Category Archives: Antifascista

Excerto sobre as Frentes Populares do livro do KKE “Assuntos teóricos sobre o programa do Partido Comunista da Grécia (KKE)”

“A ascenção do fascismo numa série de países teve múltiplos impactos no movimento comunista e na IC (Internacional Comunista, Comintern).

Sucederam grandes preocupações acerca da interpretação deste fenómeno e da confrontação com ele por parte do movimento comunista em condições de crise económica capitalista e durante a intensificação dos preparativos para uma nova guerra imperialista em simultâneo ao agudizar das contradições imperialistas. Porém, os imperialistas tinham como seu objectivo comum o esmagar da União Soviética. As forças fascistas deram à sua orientação política um carácter intensamente anti-comunista, quando apelidaram o tratado entre a Alemanha e o Japão como o «Tratado Anti-IC».

Preocupações e discussões desenvolveram-se dentro dos quadros da IC que também foram registados por alguns historiadores da IC (aqueles que participaram dentro da sua estrutura). O ponto de vista dominante foi aquele que diz respeito a formar uma Frente Popular (FP) ampla e anti-fascista que poderia alcançar o governo através do parlamento de forma a evitar a ascenção de governos fascistas e ao mesmo tempo isto poderia evitar a concentração das forças mais agressivas contra a URSS.

Reflectindo o debate dentro da estrutura da IC, as resoluções do seu 7º Congresso (1935) trouxeram certas «salvaguardas» nomeadamente (id est) que a formação de um governo de Frente Popular seria o resultado da agudização da luta de classes, etc.
Contudo, na prática, estas resoluções abriram o caminho para acordos incondicionais com partidos sociais-democratas e burgueses, para um apoio acrítico a governos burgueses no contexto da guerra imperialista e, apesar da oposição do Comité Executivo da IC, para começarem a acontecer discussões a respeito da unificação dos Partidos Comunistas com os Partidos Sociais-Democratas, etc.

A experiência prática demonstrou que política das Frentes Populares não podia nem confrontar a ascenção do fascismo nem impedir a guerra.”
Fontes: Blog In Defence of Communism e site internacional do KKE

CP of Greece, Speech of the KKE at a meeting on Anti-communism [En]

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(…)”From the anti-communist memorandum of the Council of Europe in 2005 to the motion of the European Parliament in 2009 about “European Consciousness and Totalitarianism”, the proclamation by the EU of the 23rd of August as a “day of memory for the victims of Nazism and Stalinism”, the attempt to transform the 9th of May from being a day to celebrate Anti-fascist Victory of the Peoples into a “day of Europe”, i.e. of the EU, and all the other anti-communist statements and decisions of the EU, we are facing a provocative falsification of historical truth. A project that is being funded with hundreds of millions of Euros from the EU budget, such as the creation of the “House of History”, which is expected to start functioning next year or the programme “Europe for the citizens”, which is mainly targeted at schools, school-students, local government institutions, NGOs. Both plans target the consciousness of the youth so that they are systematically poisoned with anti-communism, slanders against the countries where socialism was constructed, excuses for or the whitewashing of the Nazi-fascist crimes. For example, the recent organized efforts-which were even promoted at the well-known song contest- to glorify Tatars that collaborated with the Nazis and slander the period when the Soviet state was headed by Stalin, cannot go unnoticed.”(…)

Fonte: Solidnet

A política do Partido Comunista recusar a participação num governo burguês (parte 3)

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De Aleka Papariga
Publicado na Revista Comunista de 2013, número 2
Tradução para Inglês: Lenin Reloaded

(…) Os antagonismos entre os modelos de gestão liberal e o keynesiano já foram testados ao longo do século XX.

A alteração entre o modelo de gestão económica liberal e o keynesiano trouxe, ao longo do século XX, ciclos de crise económica, intensificou as contradições intra-burguesas e as contradições inter-imperialistas e levou a duas guerras mundiais.

