O camarada George Mavrikos (SG da FSM) fala sobre classes básicas e não básicas

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[Imagens: Como é que um operário grego negoceia com xuxas: este é George Mavrikos do KKE e da PAME (e líder da FSM) em 2012 a atirar o segundo Memorando da Grécia ao então ministro das finanças do PASOK, Evangelos Venizelos.]

Nota: O excerto do discurso de George Mavrikos que se segue é parte de uma intervenção do camarada Mavrikos no Simpósio Sindical Internacional da FSM (Federação Sindical Mundial) de que ele é Secretário Geral. O Simpósio foi em São Paulo (Brasil) no dia 2 de Outubro de 2015.

“(…)
Classes básicas e não-básicas

Nas sociedades com classes, podemos distinguir entre las classes básicas, que têm um papel central na produção e as não-básicas, diversos estratos sociais que não têm conexão directa com o modo de produção dominante.

A luta de classes na sociedade capitalista desenvolve-se principalmente entre as duas classes básicas e cada uma das classes básicas, antagónicas, tenta atrair para o seu lado, trata de ganhar aliados no interior das classes não básicas e dos outros estratos sociais.

As duas classes básicas no capitalismo são a burguesia, a classe dos capitalistas, por um lado, e a classe operária no lado oposto.

Um capitalista : o empresário, o comerciante, o banqueiro que tem capital e faz uso deste, mediante a contratação de trabalhadores e utilização da sua força de trabalho para aumentar as dimensões do seu capital. Os que tomam parte no processo de produção como os chefes, que recebem os seus rendimentos dos lucros da venda dos objectos produzidos pelos trabalhadores que trabalham para eles, que exploram e se aproveitam da exploração dos trabalhadores, da mais-valia produzida pelos trabalhadores, aqueles cujo rendimento é grande e assegura para eles uma vida cómoda e acumulação de riqueza.

Operários – proletários: São os que não têm meios de produção como sua propriedade. São os que vendem a sua força de trabalho física ou mental e recebem os seus rendimentos sob a forma de remuneração, salário mensal, por hora ou pagamento semanal. São aqueles cujos rendimentos são pequenos e têm dificuldades para sobreviver. São aqueles cujo trabalho é principalmente a mera execução das instruções e indicações dos seus superiores. São os que sofrem a opressão no sistema capitalista.

Em poucas palavras, as classes básicas são: por um lado a classe que possui os meios de produção e, do lado oposto, os explorados, a classe oprimida.

Através dos séculos as classes básicas foram:

 Na sociedade esclavajista, os amos, por um lado, os escravos por outro lado.
 No feudalismo, os senhores feudais, por um lado, os servos e os camponeses por outro lado.
 No capitalismo, por um lado, a burguesia e por outro o proletariado. No proletariado se incluem não só os trabalhadores da industria, mas também os trabalhadores do comércio e os empregados da banca.
A classe operária tem estratos, também, por exemplo:
— o proletariado fabril, que trabalha nas grandes fábricas, está concentrado e é o coração da classe operária.
— o proletariado industrial, que inclui operários fabris, mas também trabalhadores em outras, mais pequenas industrias e oficinas
— os desempregados, que são o exército de reserva da mão de obra

Classes não básicas

 Classes médias: são o sector da população economicamente activo que tem alguns dos atributos da burguesia e, ao mesmo tempo, alguns dos atributos da classe operária. Por exemplo trabalhadores por conta própria, que são donos de alguns meios de produção, mas não contratam nenhum trabalhador e trabalham por si mesmos. Portanto, têm tanto uma função administrativa e executiva. Estes estratos têm uma grande fluidez e mobilidade. Alguns deles passam para a burguesia, enquanto que outros perdem tudo e passam para a classe operária.

 Camponeses: No campesinato, podemos distinguir várias categorias com características muito diferentes: há agricultores que são donos de grandes terrenos, são ricos, que pertencem à burguesia. Outros agricultores, pobres, peões, ou alguns que inclusive possuem muito pouca terra, que têm dificuldades para sobreviver, que são a grande maioria, e são os aliados mais chegados à classe operária sendo ao mesmo tempo uma força motriz para o progresso social. O  campesinato, os camponeses pobres, eram uma classe básica nos tempos do feudalismo.

