Discurso do SG do CC do KKE em Roma no 98º aniversário da Revolução de Outubro, num evento do PC de Itália (7 de Novembro de 2015)

Roma7nov201543769248084757_n Roma7nov2015_838683695890942315_n Roma7nov2015_2787039885049228155_n

DISCURSO DO SG DO CC DO KKE, DIMITRIS KOUTSOUMPAS, NO 98º ANIVERSÁRIO DA REVOLUÇÃO DE OUTUBRO, NUM EVENTO DO PC DE ITÁLIA (7 DE NOVEMBRO DE 2015)

A convite do Partido Comunista (de Itália), o Secretário Geral do CC do KKE, Dimitris Koutsoumpas visitou Roma, na Itália, no Sábado, 7 de Novembro de 2015, no 98º aniversário da Revolução de Outubro. O tema do evento foi: “Socialismo a única solução. Grécia, uma lição para os povos da Europa”.

The speech of D. Koutsoumpas was as follows:

We feel particular joy to be here today with you in Rome, at this beautiful event of the CP, Italy. We are connected by strong bonds of friendship and cooperation. We appreciate the heroic efforts of our comrades, the Italian communists, to reconstruct the CP, to make it a strong force in Italy, rooted in the working class of the country, in the workplaces, amongst the productive ages, amongst the youth.

Despite the fact that we operate in different conditions, in the end the peoples of Greece and Italy have many problems in common. In the context of Europe, our parties develop close cooperation in the “Initiative of Communist and Workers’ parties of Europe”, with joint European meetings, analyses and activities against the imperialist EU, the exploitation of the people, the interventions and wars, the anti-people policies of our governments, the power of monopoly capital.

Comrades,

We are especially moved to speak today at this event, on the anniversary day of the Great October Revolution that took place on the 7th of November 1917.

We honour the 98th anniversary of the Great October Socialist Revolution of 1917 in Russia that left its mark on and determined the course of millions of people and not just inside the territory of the first workers’ state in the history of humanity, but in every corner of the planet for over 70 years.

October demonstrated the ability and potential of the working class to fulfill its historic mission as the only truly revolutionary class, to lead the construction of socialism-communism.

October at the same time demonstrates the irreplaceable role of the leading agent of the socialist revolution, the communist party.

The Great October Revolution demonstrated the enormous strength of proletarian internationalism. Despite what has come to pass since the counterrevolutions of 1989-1991, the 98th anniversary of the October Revolution, with all the theoretical and practical experience and maturity we have acquired in these years, makes us even more certain and categorical about the necessity and timeliness of socialism.

The counterrevolutions do not change the character of the era. The 21st century will be the century of the new upsurge of the international revolutionary movement and a new manifestation of social revolutions.

The everyday struggles for partial and more general victories are undeniably necessary, but can not provide substantial, long term and permanent solutions. Socialism remains the only solution.

The necessity of socialism emerges from the sharpening of the contradictions of the contemporary capitalist world, of the imperialist system. The material preconditions that exist in capitalism are ripe for socialism. Capitalism has socialized labour and production to an unprecedented level. The working class, the main productive force, is the majority of the economically active population. However the means of production, the products of social organized labour are private capitalist property. This is such a contradiction that it leads to all the crisis phenomena of contemporary capitalist societies, such as the economic crises, the destruction of the environment, the drug problems, the long working day despite the increase of labour productivity, which of course coexists with unemployment, under-employment and semi-employment, the intensification of the exploitation of labour power and many other things.

At the same time however, these same features signal the necessity of abolishing private ownership of the concentrated means of production, their socialization and their planned utilization in social production, the planning of the economy by workers’ power so that the relations of production are harmonized with the level of the development of the productive forces.

(…)

Caros camaradas e amigos,

O 20º Congresso do PCUS foi um ponto de viragem, sem isto querer dizer que a luta não foi feita antes dele e não continuou a ser feita depois. Pelo seu resultado, nós podemos ver que as decisões implementadas então não resolveram os problemas. O maior envolvimento de elementos de mercado na produção social directa do socialismo enfraqueceu-o.

Isto levou à redução de dinamismo do desenvolvimento socialista, reforçou os interesses individuais e de grupo de curto-prazo à custa dos interesses gerais da sociedade como um todo. Com o tempo isto criou o terreno social para a ascenção e vitória da contra-revolução, com a Perestroika como seu veículo.

Os factos confirmam que os perigos no desenvolvimento de desvios na sociedade socialista não desaparecem. Para além do cerco imperialista e da sua inegável influência na criação de ameaças, a base para o oportunismo mantém-se enquanto formas de propriedade privada existirem, enquanto existirem relações dinheiro-mercadoria e enquanto diferenças sociais se mantiverem ao longo de todo o caminho de construção socialista.