No período 1989-1991, o oportunismo rejeitou o marxismo-leninismo. Ele aplaudiu a vitória da contra-revolução e, na verdade proclamou que a humanidade agora vai entrar no caminho da democracia e da paz. Hoje, quando o capitalismo tem sido desmistificado aos olhos dos povos, quando a UE tem desmentido as expectativas de milhões de trabalhadores na Europa, os oportunistas aparecem como acusadores do KKE e da sua recusa em participar no governo, argumentando que nos recusamos seguir a doutrina leninista, as directivas da Internacional Comunista, etc.

Deixem-me abrir aqui um parêntesis. Devemos sublinhar que o nosso partido, tendo estudado a sua própria história e a história do movimento comunista internacional, posiciona-se criticamente em relação a velhas abordagens equivocadas e tira conclusões a partir delas. Assim, após a decisão do 18º Congresso do KKE temos avaliado, por exemplo, que o 20º Congresso do PCUS (Fevereiro de 1956) e sua tese sobre a “diversidade de caminhos de transição para o socialismo sob certas condições prévias”, a sua posição , como também na “coexistência pacífica” que tinha sido relacionada com a possibilidade de uma transição parlamentar para o socialismo na Europa, era uma estratégia que tinha preexistido em alguns PCs e que dominou outros eventualmente. Esta posição era essencialmente uma revisão das conclusões extraídas da experiência revolucionária soviética e constitui uma estratégia reformista e social-democrata.

Os antagonismos entre Estados capitalistas, que naturalmente continham o elemento de dependência, como acontece na pirâmide imperialista, não foram devidamente analisados. O que predominou foi a visão equivocada de que havia uma relação de “sujeição e dependência” de cada Estado capitalista aos EUA. Como resultado, o que foi adoptado foi a estratégia de “governo anti-monopólio”, uma forma de etapa entre capitalismo e socialismo, da qual se esperava que resolvesse os problemas de “dependência” em relação aos EUA. Assim os PCs escolheram uma política de alianças também com forças burguesas – aquelas caracterizadas como tendo “consciência nacional” em oposição às chamadas elites “compradoras”.

A postura de muitos PCs em relação à social-democracia também foi integrada dentro desta estratégia. Os PCs foram dominados por uma suposição equivocada de que a social-democracia se dividia em uma ala “esquerda” e uma ala “direita”, algo que enfraqueceu drasticamente a frente contra ela. Em nome da unidade da classe trabalhadora (que tinha como objectivo a criação de governos de coligação com a social-democracia ou com uma parte dela), os PCs fizeram concessões ideológicas e políticas graves. Enquanto isso as proclamações de unidade por parte da social-democracia não visavam derrubar o sistema capitalista mas sim retirar a classe trabalhadora da influência das ideias comunistas e a alienação da sua consciência.

Temos de reconhecer que o nosso partido, o KKE, foi durante muito tempo orientado para abordagens estratégicas semelhantes, abordagens que historicamente não estavam justificadas. A estratégia do PC que tinha como objectivo, dentro dos estados capitalistas avançados, a criação – com base no Parlamento – de um governo parlamentar anti-monopólio, a estratégia que viu a passagem para o socialismo como um alargamento da democracia burguesa e da propriedade estatal das empresas, as grandes  as grandes percentagens eleitorais de PCs em França e Itália e a sua participação nos governos burgueses de “centro-esquerda” membros da UE, não só não conseguiu alterar substancialmente a correlação de forças, mas reforçou ainda mais o desvio oportunista e o encolhimento das forças comunistas em toda a Europa.

A táctica dos oportunistas é reintroduzir a estratégia ultrapassada e equivocada das etapas, de fato postulando como uma primeira fase, a saída da crise no caminho do desenvolvimento capitalista e a incorporação à UE e à NATO. O programa que é promovido por eles defende um capitalismo que não vai ser muito injusto, um capitalismo sem decadência e parasitismo, um capitalismo “mais humano” que irá resolver conflitos internacionais, ou seja, a concorrência intra-imperialista, através da negociação política e meios pacíficos!

