Os comunistas e a greve geral

uc-pcb

Publicado a 17 de Maio de 2015

Uma onda de greves, paralisações e protestos está em acelerada preparação em todo o país. A classe trabalhadora pretende responder a mais um ataque contra seus direitos como os que estão em vias de serem votados pelo senado federal que modificam as regras do seguro desemprego e, através do PL 4330, instituem a terceirização dos serviços que, se aprovada, atingirá uma imensa parcela de servidores públicos e privados.

O número de greves é mesmo grande; era maio de 1989 quando o Ministro do exército, general Leônidas Pires Gonçalves manifestava certa preocupação, o crescimento do número de greves, porém naquele momento ao contrário do que supunham os personagens do governo de transição, leia-se Sarney e companhia, devia-se ao imenso arrocho salarial que o plano verão estava impondo aos trabalhadores naqueles anos.

Passados pouco mais de 30 anos, a mobilização sindical de hoje reflete diretamente o saldo das décadas anteriores, quando devido ao fim do bloco socialista e a consequente aplicação de medidas neoliberais, exacerbou-se a precarização das relações de trabalho, a privatização e a retirada de direitos trabalhistas e sociais dos assalariados. Em nosso XV Congresso Nacional do PCB, em suas resoluções considera-se que mesmo com a fragmentação da classe trabalhadora e o enfraquecimento dos sindicatos na sua estrutura atual é possível vislumbrar que a luta de classes deverá se acirrar e forçar a busca de alternativas.

É constatado em linhas gerais o fato de que estão ocorrendo mobilizações e mesmo greves geradas a partir de confrontos diretos entre trabalhadores e patrões, como nos casos ocorridos nas grandes obras da copa, do PAC e manifestações que se sucederam mesmo sem a interferência das cúpulas sindicais.

A deterioração do setor público, que afeta diretamente trabalhadores da educação pública, por exemplo, estende-se às áreas da saúde e também atingem o setor privado. Observa-se por outro lado que o sindicalismo do setor público ganhou força, nos últimos anos, em relação ao do setor privado, possibilitando ações dos sindicatos desse setor, muitos dos quais hegemonizados por forças de esquerda independentes do governo e que passaram a pautar temas políticos mais gerais, além das reivindicações especificas como reajustes salariais e planos de carreira, deflagrando greves e fazendo manifestações públicas de vulto. Todas essas considerações constam claramente em nossas resoluções.

A herança histórica do movimento operário sindical, mesmo em face de sua atual fragmentação, pode auxiliar na unificação de seus objetivos e plataformas de lutas comuns, pois as divergências e divisões que existem de fato não impedirão que a resposta da classe seja a de preparar a greve geral.

Esse quadro de enfrentamento se fortalece, pois já se observa o esgotamento do modelo de consumo de massa, ancorado no crédito e a total incapacidade de um sistema econômico que não evitou a queda da produção industrial, agravada com a crise do capitalismo, gerando demissões para salvar o lucro dos empresários. O País já não mantem uma balança comercial em alta e estável.

O governo Dilma, ao aplicar a receita do equilíbrio fiscal imposta pelo capital, desperta nos trabalhadores o ódio de sua traição, e como se isso fosse pouco a agressão do braço armado do estado utilizada contra professores como no caso do Paraná a mando do governo do PSDB, aceleram a entrada em cena da classe  trabalhadora e da esquerda socialista e, em  seu interior, os militantes do Partido Comunista Brasileiro.

Os trabalhadores começam a refletir sobre o seu submundo e sua autopreservação adotando um ceticismo em relação aos seus representantes políticos em um ato que certamente deixará de ser puramente econômico para tornar-se futuramente político, considerando que suas referências até então reconhecidas nas direções sindicais encontram-se em franco questionamento devido as suas posições de conciliação de classe com governos e patrões.

Não será nem a primeira nem a última vez que os trabalhadores serão chamados a apertar o cinto em um programa de estabilização do estado burguês. Ocorre que associada a essas medidas está a flexibilização, que repercutirá na própria representação sindical.

A retomada da preparação de uma greve geral pode vir a ser o inicio de uma virada no comportamento dos trabalhadores ante as restrições que venham a sofrer, sabendo-se que a greve não é feita por decreto e sim construída nas bases. Para isso estão ocorrendo inúmeras assembleias em várias categorias pelo país a fora e nelas os comunistas ali estarão, denunciando os truques do capitalismo e a participação fundamental dos trabalhadores sabendo que um passo dado na mobilização dos trabalhadores do país será parte das lutas gerais do conjunto das lutas do proletariado.

A terceirização que está para ser votada significa flexibilizar qualquer noção legal ou moral de direito ao trabalho, pois redefine a faculdade capitalista de demitir e recrutar mão-de-obra, desfazendo antigas conquistas sindicais.

ONEIDER VARGAS

Membro do Comitê Central do PCB. Integrante do Conselho Regional do Cpers- Sindicato recém desfilhado da CUT.

Fonte: Partido Comunista Brasileiro (PCB)

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