Euskal Herria. Umha visom comunista e independentista

Quinta-feira, 7 Janeiro 2016

Por Andoni Baserrigorri

Existe umha opiniom geral fora da Euskal Herria que após mais de 50 anos de levar umha luita heroica favorável à construçom dumha pátria socialista no coraçom da Europa capitalista e imperialista, a esquerda abertzale, sob pretexto duns pretendidos novos tempos, renunciou a seus objetivos históricos e que se nalgum aspeto está-se a fazer algum esforço nos últimos anos é em fechar (de qualquer jeito) esta etapa histórica para se incorporar ao jogo “democrático” que permite o Estado espanhol, convertendo-se num honorável e respeitável partido político que com mais um dos honoráveis e respetáveis partidos gerou umha coligaçom eleitoralista denominada EH Bildu.

Este caminho com as óbvias diferenças históricas de fazê-lo nos anos 80 a fazê-lo hoje, já o emprendera Euskadiko Ezkerra e após os anos transcorridos podemos dizer sem errarmos que aquela mudança de rumo apenas tinha como objetivo liquidar um jeito de luita concreta, mas também de renunciar ao projeto dumha Euskal Herria socialista, na criaçom dum estado socialista basco.

Independentemente dos modos de luita que os diferentes movimentos adotam em cada etapa histórica e que um determinado jeito de luita fora afastada da sua prática (nesse sentido som quem a praticam quem devem tomar umha decisom a seu respeito), do mesmo jeito que nos anos 80 com a mudança de rumo de Euskadiko Ezkerra, as mudanças som ainda mais fundas. E é que, é possível continuar na sua aposta pola revoluçom e socialismo, pola criaçom do estado basco, socialista, anti-imperialista, internacionalista e feminista, apostando por vias de atuaçom só políticas. O grande problema é esse. Que estes novos tempos, trazem com eles umha renúncia ao estado basco com as caraterísticas que já comentamos nas linhas anteriores.

Embora o nosso povo dixo um Nom contundente à incorporaçom de nossa pátria à banda criminal OTAN, embora forma parte de dita organizaçom dentro das estruturas do Estado espanhol, no caso de Hegoalde e francês no caso de Iparralde, nom existe umha linha de atuaçom que esteja na linha de tirar ao país da OTAN, que ainda que nom somos ainda estado poderia-se ir fazendo. Nom se fomenta de Sortu nem mobilizaçons nem qualquer um outro tipo de atuaçons contra o imperialismo, embora as suas barbaridades. Nom apenas isso, e é que lendo Gara semelha que da IA existe maior empatia com o imperialismo que com os povos que luitam contra ele. Os casos da Líbia, Síria, ou Iraque aí estám e dá mágoa o nulo papel que foi jogado. E formamos parte dum povo com umha longa trajetória de internacionalismo e solidariedade, e que nestes casos nom há qualquer proposta de mobilizaçom.

A postura da esquerda abertzale na prática respeito do imperialismo e a OTAN é muito semelhante à hipócrita postura do grupo cidadanista Podemos. Que a esquerda abertzale nom promove em absoluto sair da Uniom Europeia é umha obviedade. Jogando com a trampa semántica decindo “Un povo livre na Europa” oculta o que realmente pensam os atuais dirigentes independentistas “Um povo livre na Uniom Europeia” é o que realmente tenhem na mente. Se nom o dim é singelamente porque sabem que ainda é muito pronto para dizer certas cousas abertamente. Som conscientes que no movimento popular basco, o anticapitalismo é muito forte e ainda aspiram ao voto desses setores. Eleitoralismo puro e duro e hipocrisia eleitoralista.

Embora falarem de socialismo, nom temos impressom de estarem pola criaçom dum estado socialista. Mais bem semelha que acham melhor umhas formas de gerir o capitalismo desde a socialdemocracia ou populismo do chamado “socialismo do século XXI” que nom é mais do que um vergonhento revisionismo mais perto mesmo da socialdemocracia que do eurocomunismo.

Falam-nos de formas de governar o futuro estado basco “democráticas”. E a questom é obvia. Apenas compreendem por democrática à democracia burguesa? Nom existem mais uns tipos de governos diferentes, mais populares, mais participativos que a democracia burguesa? Acaso nom conhecem a democracia popular, tal e como é praticada, por pôr um exemplo em Cuba? Ahhh! É que assim falamos de comunismo se falamos de “democracia popular ” e contodo é preciso dizer, o anticomunisto é hoje bandeira na esquerda abertzale.