O deslocamento entre política e economia é um aspecto provocador das posições dos oportunistas. Eles argumentam que o Estado burguês pode se tornar um Estado social para todas as pessoas. O que também é provocativa é a sua interpretação do imperialismo. Para eles, o imperialismo na Europa é simplesmente a Alemanha, na América Latina são os EUA. Eles rejeitam a essência económica do imperialismo, que é a exportação de capital, a concentração de capital na forma de propriedade capitalista por acções e os monopólios. E, claro, eles não vêem o imperialismo como o capitalismo monopolista, como a fase superior do capitalismo. Eles transferem mecanicamente para as circunstâncias contemporâneas o período do colonialismo, argumentando que a Grécia e todos os países em uma posição média e baixa no sistema imperialista transformaram-se em colónias [todas estas sãos posições da “plataforma de esquerda”, principalmente]. Eles acusam a burguesia de não ser patriótica o suficiente, argumentando que é a sua covardia que a faz ceder competências (jurisdição) aos centros de decisão, como a Comissão Europeia. Eles dividem a burguesia em uma secção produtiva e uma secção parasitária, em capitalistas saudáveis e imorais. A sua crítica ao capitalismo é essencialmente moralista, eles não fazem qualquer referência às relações de produção capitalistas.

They attack the KKE using fragments and phrases from Marx and Lenin, which they decontextualize from specific conditions, in order to justify the policy of stages, the minimum program, the support for reform against revolution.

Eles atacam o KKE usando fragmentos e frases de Marx e Lenin, que descontextualizam de condições específicas, a fim de justificar a política de etapas, o programa mínimo e o apoio à reforma contra a revolução.

 

They pretend not to understand that in the era of bourgeois revolutions, the first duty posited by Marx and Engels, while the working class still did not have its own party, was the distinction of the working class from the revolutionary mass of the bourgeois, the petty bourgeois and the farmers. Even in the conditions of the realization of bourgeois revolution, Marx and Engels argued that the working class must come forth to the foreground and obtain consciousness of itself.

The opportunists obscure the great Leninist legacy which posits that working-class victory, the victory of the exploited people, and even the intensification of class struggle are unthinkable without a relentless and uncompromising struggle against opportunism. They obscure the fact that the content of struggle in conditions of development for the bourgeois revolution was different than it is today, at an age of transition from capitalism to socialism under the highest stage of capitalism.

They arbitrarily use Lenin’s estimation, in his well-known work Imperialism, the highest stage of capitalism, that only a handful, a very small number of states rob the great majority of the nations of the earth. According to this view imperialism is identified with a very small number of countries, to be counted on the fingers of one hand, while all the other countries are subject, oppressed, colonies, conquered territory.

Today too, the countries at the top, in the top ranks of the imperialist pyramid, are only a few, one might even say they are still a handful of nations. But this doesn’t mean that other capitalist states are their victims, that they are subject, it doesn’t mean that the line of struggle for the peoples needs to have an anti-German direction in Europe or exclusively an anti-US direction in the American continent. It’s not accidental that the opportunists foreground as positive examples for coping with the crisis Brazil and Argentina, while also praising Obama’s policy.

Fonte: In defence of greek workers

A política do Partido Comunista recusar a participação num governo burguês (parte 2)

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Aleka Papariga (na foto com Dimitris Koutsoumpas, o actual SG do CC do KKE, ao seu lado)
The CP position of refusing to participate in bourgeois government

Communist Review 2013, issue 2 (Revista Comunista, a revista teórica do KKE, publicação número 2 de 2013)
Translation to English: Lenin Reloaded (tradução para inglês de Lenin Reloaded)

