Em memória a Ayotzinapa: o que são as escolas normais rurais do México?

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Students gesture during a meeting in support of missing Ayotzinapa Teacher Training College Raul Isidro Burgos students,  inside the National Autonomous University of Mexico (UNAM) in Mexico City October 15, 2014. On September 26, police allegedly linked to a criminal gang shot dead at least three students and abducted dozens of others during clashes in the southwestern city of Iguala. Forty-three of the students are still missing. REUTERS/Edgard Garrido(MEXICO - Tags: CIVIL UNREST CRIME LAW POLITICS EDUCATION)

Students gesture during a meeting in support of missing Ayotzinapa Teacher Training College Raul Isidro Burgos students, inside the National Autonomous University of Mexico (UNAM) in Mexico City October 15, 2014. On September 26, police allegedly linked to a criminal gang shot dead at least three students and abducted dozens of others during clashes in the southwestern city of Iguala. Forty-three of the students are still missing. REUTERS/Edgard Garrido(MEXICO – Tags: CIVIL UNREST CRIME LAW POLITICS EDUCATION)

Mariana Pahim Hyppolito*

Nesse 26 de setembro em que se completa um ano desde o desaparecimento dos 43 normalistas da cidade de Iguala, no México, é parte da solidariedade que direcionamos a quem segue lutando por uma resposta, que continuemos debatendo a fundo alguns aspectos que esse ataque do estado mexicano coloca em voga. Para iniciar qualquer debate acerca de Ayotzinapa é fundamental ter em mente que o desaparecimento desses estudantes e o fato de serem alunos de uma Escola Normal Rural do México não é coincidência. As escolas normais rurais do México representam um importante modelo de educação com caráter emancipatório e revolucionário, e a todos lutadores que buscam construir uma universidade popular cabe levar seu olhar ao México para observar, compreender e absorver o que a educação popular mexicana tem para nos ensinar.

O que são as escolas normais rurais

As “normales rurales”, escolas normais rurais do México surgem no século XX, a partir da exigência de implementação de um programa revolucionário para o país, que passa a ser realizado quando o governo ganha estabilidade, após a Revolução Mexicana.

As escolas, que formam professores de Ensino Básico, como o modelo de educação popular que são, vão para além do projeto capitalista de educação que vivemos hoje nas escolas de todo o mundo, a começar para quem são pensadas: suas vagas são destinadas a famílias do campo, filhos de pequenos agricultores, indígenas e famílias pobres. Sua criação se deu em áreas de pobreza intensa e com grandes índices de analfabetismo, se afirmando nesses locais através de práticas solidárias e cooperativas, com ideais vinculados ao autogoverno e à transformação social. Essas escolas possuem uma estrutura para internato, refeitórios, fornecem bolsas para os alunos e possuem unidades de produção agrícola, oficinas de carpintaria, ferraria, clubes de cultura e desportivos.

As normais rurais dirigem a formação de seus estudantes não apenas a ensinar como ler e escrever, mas principalmente reforça os conhecimentos gerais para que os futuros professores se relacionem com o espaço que estão atuando, podendo ajudar com a saúde, construção e agricultura do local. Exemplo disso é o ensino de línguas indígenas da região em que está inserida a escola.

Pelo caráter de emancipação, as escolas se tornam espaços de formação e organização política, sendo também um importante instrumento para a tomada de consciência sobre a condição de miséria que assola a área rural mexicana. As rurais são a base de organização para o movimento estudantil mais antigo no país, a Federação de Estudantes Camponeses Socialistas do México, fundada em 1935.

Por isso mesmo, durante a dura repressão política no México, nos anos 60, centenas de estudantes das escolas normais rurais foram perseguidos. As escolas eram seguidamente alvo de ataques policiais, por serem consideradas espaços de formação para líderes comunistas e de guerrilha. Em 1969, são fechadas inúmeras unidades de forma autoritária, com argumento de que era necessário proteger a sociedade mexicana contra a organização de comunistas.

Hoje, resta algo em torno de 13 escolas normais rurais no México, que seguem seu projeto de educação popular, com forte ligação aos movimentos políticos anti-capitalistas, anti-imperialistas, socialistas e comunistas do país. Seguem os ataques e a perseguição, pois as escolas são uma contravenção ao modelo econômico que vem sendo implementado pelo governo mexicano.

Relembrando Ayotzinapa: 1 ano do desaparecimento

Os 43 estudantes normalistas que desapareceram em setembro de 2014, voltavam de uma atividade de arrecadação financeira para as manifestações de 2 de outubro, contra o massacre de Tlatelolco – caso em que centenas de estudantes que protestavam foram assassinados pela polícia. Não há dúvidas que o estado mexicano responde com repressão e descaso a quem se mobiliza contra o perverso sistema capitalista. Mas não nos calaremos, desde o Brasil, nos solidarizamos e não deixaremos que a memória desses lutadores se apague. Vivos os levaram, vivos os queremos!

Viva as escolas normais rurais do México, viva a educação popular, viva os lutadores mexicanos!

*Mariana Pahim Hyppolito é miliante do Coletivo Ana Montenegro e da UJC

http://pcbrs.blogspot.com.br/2015/09/em-memoria-ayotzinapa-o-que-sao-as.html

Fonte: PCB

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