A nível teórico, as seguintes teorias tornaram-se dominantes: “produção socialista de mercadorias”, “socialismo de mercado”, a aceitação teórica da lei do valor como uma lei do modo produção comunista e como uma lei que também funciona na fase de construção socialista.

Ao mesmo tempo, o subjectivismo sobre a análise da trajectória da construção socialista como sendo “socialismo avançado” e o desenvolvimento do oportunismo, foi também expressado nas mudanças feitas na Constituição em 1977, onde o “Estado de todo o Povo” e o “Partido de todo o Povo” foram institucionalizados. A teoria do “Estado de todo o Povo” teve impacto em alterar ainda mais as características do Estado, reduzindo o papel da classe operária. Isto alterou o carácter da democracia socialista, enquanto a definição do Partido Comunista como “Partido de todo o Povo” levou à adulteração do seu carácter operário de classe. Isto gradualmente enfraqueceu e finalmente eliminou o controlo do partido pelas forças da classe operária. O princípio de igualdade dos comunistas foi violado. Foram formadas condições para o desenvolvimento de carreirismo entre os quadros do partido – nos anos 1980, a um nível político, uma nova decisão oportunista foi feita no 27º Congresso (1986) e na aprovação da lei (1987) que legalizava e institucionalizava as relações capitalistas, sob o pretexto de aceitar uma diversidade de relações de propriedade. No início dos anos 1990, a velha abordagem social-democrata sobre a “economia planificada de mercado” foi rapidamente abandonada em favor da “economia regulada de mercado” e foi mais tarde substituída por “economia de livre mercado”.

Vale a pena salientar aqui uma citação característica de um artigo de Ernesto Che Guevara: ” …planificação central é a essência da sociedade socialista, esta é a categoria pela qual se define e é o ponto no qual a consciência humana finalmente é bem sucedida em tomar controlo da economia direccionando-a para o objectivo da completa libertação do ser humano dentro de uma sociedade comunista”.

Caros camaradas e amigos,

O cerco imperialista ao sistema socialista teve um impacto forçado nos seus problemas e contradições internas. Isso levou a decisões que tornaram a construção socialista mais difícil. A corrida armamentista absorveu uma larga parte dos recursos da União Soviética.

A linha da “coexistência pacífica” tal como foi elaborada pelo 20º Congresso do PCUS permitiu o culto de perspectivas utópicas de que é possível que o imperialismo desista da guerra e dos métodos militares.

A evolução dos acontecimentos no Movimento Comunista Internacional, no que toca à estratégia, jogou um papel no moldar da correlação de forças global.

A dissolução da IC (Internacional Comunista) em 1943 assinalou a ausência de um centro para a elaboração de uma linha revolucionária face ao sistema imperialista internacional. Apesar do facto que a 2ª Guerra Mundial formou condições de crescentes contradições de classe, a luta anti-fascista apenas levou ao derrube do poder burguês em países do centro e do leste da Europa com a contribuição decisiva do Exército Vermelho. No ocidente capitalista, os PCs não foram capazes de formar uma estratégia de transformar a guerra imperialista ou a luta de liberação nacional numa luta pela conquista do poder operário. Depois do fim da 2ª Guerra Mundial, a falta de uma ligação organizacional entre os PCs tornou-se visível em termos da formação de uma estratégia independente contra a estratégia internacional unificada do imperialismo. As Conferências Internacionais que tiveram lugar não foram capazes de contribuir para a unidade ideológica na elaboração de uma estratégia revolucionária.

A política de alianças de um número de PCs com a social-democracia foi integrada dentro da estratégia do governo progressista anti-monopolista, um tipo de etapa que teve expressão em governos que geriram o capitalismo, especialmente na Europa.

Caros camaradas,

O nosso partido aprende das suas fraquezas e erros do passado, tal como a falta de preparação política e teórica (que teve) para julgar o desenvolvimento da contra-revolução na URSS de uma forma atempada.

Nós consideramos que é a responsabilidade e o direito de cada PC estudar os assuntos teóricos do socialismo, para avaliar a trajectória da construção socialista, para retirar conclusões da frente contra o oportunismo e, a um nível internacional, para preparar as forças do partido e as forças da classe mais em geral de forma a explicar a luta de classes internacionalmente, para explicar os recuos no progresso social de uma forma científica e classista. Com este espírito internacionalista e comunista, nós estamos a tentar acompanhar os desenvolvimentos hoje em países como a China, Vietname, Cuba e outros.

A explicação científica e defesa da contribuição do socialismo do século 20 é algo que fortalece a estratégia revolucionária do movimento comunista.

(…)

Fonte: KKE

Advertisements

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s