Em primeiro lugar, permitam-me elaborar sobre a rica experiência que KKE tem acumulado da sua participação nos governos burgueses, uma experiência que é ainda mais rica quando vista do contexto mais amplo da Europa. Isso não diz respeito a casos muito especiais, mas a fatos e resultados que oferecem conclusões generalizáveis e que confirmam uma coisa: que no período da transição do capitalismo ao socialismo um PC (Partido Comunista) não tem nenhuma razão para assumir a responsabilidade de um governo burguês ou, mais genericamente, em um governo de gestão burguesa. Porque enquanto a classe trabalhadora e seus aliados não tomaram o poder em suas mãos, o PC deve ser um poder de oposição e usar essa posição para aprovar o seu papel de vanguarda no movimento, explorando, claro, todas as formas disponíveis de luta – incluindo o parlamento burguês.

A participação num governo burguês é um erro que não pode ser facilmente corrigido e que pode ser de impossível reparação. (…)

O facto de que o KKE não avaliou correctamente os desenvolvimentos pouco antes e logo após o fim da guerra, que não conseguiu fazê-lo como resultado de problemas na sua estratégia, o facto de que ele não avaliou como devia as intenções dos imperialistas britânicos, isso não anula a sua contribuição insubstituível para os anos de resistência nacional, para a libertação da Grécia.

Na era pós-guerra, a experiência europeia da participação de PCs em governos burgueses – geralmente formados sob a pressão de factores e condições objectivas ou como resultado de ilusões parlamentares e acima de tudo, sob a influência e hegemonia das ideias e práticas oportunistas – é exclusivamente negativa. Partidos Comunistas na França e na Itália, a partir do final da Segunda Guerra Mundial e até há alguns anos atrás, participaram em governos burgueses. Não temos um único exemplo que possa confirmar que, graças a isso, a vida das pessoas mudou radicalmente, ou que eles conseguiram reduzir os compromissos e bloquear a direcção política seguida pela social-democracia. Depois de cada tal período de participação, os PCs perderam o poder em benefício da social-democracia; eles foram enfraquecidos, precisamente porque eles eram vistos como tendo compartilhado a responsabilidade, mas também porque parceria com a social-democracia exerce uma pressão maior sobre PCs do que eles podem exercer sobre a social-democracia.

O KKE possui experiência contemporânea disto, de um tipo de participação peculiar em dois governos consecutivos no período de 1989-1990, no primeiro caso com o partido liberal (ND) e, no segundo, com a social-democracia (PASOK) também. A participação no governo foi devido a razões muito especiais, uma vez que era impossível formar um governo após as eleições, e de acordo com a lei tinha de haver um curto espaço de tempo até a próxima eleição, para que as violações legais de que o então líder da social-democracia [Andreas Papandreou] tinha sido acusado não ficassem anuladas. O nosso partido não foi forçado a compromissos nocivos, dada a natureza desses dois governos, mas uma parte do povo, liderado pela social-democracia, atribuiu-nos uma política de “aliança profana”.
Isso custou-nos em votos, mas o que era muito mais importante foi o desenvolvimento, num período em que o oportunismo tinha criado a sua cabeça dentro do nosso partido, da percepção de que a participação do partido num governo burguês não é uma questão de princípio. Ainda pior foi a propagação da percepção de que em um momento crucial, quando o sistema político burguês enfrenta obstáculos, o KKE tem de abandonar a sua estratégia e apoiar a formação de um governo baseado no chamado “programa mínimo”, que de facto nunca causou uma ruptura no sistema político burguês, mas, pelo contrário, permite que ele reagrupe as suas forças.

Recentemente, e em meados de 2012, o KKE foi imensamente pressionado a adoptar a escolha de participar de um governo de “esquerda”, como o chamavam, juntamente com forças oportunistas que foram abruptamente catapultadas para um grande poder parlamentar, como resultado da dissolução da social-democracia em condições de aumento da pobreza, por causa da crise económica capitalista que eclodiu na Grécia e na zona euro. O fortalecimento parlamentar abrupto do oportunismo não foi exclusivamente o resultado do descontentamento popular, mas foi combinado com uma transferência em massa de votos [a partir do PASOK] por meio da orientação de um grande número de quadros e mecanismos social-democratas. Para esta transferência de poder para o oportunismo, um papel fundamental também foi interpretado por partes da burguesia que podia ver a necessidade de dar forma – ainda que temporariamente – a um pólo diferente no lugar da social-democracia antes que as massas trabalhadoras e populares pudessem mover-se para uma verdadeira radicalização.

