E se vier o fascismo? E depois?

torchesmarchbandera

the-bones-in-the-desert_177590-1280x800

Parece-me realmente ridículo o medo, o pânico e a paranóia perante o fascismo nos dias que correm. A moda do anti-fascismo surge nos dias de hoje como um mero verniz do oportunismo, que assim disfarça a sua cara feia de traidor de classe. Este conjunto de falácias com que hoje certos ideólogos de um comunismo de chavões inócuos pela democracia, pela pátria e pela esquerda, algo que tudo indica ser apenas mais uma reencarnação do chamado “euro-comunismo”. A concepção oportunista que se diz anti-fascista, fundamenta a sua linguagem básica de enganar tolos com a sua recusa de analisar o passado e de efectivamente fazer um balanço das frentes populares, do fim da terceira internacional, da via pacífica e parlamentar do krutchevismo, do socialismo de mercado na China, do “euro-comunismo” e de todas as aberrações que se seguiram da perestroika ao PEE (Partido da Esquerda Europeia) e portanto de utilizar o materialismo histórico para definir correctamente como impedir que a luta contra o fascismo desarme e destrua o carácter e os objectivos revolucionários dos partidos comunistas, tal como tem acontecido historicamente.

Logo de início temos de perceber que o fascismo é imposto pela burguesia, é retirado com a permissão da burguesia e pode ser reposto pela burguesia. A propósito da burguesia portuguesa, como sabemos que ela é imensamente servil às suas congéneres europeias mais em cima na hierarquia piramidal do bloco imperialista da União Europeia, sabemos também que o fascismo estaria certamente sujeito às vontades dessas burguesias no comando da hierarquia imperialista europeia. Hoje em dia é assim que as coisas funcionam. E então suponhamos que havia uma movimentação na hierarquia imperialista europeia para impor o fascismo em Portugal. Impressiona a imbecilidade e o oportunismo deslavado dos que vão retirar a frente popular ao baú das teias de aranha (das coisas podres e decadentes) para imediatamente colocá-la em acção sem olhar minimamente nem para a história dessas mesmas, nem para a história dos “socialistas” agora convertidos em representantes da burguesia, nem à situação concreta e ao contexto em que vivemos hoje. Ora eu posso antever que pela têmpera oportunista de muita dita esquerda que temos hoje, o desmoronar de partidos e sindicatos se houvesse um golpe fascista hoje seria muitíssimo mais rápido do que foi em 1926 e a gente que meramente se rendia ou fugia seria muito mais. Mais ainda seriam os próprios “socialistas” e todo o arco do poder a brindar triunfalmente a um regime desse tipo. Isto se a burguesia o quisesse e assim o ordenasse aos seus empregados. E no entanto os oportunistas vão continuar a usar a cartada do anti-fascismo ad nauseum sempre que é preciso disfarçarem os verdadeiros motivos porque a aristocracia operária realmente precisa considerar-se irmã de forças vendidas ao capital e precisa de deixar a porta a aberta aos ditos “democratas” que incluíram tudo desde os “socialistas” que são já o principal pilar do regime capitalista até à nova social-democracia que pulula para preencher o vazio dos “socialistas” decadentes com uma reciclagem do ilusionismo reformista.

Advertisements

2 thoughts on “E se vier o fascismo? E depois?

  1. Argala

    Camaradas,

    A propósito das frentes populares e do fascismo, pedia-vos um comentário ao livro de Francisco Martins Rodrigues sobre esta matéria:
    http://www.ocomuneiro.com/paginas_m_francisco_m_rodrigues_AntiDimitrov_1985.html

    Li o livro há coisa de dois anos e lembrei-me imediatamente da história do polícia bom e do polícia mau. O polícia bom são as fracções da burguesia liberal e pequena-burguesia, o polícia mau é o fascismo. Se a Revolução avança e o polícia bom não é capaz de a travar, entra em cena o polícia mau. Mal isto acontece, a Revolução passa logo para segunda plano porque entra em cena a táctica dimitroviana, e passamos à fase da unidade anti-fascista dos patritotas honrados e de todos os democratas; derrotamos o polícia mau e volta o polícia bom, ou seja, voltamos à estaca zero. Não há superação da contradicção, há apenas gestão da contradicção.

    E o polícia bom pode ser o políciia mau com uns anos de diferença. Aquele que te diz com ironia e sagacidade: “eu só quero fazer as coisas a bem.. eu não quero chamar o outro..”.

    Uma outra nota importante. Isto sem querer apagar os méritos de ninguém. A distensão das forças revolucionárias e o irrupção do fascismo assustou toda a gente e havia que fazer opções. Um comunista histórico não o deixa de ser apenas porque a história não convalidou as suas teses. Apenas deixam de ser comunistas aqueles que, brutos, analfabetos e seguidistas, se recusam a abandonar teses que conduziram o movimento operário ao fracasso.

    Saudações revolucionárias ☭☭☭☭

    Reply
  2. peloantimperialismo

    Concordo contigo Argala. Acrescento apenas que dentro das forças comunistas e operárias que combatem firmemente o oportunismo e o revisionismo, levantando a bandeira do marxismo-leninismo, existem algumas forças que defendem a utilização das Frentes Populares dentro do contexto muito específico para que foram criadas. Isto é algo contraditório mas faz parte do trabalho de reagrupamento marxista-leninista e anti-revisionista do movimento comunista internacional. Importa salientar que a unidade se constrói a partir das causas certas e a luta anti-revisionista é a causa certa.

    Saudações Revolucionárias,
    Eduardo

    Reply

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s