Bachelet e Isabel Allende atentam contra a integração latino-americana

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Por Carlos Aznárez, Resumen Latinoamericano, 6 de maio de 2015.

É muito fácil falar de integração latino-americana nos fóruns e nas Cúpulas, porém não parece simples transferir esses princípios à prática da vida cotidiana. A prova mais concreta é o que vem acontecendo com os que atualmente governam o Chile no marco da Concertación, e que foram eleitos “pela esquerda” em resposta a muito repetida frase eleitoral de que “é preciso frear a direita”. Nessa viagem, repetida também em outros países do continente, se deu luz verde para a dramática situação em que o governo da senhora Michelle Bachelet colocou hoje o Chile.

Há, por exemplo, a política estatal de atacar um país irmão como é a Bolívia que, com absoluta lógica, vem reclamando há nada menos que 136 anos uma saída ao mar para seu país. Vale a pena recordar que entre 1879 e 1883 aconteceu a Guerra do Pacífico entre Chile, Peru e Bolívia, cujas consequências significaram a perda, no final da guerra, de 400 quilômetros de costa ao Pacífico pela Bolívia.

Atualmente, não se trata da Bolívia estar solicitando a posse de uma porção de território que poderia afetar seriamente a economia do Chile, provocar um enorme deslocamento populacional ou gerar um “ataque soberbo a nossa soberania”, como repete a direita chilena, no momento em que a socialdemocracia desse país faz um coro vergonhoso. Não, a Bolívia apenas planeja ter acesso a uma faixa mais que mínima de uma zona de características semidesérticas que a permita ter contato com o mar e sair, dessa maneira, de uma situação odiosa produzida pelo despojo sofrido através da contenda militar.

No entanto, salvo a exceção do governo de Salvador Allende, que tentou, porém não conseguiu concretizá-lo, cada um dos mandatários chilenos fechou as portas para a reparação deste grave problema.

Bachelet não podia ficar atrás nesta posição extrema de caráter anti-integração latino-americana, termo com o qual a presidente chilena enche a boca, mas que depois olha para o lado, atendendo aos conselhos dos funcionários como seu atual agente na Corte Internacional de Justiça de Haia (CIJ), o ex-ministro do governo direitista de Sebastián Piñera e militante do partido fascista Renovação Nacional, Felipe Bulnes. Este personagem, cujo entorno político sempre esteve ligado ao anticomunismo e anti-allendismo, é quem tenta agora, na reunião da CIJ, negar à Bolívia o direito soberano que a corresponde.

A resposta boliviana não pode ser mais contundente. Por um lado, através de seus representantes na CIJ, explicando que seu país jamais desconheceu tratados internacionais, como o de “Paz e Amizade” de 1904. Este acordo incluía uma serie de cláusulas com a finalidade de suprir a carência de uma saída marítima soberana, dentro das quais se destacava a obrigação do Chile de construir uma estrada de ferro entre Arica e La Paz, a concessão de créditos, direitos de livre trânsito para portos no Pacífico e o pagamento de 300 mil libras esterlinas como compensação. Tudo isso, como é de imaginar, não deu em nada, e a Bolívia mais uma vez voltou a reclamar por seus direitos.

Agora, Bachelet, com base em seu “socialismo” de ocasião, voltou a ratificar o que com modos mais severos, porém não menos parecidos no conteúdo, assinalaram os pinochetistas torturadores de seu pai: “o Chile não cederá um território que lhe pertence legitimamente. A Bolívia deverá adequar-se ao que for resolvido em Haia”.

Esse é o pensamento de ruptura com todos os argumentos de confraternidade e integração latino-americanas planejadas pelo gigante da unidade dos povos que foi Hugo Chávez que, em repetidas ocasiões, assinalou publicamente que seu anseio era “cedo ou tarde poder banhar-me em águas do mar boliviano”. Essas são também as reivindicações de grande parte da esquerda popular e revolucionária chilena, que recebeu em várias ocasiões Evo Morales como um irmão de sangue e continua mobilizando para que a reclamação se faça realidade.

Frente a esta disputa que agora se tornou internacional, a figura de Bachelet continua perdendo popularidade dentro e fora do país. Internamente, como bem disse Evo nestes dias, segue “aferrada a uma Constituição herdada do pinochetismo”, não respeita as reivindicações de seus próprios estudantes que se mobilizam por uma educação sem lucros e, tampouco, as demandas territoriais do povo mapuche, cujos dirigentes encarcera e em muitos casos assassina. Em termos de política exterior, seu desprezo à Bolívia é mais que suficiente para dar conta do que significa integrar-se de corpo e alma a muito norte-americana Aliança do Pacífico.

Por outro lado, se faltava algo para definir até onde o Partido “Socialista” de Bachelet perdeu rumo, aí está a vergonhosa atitude da filha do próprio Salvador Allende, Isabel, que ofendeu de maneira descarada a memória de luta de seu pai: visitou em Caracas as esposas do Prefeito direitista Antonio Ledezma e do ultra Leopoldo López, ambos detidos por conspiração golpista e tentativa de assassinato. Não satisfeita com semelhante afronta ao povo venezuelano, a inoportuna viajante declarou que “os direitos humanos não são respeitados na Venezuela” e que “o governo de Maduro se converteu em uma ditadura”. Com semelhante representante, e com os antecedentes do “defensor dos interesses chilenos” em Haia, Felipe Bulnes, seria muito saudável que os autênticos militantes socialistas do Chile emitissem repúdio a esta direitização defendida por sua liderança. Ou abandonassem o partido em massa.

Fonte: Resumen Latinoamericano

Tradução: Partido Comunista Brasileiro (PCB)

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