As nossas perdas eleitorais devido à nossa recusa em apoiar um tal governo e de facto a tomar parte nele foram pesadas. Perdemos 50% do nosso voto, ou porque uma parte foi em direcção ao oportunismo, ou, principalmente, porque eles escolheram a abstenção de votar.

Este desenvolvimento não nos assustou, por muita decepção que possa ter causado e, certamente, um grau de trauma político para o corpo eleitoral. Estamos convencidos de que a nossa postura em um período marcado pelo fatalismo, pelo compromisso (cedência), pela decepção, é um legado positivo para as pessoas, mas também para o próprio partido. Se não tivéssemos resistido à pressão, teríamos entrado num caminho que é escorregadio e sem retorno. Em tais casos, não há nenhuma esperança de encontrar o freio a tempo quando você tropeça na espiral descendente.

At the same time, we received a good lesson, which we must of course use to our benefit. It’s not enough for your strategy to be correct, though today this is of course a basic precondition. But no relaxation of vigilance can be allowed: to allow this strategy to exert influence, to affect an important part of the working class, you must first attain the greatest abilities. First of all, the party cannot relax its systematic work to concentrate forces in the places of work, in different production sectors, in party construction within the working class, in the propagation of the social alliance of the working class with poor social strata in the rather large, in Greece, middle layer of the self-employed.

Ao mesmo tempo, recebemos uma boa lição, que devemos, naturalmente, utilizar em nosso benefício. Não é o suficiente para a sua estratégia o facto de ser correcta, embora hoje isso seja, naturalmente, uma condição básica. Mas nenhum relaxamento da vigilância pode ser permitido: para permitir que esta estratégia exerça influência, para afectar uma parte importante da classe trabalhadora, você deve primeiro alcançar as maiores capacidades. Primeiro de tudo, o partido não pode relaxar o seu trabalho sistemático de concentrar forças nos locais de trabalho, em diferentes sectores de produção, na construção do partido dentro da classe trabalhadora, na propagação da aliança social da classe trabalhadora com os estratos sociais pobres e na bastante grande, na Grécia, camada média de auto-empregados.

Though we have experience in ideological conflict, we did not fight as much as we should have in the last few years the parliamentary delusions shared by party friends and supporters and even by a part of party members, who don’t have long-term experience and the necessary ideologico-political defenses. The major bearer of these delusions was the bourgeois political system itself, along with its parties, the reservoir of the petty bourgeoisie, and the activity of the labor aristocracy, which together form the social roots of right and left opportunism within the worker movement.

Embora tenhamos experiência em conflito ideológico, nós não combatemos tanto quanto deveríamos nos últimos anos as ilusões parlamentares compartilhadas por amigos e simpatizantes do partido e até mesmo por uma parte dos membros do partido, que não têm experiência de longo prazo e as defesas político-ideológicas necessárias. O principal portador dessas ilusões foi o próprio sistema político burguês, juntamente com os seus partidos, o reservatório da pequena burguesia e a actividade da aristocracia operária, que juntos formam as raízes sociais da direita e da esquerda oportunista dentro do movimento dos trabalhadores.

In conditions of rapid deterioration of the people’s standard of living and while the workers’ movement — despite its important struggles, ones with a broader resonance in Europe — still lags very much behind in terms of organization and impact, the bourgeoisie manages, despite its own dead-ends, its own difficulties in managing the crisis and in achieving a speedy economic recovery, to maintain the stability of its power. Indignation and rage may grow, yet class consciousness may well lag behind in such conditions. In these conditions, there are grounds for both radicalization and roll-back, decrease of demands. This second trend is currently powerful, whereas radicalization does occur, but in a slow pace and with setbacks.