Friedrich Engels na sua obra de 1894 “O problema camponês em França e na Alemanha” divide os camponeses em: peões, pequenos camponeses, camponeses médios e grandes camponeses. Também sublinha que há também latifundiários e grandes proprietários, que constituem um “negócio capitalista não dissimulado”.

 A intelectualidade: é um estrato social especial. Nas condições de revolução científica e tecnológica, a sua presença quantitativa e qualitativa está a crescer e é heterogénea como classe. Por exemplo, há médicos que trabalham no seu próprio consultório, outros médicos trabalham em hospitais e o seu único rendimento é o seu salário e por outro lado há médicos que possuem Hospitais, Centros de Saúde e grandes consultórios e contratam outros médicos que trabalham para eles. O mesmo acontece com os advogados, engenheiros, arquitectos, etc.

 Estudantes: Os estudantes tampouco são uma categoria homogénea. No seu período de estudos, continuam a pertencer à classe ou estrato social de donde vêem, o estrato das suas famílias. Ao terminar os seus estudos e ao começar a sua vida depois dos estudos, ou regressam à classe ou estrato de onde vieram, ou mudam a sua classe, quando entram na vida laboral.

Critérios e limites da Classe Operária

A definição das classes foi preparada pelos grandes pensadores K. Marx e F. Engels com a suas obras clássicas e, finalmente, foi formulada por V.I. Lenin na sua obra “Uma grande iniciativa”. Segundo a definição de Lenin: “As classes são grandes grupos de homens que se diferenciam entre si pelo lugar que ocupam num sistema de produção social historicamente determinado, pelas relações em que se encontram face aos meios de produção (relações que na sua maior parte las leis aprovam e formalizam), pelo papel que desempenham na organização social do trabalho, e por conseguinte, pelo modo de receber, e a proporção em que recebem, a parte da riqueza social de que dispõem.” Segundo a visão marxista dominante, os critérios devem ser tomados em consideração de maneira uniforme, no seu conjunto, e não individualmente ou por grupos. Se fossemos obrigados a dar prioridade a um pelo seu peso especial, este seria o critério “pela sua relação com os meios de produção”, mas sem aceitar que este critério seja o único que classifica a alguém como permanecentes à classe operária ou não.

Alguns exemplos:

1. O gerente de uma empresa multinacional trabalha a cada dia, talvez não possua acções, nem meios de produção, mas:
– É recompensado com uma parte dos lucros
– É remunerado com somas de dinheiro 5 ou 10 vezes maior que um simples trabalhador
– Tem papel administrativo, director e não executivo no processo de produção.
Esta pessoa pode trabalhar muitas horas ao dia, inclusive pode trabalhar mais horas que o porteiro dessa mesma empresa, mas o gerente não pertence à classe operária, mas sim à burguesia.

2. Um professor universitário, que recebe um salário alto, tem um papel decisor, como director no plano de estudos e no funcionamento do departamento ou na universidade em geral, tem ajudantes sob as suas ordens, etc. pertence à classe média alta ou inclusive à burguesia. Enquanto, um professor de educação primária o secundária, que recebe um salário, executa o plano de estudos decidido por outros, pertence à classe operária.

3. Um educador que é dono da sua própria escola privada e contrata outros educadores assalariados, professores, porteiros, etc. – inclusive se – como chefe trabalha mais horas que todos os seus empregados, inclusive se o funcionamento da escola privada tem perdas económicas e não lucro, não pertence à classe operária, mas sim à burguesia.

4. Um juiz de alto nível, um general do exército, um cardeal, sem importar o número de horas que podem trabalhar por dia, sem importar a forma em que recebem a sua remuneração, pertencem à burguesia e aos mecanismos do Estado burguês. São um instrumento básico do aparato burguês.
(…)”

Fonte: FSM (versão PDF), FUL (em italiano)

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