobre la mesa (y hay una bandera rusa y de Novorussia en la parte de atrás (no hay símbolos soviéticos o comunistas)

Su punto de vista sobre el acuerdo de alto el fuego:

– Esta situación militar de alto el fuego que se ha creado es ahora peor que lo era en primavera
– Lo que es vergonzoso no es el alto el fuego en sí mismo, sino “las condiciones que ahora se están discutiendo en Minks”
– No se puede culpar de la traición a Novorussia a Putin
– Hay intereses poderosos que quieren una guerra sin fin que crearía una úlcera sangrante para Rusia

Su descripción de la quinta columna:

– Las raíces de esta quinta columna se remontan a los años deYeltsin
– La liberación de Crimea cogió a la quinta columna por sorpresa
– La quinta columna está alrededor del presidente, le rodea
– Hay una quinta columna local en Donbass, que ha estado, y sigue, negociando con los oligarcas Ukros
– La quinta columna la componen los “liberales”
– Putin es una amenaza moral para ellos porque no tienen apoyo popular masivo
– Quieren derrocar a Putin
– Quieren desmembrar a Rusia
– Esta será una larga guerra contra Rusia
– Estamos tratando con otra situación como la de 1905 a 1917
– Al salvar Novorussia, Rusia puede salvarse a sí misma
– Las sanciones occidentales harán daño Rusia y se utilizarán para desacreditar a Putin

Planes de Strelkov

– Strelkov quiere pelear dentro de Rusia en apoyo a Putin (única opción)
– El objetivo principal de Strelkov es denunciar a los verdaderos traidores dentro de Rusia”

Os novos elementos que nos permitem afirmar isto com clareza vêem de sites ditos de esquerda (que sempre apoiaram as milícias populares de Nova Rússia e da boca do próprio Igor Strelkov. São feitas afirmações que taxativamente assumem a liderança das milícias de Nova Rússia como abertamente czaristas (pelas bandeiras utilizadas) e sob as ordens de Putin.

As palavras de Strelkov que demonstram vassalagem a Putin e à burguesia russa:

“¿Por qué habrían de actuar nuestros liberales de una forma tan implacable, incluso suicida, contra el camino político del Presidente? ¿Por qué se ha cuestionado tan abiertamente al Presidente y a sus políticas? En mi opinión hay dos factores. En primer lugar, la Quinta Columna no tiene otra vía que el motín (por el momento oculto). La “Revolución desde arriba” que empezó el Presidente Putin les ha dejado sin posibilidades de supervivencia política, mientras que sus dueños occidentales tampoco les permiten dejar el país para volver a sus posesiones en el extranjero, logradas con su arduo trabajo.

El segundo factor es todavía más evidente: con una presencia fuerte en las altas esferas del país y considerables recursos económicos, los traidores pretenden tomar el poder para sí mismos y empezar una nueva etapa de saqueo de los restos de lo que una vez fue un gran país y de su gente. Pero estos planes requieren muchas más medidas previas. En primer lugar, necesitan privar al Presidente Putin de su inmenso apoyo popular, ese que ha conseguido a base de sus políticas internas y su política exterior en los últimos años. ¿Y qué puede ser más útil para esto que traicionar al pueblo ruso de Novorossiya y después culpar al mismo Presidente de esta traición? La Quinta Columna se esconde en la sombra, como las hienas, evitando cualquier publicidad.”

Strelkov vai mais longe e trata a insurreição operária de 1905 e a revolução  de Outubro como golpes de Estado contra a “grande Rússia” (czarista entenda-se). Para que não fiquem dúvidas do teor reaccionário da sua mensagem:

“Los traidores tienen la esperanza de que la situación concluya en un tratado de paz lo suficientemente vergonzoso y humillante que acompañe a la traición a la población rusa de Ucrania, para causar así una mayor ola de indignación en Rusia. Y entonces, acorde con la tecnología política perfeccionada a principios del siglo XX, izquierda y derecha, liberales y patriotas, se unirán en su justificada indignación para crear un Maidan en Moscú. El mismo escenario de 1905 y 1917 que sigue a una derrota humillante, “crisis económica-descrédito de las autoridades-revueltas populares-golpe de palacio”, volverá a entrar en acción.”

Perante a gravidade destas afirmações o nosso dever de comunistas internacionalistas é alertar os camaradas comunistas e anti-fascistas de verdade de Nova Rússia para o perigo que correm em aceitar ordens deste tipo de hierarquia. Impõe-se urgentemente uma luta anti-fascista em que o movimento operário ucraniano e russo estejam libertos da tutela de qualquer burguesia, seja ela russa ou ucraniana. A luta anti-fascista será revolucionária e com hegemonia e independência do proletariado ou será tragicamente utilizada por fascistas de um lado ou de outro da fronteira ucraniana e russa.

 

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One thought on “O verdadeiro ponto da situação nas Repúblicas Populares de Donetsk e Lugansk

  1. Argala

    Caro Eduardo,

    Nada de novo debaixo do sol.
    O discurso de Igor Streikov sobre a 5.ª coluna não altera nada. Isso eram dados de partida, e os camaradas espanhóis e italianos que foram combater, já sabiam de antemão que iriam conviver com todas estas contradições. Até o PCFR tem uma posição que só se pode considerar de chauvisnismo grão-russo.

    Muitos comunistas referem a existência de ‘contradições inter-imperialistas’. Até eu já devo ter escrito isso e creio que é precipitado. Essa expressão é decalcada dos livros, desconsiderando que no actual estágio de desenvolvimento capitalista exista apenas um império, com os EUA à cabeça, e depois uma série de burguesias nacionais que caiem fora da sua área de influência. O mundo ficou muito pequeno para existirem vários impérios.Portanto a contradição é império vs burguesia nacional. Entre essas burguesias estão a China e a Rússia.. a tentar formar um império através da Cooperação de Xangai. Ainda tudo muito incipiente.

    Caso contrário: quantas políticas externas controlam a Rússia e a China?! Onde estão os tratados militares?!?
    A Rússia tem 10 bases militares fora do seu território, a China está para abrir a sua primeira base militar fora de portas desde 2011 (será na Índia). Os EUA têm entre 700 a 800 (!!!). A diferença é qualitaé itiva: não existem vários impérios em conflito, mas burguesias imperialistas e nacionais.

    Questão importante é como actuar perante as contradições.

    Eu também insisto que as forças comunistas devem manter a sua independência ou hegemonia nos movimentos em que entram. Devem ter as suas próprias armas.. mas isso é tudo teórico. Para isso era necessário existir um Partido Comunista que quisesse realizar essas tarefas – onde está um Partido Comunista nos países imperialistas disposto a enviar voluntários, armas ou a trazer a guerra imperialista para casa?! Não existe. Desta forma, o que temos são apenas voluntários que partem para ali, desenquadrados, e que acabam por ser absorvidos pelas forças nacionalistas (essas sim organizadas e com uma compreensão clara das tarefas a realizar). É inevitável.

    Caso queiram mitigar os danos, podem sempre juntar-se ao Batalhão Fantasma do Alexey Mozgovoi. Parece ser uma coisa melhorzita.. mas voltaremos sempre ao mesmo problema: inexistência de Partidos Comunistas. Ou eles aparecem para organizar estas tarefas, ou continuaremos ao serviço das ‘burguesias anti-imperialistas’. O combate ao reformismo e todo o tipo de taras pacifistas, é essencial durante este processo.

    Saudações revolucionárias ☭ ☭

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