O sindicalismo patronal e governamental e o reformismo no movimento sindical – Livro da PAME

ccoougt1116896_nccoougt2201_n

B. O sindicalismo patronal e governamental e o reformismo no movimento sindical

É necessária uma orientação firme rumo a formas massivas de organização da classe operária para neutralizar as intervenções enganadoras no seio das massas trabalhadoras e populares.

Especialmente, entre as camadas mais inexperientes e empobrecidas, os jovens desempregados, os migrantes e os estudantes.

O chamado “movimento dos indignados” e “das praças” foi apoiado e promovido – se não planeado – pelos mecanismos burgueses. O seu objectivo era a manipulação e a prevenção da radicalização, ao controlar e dirigir partes da aristocracia operária e da pequeno-burguesia.

Um número de trabalhadores e desempregados foram também arrastados para este “movimento”. Nas fileiras desde “movimento” mobilizaram-se tanto oportunistas de direita como de esquerda, sob slogans reacionários e sob slogans pequeno-burgueses que procuravam atingir o movimento com orientação de classe.

Por um curto período este “movimento” mobilizou as massas populares, especialmente no seu início. Massas que não tinham a necessária experiência política, que apoiam uma solução através de outro tipo de gestão (burguesa), que poderia supostamente parar a deterioração da situação e poderia dar solução aos seus problemas.

Isto não foi enfatizado mas isto não era uma forma de movimento sindical ou de outro grupo social. Isto foi promovido como sendo a mobilização de diferentes grupos sociais tendo como características unificantes a “indignação e protesto” contra o governo.

A questão principal é: quem são as forças dirigentes que influenciam o movimento de massas; É a classe operária que lidera as massas ou são as forças pequeno-burguesas, que cultivam ilusões sobre a possibilidade de uma solução pro-popular sem romper com as relações capitalistas de produção, enquanto organizações capitalistas?

Aqui reside a importância de lutar pela mudança na correlação de forças e também a pre-condição para a subida da luta de classes.

O papel dos sindicatos e do movimento sindical é grande e inclui todos os sectores da vida económica, social e política do país. Porque quem quer que tenha os sindicatos do seu lado controla a força principal e a chave para a melhor acção e sucessos possíveis ao nível das lutas económica, política e revolucionária. Os capitalistas sabem bem esta realidade e é por isso que eles sempre têm estado a tentar influenciar os sindicatos e o movimento sindical, de forma a limitar e manipular o seu papel e acção, dentro dos parâmetros das políticas capitalistas, ou então neutralizá-los.

Nas condições de crise estão a subir as tendências de descontentamento e de protesto entre as forças pequeno-burguesas, entre as partes da classe operária com rendimentos mais elevados, nos trabalhadores da administração pública, etc. Então, a questão da reconstrução do movimento com orientação de classe é crucial, de forma a direcionar o protesto e indignação – que se acumula – e virá-los para um rumo radical. O nosso trabalho pela subida da luta de classes, vai confrontar-se não apenas com o nível de maturidade das massas, mas também com a intervenção dos capitalistas, dos seus mecanismos, dos partidos burgueses e dos reformistas e oportunistas no movimento sindical.

1. O sindicalismo controlado pelos governos e pelos patrões

Poucos são aqueles que acham discutível que a resposta da classe operária e as suas lutas não foram e ainda não são proporcionais à ofensiva generalizada que nós recebemos. Uma ofensiva que tem posto em causa e abolido todos os direitos e conquistas da classe operária, principalmente durante o período do pós-guerra. As razões (que explicam isto) é claro são muitas. Elas são o reacionarismo e acrescida agressividade do sistema, o derrube do socialismo e a temporária derrota do movimento operário e popular.

Uma das principais razões, um dos principais factores, para que a classe operária esteja a protelar a sua organização e resposta e o seu contra-ataque às forças do capital e aos seus representantes políticos é a influência, o papel e a acção do sindicalismo controlado pelos governos e pelos patrões. Esse sindicalismo é o que se expressa há décadas através da GSEE e da ADEDY (membras da CSI e da CES) e através das forças dos partidos políticos burgueses dentro do movimento sindical (liberais, sociais-democratas e oportunistas).

Certas condições necessárias para a classe operária alcançar a capacidade de se defender e contra-atacar são:

• Apontar as causas reais que geram e reproduzem os problemas.
• Apontar os responsáveis e os que se opõem às forças sociais e políticas e apontar aqueles que promovem e impõem as políticas anti-populares.
• Promover e lutar por reivindicações dentro dos parâmetros que correspondem às necessidades contemporâneas e actualizadas da classe operária e tendo em conta a riqueza que esta produziu.
• Desenvolver acções através de um plano de acções com formas de luta que correspondem às necessidades e capacidades de hoje.
• Revelar a influência destrutiva do “consenso social” com o capital e os seus mecanismos – e demonstrar a necessidade de lutar contra eles.

O sindicalismo controlado pelos governos e pelos patrões interfere especificamente nestes aspectos, oferecendo valiosos serviços às forças do capital e aos seus representantes políticos com resultados muito negativos para a classe operária.

