Nota: Recordo o apelo do Partido Comunista (de Itália) em apoio à Greve Geral na Itália no passado dia 4 de Novembro. Esta Greve Geral histórica teve em algumas empresas e algumas cidades um êxito significativo tendo em conta a natureza amarela da esmagadora maioria dos sindicatos da Itália. O fundamental desta Greve foi demonstrar que os comunistas e aliados combativos nos Sindicatos de Classe não estão dependentes eternamente dos sindicatos sociais-democratas e oportunistas para convocar greves gerais de âmbito nacional. O velho sindicalismo (ainda maioritário) italiano social-democrata, liberal e católico todo ele pro-patronal (apesar das diferentes tendências) está numa fase de evidente desgaste e desagregação, numa crise lenta mas terminal e a disputar esse vazio é que vão surgindo nomeadamente as forças revolucionárias e as forças oportunistas. O PC (de Itália) fundado apenas em 2014 já tem na SGB uma referência sindical capaz até de mobilizar para uma Greve Geral numa linha de luta de classes anti-oportunista.
3 de Novembro de 2016
O Partido Comunista (de Itália) apoia, com os seus militantes e as suas organizações nos locais de trabalho e nos territórios, a greve geral convocada para 4 de Novembro, da Confederação Unitária de Base (CUB) e do Sindicato Geral de Base (SGB), que foi subscrita por outros sindicalistas, e apela a todos os trabalhadores, estudantes, desempregados a participar dos seus desfiles, a ser realizados em Milão e Nápoles. Esta não é uma falsa greve, como aquelas a que já nos habituaram os sindicatos em tempos concertativos e agora abertamente colaboracionistas, hoje em dia. Mas, infelizmente, também outras siglas, apesar de virem dos sindicatos de base, já foram ajustadas para uma mera representação do conflicto e vieram a substituir a prática e a organização de um conflicto de classes real. Também não se trata de greves que apoiam a plataformas politicistas, de pura propaganda para coligações improváveis (falsamente) sociais, que se transformam em desfiles que pretendem ter dentro todos os explorados e em vez disso se afastar dos lugares centrais da batalha contra União Europeia, contra os patrões e os seus governos, e esses lugares ainda são as fábricas, os campos, as repartições públicas, as escolas. Não se trata também de greves que agem, como um dado adquirido e que, muitas vezes impõem acordos profanos sobre as representações sindicais nos sectores privado e público, esses mesmos acordos que querem minar precisamente o direito à greve e as liberdades sindicais dentro e fora dos locais de trabalho.
E a 4 de Novembro desta vez trata-se de uma greve real, que coloca na ordem do dia o contra-ataque do movimento operário no nosso país, depois de décadas de derrotas e reveses sofridos, basicamente, por causa do papel subalterno e entreguista exercido pelas centrais sindicais CGIL-Cisl-UIL, na presença por sua vez de uma classe burguesa, liderada pelas grandes concentrações monopolistas e imperialistas internacionais, que não se esqueceu nem as regras nem a prática agressiva e crescente da luta e da dominação de classe. Voltamos, então, à luta de classes exercida pelos trabalhadores contra os patrões, pelas massas de milhões de pessoas contra as potências imperialistas e belicistas, pelo povo e não pelas cátredas de salão falsamente e hipocritamente pacifistas, sempre prontos a apoiar as falsas revoluções armadas e as chamadas intervenções humanitárias … armadas.
Lutamos, portanto, para mover recursos, intervenções e homens do campo de agressão imperialista para o campo dos interesses populares, para ir para o contra-ataque em todas as disputas fundamentais relativas ao salários directos e diferidos (ou indirectos), cuidados de saúde e educação gratuita para todos, o desbloqueamento de todos os Contractos Nacionais de Trabalho (Contractos Colectivos de Trabalho), contrariando por todos os meios os ataques aos diferentes níveis de contratação, o contra-ataque também nos terrenos difíceis da segurança social e da proteção social pública para todos, a resistência às privatizações ainda mais violentas e generalizadas. Tudo isto não pode ser alcançado sem uma consequente luta internacionalista, dentro do qual é chave a ação da Federação Sindical Mundial (FSM) e o papel da PAME grega. É verdade que só uma revolução para a conquista do socialismo-comunismo vai dar respostas autênticas para os graves problemas dos trabalhadores, hoje nem sequer adiados com as clássicas receitas reformistas. É portanto, fundamental, ao lado das sacrossantas lutas materiais e económicas no campo sindical, para as quais eles precisam por sua vez de um Sindicato de Classe, manter um alto nível de luta política, caminhando sem hesitação em direcção à construção do Partido Comunista na Itália.
Fonte: La Riscossa
