A calma antes da tempestade – ponto de situação na Grécia

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Nota: Na situação da Grécia, no fio da navalha das “regras” da austeridade europeia da UE, uma pequena derrapagem nos lucros da burguesia grega (ou no chamado PIB) e por acréscimo nas chamadas “contas pública” do Estado burguês que a sustenta pode ser suficiente para lançar de novo o melodrama da saída da Grécia do euro e de um novo memorando tendo como efeito mais prático e concreto a queda do governo do Syriza e eleições antecipadas. O problema para os capitalistas da Grécia e da União Europeia é que quem tem nas mãos as alavancas que movem esta crise são os explorados gregos e não a burguesia helénica.

Artigo: A calma antes da tempestade

Muitos amigos estranham a calma aparente das últimas semanas na Grécia depois de uma sequência crescente de intensidade de greves gerais, cortes de estradas, ocupações de edifícios e lutas de massas em geral do proletariado grego e do campesinato grego e outros sectores explorados. Essa onda de luta de classes dos explorados da PAME e da Aliança Popular na verdade já vem de Novembro de 2015 e a certa altura nas primeiras semanas deste mês corrente de Fevereiro de 2016, depois da maior greve geral na Grécia desde os primeiros anos da crise capitalista europeia e das imagens vitoriosas dos camponeses a invadir a praça de Syntagma em Atenas com os seus tractores, esperava-se notícias imediatas. Provavelmente muitos amigos que acompanham a situação por este blog e outros sites de traduções esperavam ou a repressão imediata do movimento dos explorados ou a rendição do do governo do Syriza às exigências dos explorados.

O que se passa neste momento na Grécia então?

A realidade grega é mais complexa do que parece à primeira vista, porque a luta geral dos explorados é liderada pela linha revolucionária da PAME e do KKE e essa linha justa não permite qualquer cedência, transigência ou saída cómoda reformista como o capital está habituado em outros países em situações semelhantes mas sem revolucionários a liderar as massas. Por um lado o Syriza tem vindo a tentar cansar os explorados e assim virá-los contra a PAME e o KKE, enquanto por um lado acena com o diálogo envenenado da conciliação de classes que procura unir sectores dos explorados à burguesia e isolar os sectores mais radicais dos explorados. Mas esta estratégia do Syriza está a falhar. E por outro lado a burguesia grega e a burguesia da União Europeia exigem que o Syriza reprima a aliança operária-camponesa dos explorados e ainda agrave drasticamente o pacote de austeridade anunciado.

O que se passa é que o pacote de austeridade contra a segurança social (chamado também de “lei guilhotina” e “decreto-carniceiro”) está há semanas para ser aprovado mas ainda não foi, com o Syriza aos papéis sobretudo com os cortes de estradas dos camponeses. As ameaças da polícia e dos tribunais estão a subir de tom contra os camponeses mas estes estão de pedra e cal a cortar todas as auto-estradas do país e as fronteiras terrestres com os vizinhos do norte dos Balcãs. Os cortes de estradas dos dos camponeses não afectam principalmente a grande burguesia grega industrial e financeira porque esta exporta e importa produtos sobretudo pela via marítima (que é precisamente o sector forte da economia grega). O sector do transporte marítimo também tem tido intensas greves de vários dias seguidos lideradas pela PAME, mas mais no transporte de passageiros do que no de mercadorias. Portanto nesse aspecto a grande burguesia grega consegue esquivar-se melhor que outros sectores da burguesia média e da burguesia dos países vizinhos que estão a receber em cheio o ataque da luta operária-camponesa grega. O que não invalida que a burguesia grega comece a entrar em pânico com o expandir e intensificar da rebelião dos explorados.

A situação na Grécia neste momento é de impasse entre as burguesias grega e europeia e os explorados. Mas o impasse joga a favor dos explorados, porque devido aos cortes de estradas dos camponeses há como que um cerco aos planos das burguesias euro-gregas. Um cerco que mesmo quando pacato e sem escaramuças vai apertando contra as burguesia e fortalecendo os explorados. Os camponeses gregos – pequenos e médios agricultores – ao cortar as fronteiras gregas a norte e as auto-estradas atingem sobretudo os seus principais inimigos directos: os latifundiários e as grandes superfícies comerciais. E enquanto muita gente acha que os camponeses nos cortes de estrada se auto-asfixiam paralisando os seus trabalhos agrícolas, é bem possível que eles ao atacarem os seus concorrentes monopolistas estejam também a abrir directamente mais espaço para escoar os seus produtos nas cidades gregas.

Entretanto passadas semanas do anúncio da PAME que fará uma Greve Geral de 2 dias (48 horas) imediatamente se o Syriza aprovar o pacote de austeridade anunciado no parlamento, veio finalmente a central sindical amarela GSEE dizer exactamente a mesma coisa, reduzida que está pela força de massas da PAME a ser a arrastada pelo sindicalismo militante de classe.

Então o que virá a seguir?

Adivinha-se que a pressão sobre o governo Syriza vai empurrá-lo para agravar brutalmente o pacote de austeridade, com mais cortes nas reformas e nos rendimentos dos explorados, e desencadear todo o arsenal da repressão (a que o Syriza tem acesso…) contra o movimento dos camponeses e dos operários. Seja como for, todos os cenários implicam uma revolta geral e destruição da base de sustentação e legitimidade institucional do Syriza e portanto crise política e eleições antecipadas.

A paciência da PAME e da Aliança Popular neste contexto é de facto uma resistência de aço, neste cerco ao Syriza e às burguesias euro-gregas, o tempo vai jogando a favor dos explorados.

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Fontes: Athens News, 902.gr portal

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