Baseado em problemas existentes o sindicalismo patronal-governamental leva à submissão, utiliza dinheiro, ameaça e ao mesmo tempo cria falsas esperanças.

Esssencialmente, o sindicalismo patronal-governamental:

• Não aponta as causas reais que geram e reproduzem os problemas. Isto é, ele não reconhece que as reformas capitalistas não são um fenómeno temporário da economia capitalista mas sim mudanças estruturais resultando das contradições internas do sistema capitalista. Reformas que afectam a sua base (isto é, a economia, a produção) assim como a sua super-estrutura (as instituições, o sistema político). Reformas que tornam o capitalismo mais desumano e reacionário.

• Não aceita que, independentemente de quem gere o capitalismo, este foi e vai ser sempre desumano. O capitalismo, ano após ano, vai tornar-se mais reacionário como um sistema sócio-político. O sindicalismo controlado pelos patrões e pelos governos nem quer nem pode lutar contra as forças políticas que promovem e impõem as reformas capitalistas pela razão de que é parte activa delas.

• Não promove a luta por reivindicações que possam satisfazer as necessidades contemporâneas da classe operária, baseadas na riqueza que produzimos hoje. Porque isso iria contra a lucratividade, competitividade e produtividade da economia capitalista.

• Não confronta a ofensiva que nós recebemos com um plano de acções em escalada da luta e unificante. O sindicalismo controlado pelos patrões e pelos governos não usa formas de luta baseadas na experiência dos trabalhadores que tenha em conta a intensidade do ataque que sofremos.

O sindicalismo patronal-governamental intervém especificamente nestes aspectos (apontando as causas reais que geram e reproduzem os problemas, as responsabilidades das forças políticas que impõem as reformas anti-trabalhadores, a promoção e a luta por um quadro essencial de reivindicações, tudo isto sob um plano de acções da luta de classes completo e unificante), resultando em consequências negativas para os trabalhadores e prestando serviços valiosos às forças do capital e aos seus representantes políticos.

Há experiências importantes e do dia-a-dia de como o sindicalismo patronal-governamental intervém nos lugares de trabalho. Sob slogans e até lutas (que têm por objectivo a desactivação da militância) ele esconde propositadamente as reais causas dos problemas. Ele não promove e luta por reivindicações baseadas nas necessidades reais e contemporâneas da classe operária. Ele não tem um plano de acções confiável.

Ele trabalha activamente como um factor da deterioração das vidas dos trabalhadores. Com as suas posições ele piora o nível de vida das famílias dos trabalhadores.

Ele forma as suas reivindicações dentro dos limites permitidos pelos vários tipos de gestão capitalista sem pôr em causa o “direito” dos capitalistas a lucrar através da exploração da força da trabalho e aos meios de produção que são um produto da acumulação de trabalho humano e à mais-valia roubada. O sindicalismo patronal-governamental é hostil em relação à coordenação das partes da classe operária e expressa abertamente hostilidade à acção comum com outras camadas populares. Ele sente-se aterrorizado pela ideia de escalada das lutas. Ele cria obstáculos para a organização em sectores. Ele preserva as divisões entre os trabalhadores baseadas em diferentes relações (vínculos) laborais.

Ele entrega os trabalhadores, desprotegidos às mãos dos patrões.

Basicamente, nós estamos a falar de mecanismos dos capitalistas dentro das fileiras do movimento sindical dos trabalhadores. O isolamento das forças do sindicalismo controlado pelos governos e pelos patrões é basicamente uma precondição para a reconstrução do movimento sindical e para o fortalecer da aliança social.

Sobre as Associações de Indivíduos (Forma organizacional de sindicalismo patronal)

As Associações de Indivíduos foram um formato legislado pelos Governos Gregos nos últimos anos como uma representação dos trabalhadores, com direito legal a assinar contratos colectivos com o empregador/patrão.

Elas não são uma forma de organização mas sim um mecanismo para enfraquecer os sindicatos, elas são instrumentos dos patrões e foram criadas para marginalizar os sindicatos. Elas são mecanismos dos patrões em pequenas e médias empresas, usadas como substitutos dos Sindicatos e Federações Sindicais para assinar os Contratos Colectivos em empresas com até 20 trabalhadores. A táctica específica dos patrões e governos procura enfraquecer o papel dos sindicatos, o seu papel de disputa laboral, a organização colectiva e a acção dos trabalhadores ao nível sectorial, mas também os trabalhadores como uma classe contra a classe dos capitalistas.

Uma “Associação de Indivíduos” pode ser formada por 5 trabalhadores em companhias com até 20 trabalhadores e está planeada a expansão deste formato para empresas de até 50 trabalhadores. Até agora, onde quer que as “Associações de Indivíduos” tenham sido formadas, elas foram formadas pela iniciativa do patrão e assinaram contratos com grandes cortes salariais e a abolição de direitos dos trabalhadores.

Fonte: PAME – Livro da PAME

Advertisements

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s