Um rosto muito conhecido da esquerda abertzale num artigo publicado em Gara recentemente e no que eram analisados os resultados eleitorais do passado 20-D atribuia umha das razons do fracasso eleitoral aos que eram chamados “dissidentes” e aos que etiqueta como “Nostálgicos da Stasi”. A expressom que pode nom possuir maiores comentários que os que produz a rabieta dum arribista perante tais resultados, evidência um perfil desta pessoa e de mais umhas que ocupam cargos de direçom nas estruturas políticas marcadamente anti-comunista. A fouce e o martelo semelham símbolos condenados ao ostracismo na atual estrategia e os símbolos (ou sua ausência) sempre tem tras deles um estado de opiniom concreto.

Esta adataçom aos jeitos “democráticos” de fazer política leva à atual esquerda abertzale a apostar na sua total atividade à via eleitoral. A rua praticamente abandonada, a participaçom nos movimentos populares desativada quando nom mal vista, as tragadeiras perante situaçons concretas como petiçons de perdom, ou a participaçom em determinados atos, leva-nos a pensar que o striptease ideológico vai além do que nos temiamos.

Tragadeiras que vam além do pensado quando membros do Opus Dei como Rafa Larreina de EA, ocupou escano em Madrid ofendendo com a sua mera presença milhares de votantes de EH Bildu que apostam por umha Euskal Herria antipatriarcal e feminista. Asim mesmo como Jon Iñarritu de Aralar, conhecido defensor do estado assassino de Israel, ofendendo a quem temos marcada consciência internacionalista. Estes e mais uns detalhes provoáarom o desafeto de grande parte da massa social da esquerda abertzale.

Umha masssa social desencantada e em grande parte “voltando à casa”. Poucas ganas de militar de centos de bons e boas ativistas, poucas ganas de acodir os atos “de massas”, poucas ganas de ir a assembleias onde sabem bem que o bacalhau chega já en anaquinhos, poucas ganas enfim de votar, que por outro lado refletiu-se nuns resultados paupérrimos e que exigem ou deveram exigir uns estudos e análises muito sérios que conduzira a umha retificaçom funda em dúzias de atuaçons dos últimos anos. Sortu, o suposto herdeiro do que foi a esquerda abertzale e que se erige em partido único (nom achavam que eram anti-estalinistas?), é quem leva adiante toda esta estrategia e o único responsável deste cúmulo de despropósitos. Cumha direçom que renúncia ao modelo movimento face o modelo partido e que ao mesmo tempo renunciou os métodos de trabalhar dumha Unidade Popular para se tornar numha coligaçom eleitoralista e que, ainda tem como denominaçom “frente amplo”, elaborou umha estrategia que está levando à ruina umha luita que foi referencial durante muitos anos para milhares de pessoas no mundo.

Ainda que fossem exitosas as suas comparecências eleitorais, de nada serviria deixando como deixárom à margem um projeto político que alumeava os nossos olhos de ilusom perante a perspetiva dum estado socialista basco no futuro. Sabia-se por quê se luitava, agora muitos tememos perder essa referência e essa bússola. Vota-se a EH Bildu, sem a paixom com que se votava Herri Batasuna. A revoluçom é também umha ilusom, paixom, alegria, perdidas todas estas caraterísticas, as/os votantes de EH Bildu olham para si próprios como mais uns votantes integrados no sistema. Umha socialdemocracia independentista, à que precisa exprimir de jeito convincente como é possível atingir o estado socialista basco polo que tanto luitamos, apenas indo cada 4 anos a votar numhas eleiçons burguesas e por enquanto controladas desde o poder burguês espanhol ou quer francês.

Um Sortu que ainda deve a sua escassa militância a apariçom das suas bases ideológicas e muitos dados mais que de ser consequentes a um proceso democrático fariam de Sortu um partido diferente.

Levarom-nos e meterom-nos com calçadeira este engendro reformista e socialdemocrata.

Perante isto quê? Reagir. O primeiro ser conscientes da situaçom em que estamos e ser sinceros com nós próprios e reconhecer a derrota que sofremos. Nom devemos ser compracentes com nada nem com ninguém e falar com toda a franqueza desta situaçom. Ainda que olhem mal para nós, nos sinalem com o dedo e nos chamem “nostálgicos da Stasi” dizer-lhe ao pam pam e ao vinho vinho e o reformista reformista. Ser exemplo de honestidade e trabalho. Militar no que for, existem ainda campos de trabalho onde fazê-lo, no internacionalismo oo sindicalismo, até coletivos de base. E organizar-se. As e os comunistas sempre tivemos que nos organizar para levar adiante as nossas luitas. Fazê-lo desta vez como mais ilusom se é possível e começar empurrar para que chegue o antes possível essa esquerda abertzale, que foi referência de luita e organizaçom para milhares de pessoas e que tinha claro como norte umha Euskal Herria soberana, socialista, feminista e internacionalista.

Fonte: Primeira Linha (Organização Comunista Galega)

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