Em condições de rápida deterioração da qualidade de vida das pessoas e, enquanto o movimento dos trabalhadores – apesar das suas lutas importantes, lutas com uma ressonância mais alargada na Europa – ainda fica muito atrás em termos de organização e de impacto, a burguesia consegue, apesar dos seus próprios becos sem saída, suas próprias dificuldades em gerir a crise e em alcançar uma rápida recuperação económica, manter a estabilidade de seu poder. A indignação e raiva podem crescer, mas a consciência de classe pode muito bem ficar vir atrasada em tais condições. Nestas condições, há motivos tanto para a radicalização como para o recuo – a diminuição de exigências. Esta segunda tendência é actualmente poderosa, enquanto não ocorrer a radicalização, mas num ritmo lento e com retrocessos.

In these conditions, the formation of a coalition government, based on the prestige of the KKE, appeared to be something positive or at least as a lesser evil.

Nestas condições, a formação de um governo de coligação, com base no prestígio do KKE, parecia ser algo positivo ou pelo menos como um mal menor.

Today [2013], the KKE’s estimations and predictions are being confirmed. The bourgeois government has adjusted itself to a new form, that of coalition between bourgeois parties despite their differences. We have witnessed attempts and plans to reshape the bourgeois political system. A part of this process is the restoration of modern Social Democracy through the opportunist formation of SYRIZA, whose basic organizational structure derives from the KKE split and is accompanied by Social Democratic, Trotskyist and Anarchist forces. Today, in Greece, instead of the ND-PASOK binary we have the ND-SYRIZA binary, as a transitional stage toward the reshaping of the bourgeois political system.

Hoje [2013], as estimativas e previsões do KKE estão sendo confirmadas. O governo burguês se ajustou a uma nova forma, a forma de coligação entre partidos burgueses apesar das suas diferenças. Temos assistido a tentativas e planos para reformular o sistema político burguês. Uma parte deste processo é a restauração da moderna social-democracia através da formação oportunista do SYRIZA, cuja estrutura organizacional básica deriva da cisão do KKE e é acompanhada por forças social-democratas, trotskistas e anarquistas. Hoje, na Grécia, em vez do binário ND-PASOK temos o binário ND-SYRIZA, como uma fase de transição em direcção à reformulação do sistema político burguês.

Os antagonismos políticos entre a política liberal e a reformista-oportunista movem-se, apesar de eventuais diferenças, no sentido de um apoio aberto ao capital monopolista e partilham como característica a recuperação da taxa de lucro capitalista, acompanhados de grande desemprego, miséria relativa e absoluta. Enquanto trazem consigo as sementes de um novo ciclo de crise, mais profundo do que o actual. Após as eleições [de 2012], o oportunismo realizou uma flagrante guinada à direita no seu programa e slogans, uma vez que sabe que tem a chance de governar.

(…)

Fonte: In defence of greek workers

A política do Partido Comunista recusar a participação num governo burguês (parte 1)

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Aleka Papariga (na foto com Dimitris Koutsoumpas, o actual SG do CC do KKE, ao seu lado)
The CP position of refusing to participate in bourgeois government

Communist Review 2013, issue 2 (Revista Comunista, a revista teórica do KKE, publicação número 2 de 2013)

Translation to English: Lenin Reloaded (tradução para inglês de Lenin Reloaded)

Em primeiro lugar, permitam-me elaborar sobre a rica experiência que KKE tem acumulado da sua participação nos governos burgueses, uma experiência que é ainda mais rica quando vista do contexto mais amplo da Europa. Isso não diz respeito apenas a casos muito especiais, mas sim a factos e a resultados que oferecem conclusões generalizáveis e que confirmam uma coisa: que no período da transição do capitalismo ao socialismo um PC (Partido Comunista) não tem nenhuma razão para assumir a responsabilidade de um governo burguês ou, mais genericamente, em um governo de gestão burguesa. Porque enquanto a classe trabalhadora e os seus aliados não tomaram o poder em suas mãos, o PC deve ser um poder de oposição e usar essa posição para aprovar o seu papel de vanguarda no movimento, explorando, claro, todas as formas disponíveis de luta – incluindo o parlamento burguês.

A participação num governo burguês é um erro que não pode ser facilmente corrigido e que pode ser de impossível reparação.

A primeira experiência que obtivemos diz respeito à participação do KKE no governo formado após a libertação da Grécia dos invasores alemães, italianos e búlgaros. Um político burguês, Giorgios Papandreou (o pai e avô de dois Primeiros Ministros gregos subsequentes, líderes da social-democracia), foi empossado para formar um governo depois de ele ter sido escolhido pelo rei e pela Grã-Bretanha, ao lado da qual a burguesia da Grécia há muito se havia colocado. Ele foi seleccionado porque ele tinha a sua confiança total, porque eles descobriram que, usando maquinações políticas e conspirações, ele seria capaz de lidar com a correlação de forças do pós-guerra, que era de vantagem para o KKE e para os patriotas militantes da Resistência Grega, e que ele iria levar a uma estabilização burguesa.

Estes desenvolvimentos começaram a desenrolar-se em Abril de 1944, antes da Grécia ser libertada. Giorgios Papandreou tinha conscientemente se distanciado da luta do povo grego contra a ocupação estrangeira; ele recusou firmemente as propostas do KKE e do EAM para a unidade e para a sua participação na Resistência. Desde 1943, ele estava a enviar relatórios para o governo britânico, com os quais ele estava a proclamar a sua lealdade para com ele, e, claro, a sua vontade de colaborar contra a resistência nacional armada que o KKE liderava, com o objectivo de impedir uma vitória popular, como ele conseguiu fazer.

A aprovação dada para formar este governo também foi baseada no compromisso inaceitável que o KKE – o partido heróico, que sacrificou o seu sangue e foi líder da resistência – juntamente com a liderança da Resistência Nacional se submetessem no momento em que (antes do final da guerra em meados de Abril de 1944) eles fizeram um acordo para formar um governo de união com as forças políticas burguesas – coordenadas pelo Quartel-General Estratégico Britânico do Médio Oriente. Os enviados que foram ao Cairo, Egipto, para assinar o acordo aceitaram a participação do EAM e do KKE no governo de pós-guerra. O acordo violava a correlação de forças e os princípios da luta de libertação nacional, que desde o início tinham colocado a questão do resultado da luta em direcção à democracia popular.

O Bureau Político do Comité Central do KKE caracterizou os compromissos dos seus emissários, que não respeitaram as directivas relevantes como inaceitáveis, mas o governo provisório, que tinha sido formado na Grécia, e que também constituiu uma expressão de aliança do KKE, viu o acordo como necessário. O que se seguiu foram fúteis esforços para melhorar o acordo e finalmente o CC do KKE, que reuniu em 2 e 3 de Agosto de 1944, aprovou-o.
O consenso do CC do KKE levou à participação no governo de Giorgios Papandreou na base do seguinte argumento: a falta de participação fortaleceria as partes mais extremas que procuravam destruir a unidade e impor um regime anti-popular, provocando uma guerra civil aberta. O KKE colocou em primeiro plano como o seu objectivo principal a obstrução das forças que tinham uma tendência fascista e anti-popular. A assinatura do acordo deu aos imperialistas britânicos a capacidade objectiva de fazer avançar os seus planos com sucesso, de esmagar o movimento de resistência nacional e dar apoio armado à orgia de assassinatos contra o KKE.
Um compromisso levou a outro, a novos acordos que deram aos partidos burgueses a oportunidade de voltar para o aparelho burguês e restaurar os mecanismos quebrados do poder burguês, tais como o exército “nacional” – um processo que levou vários anos e que deu oportunidade à burguesia, que naquela época não possuía legitimidade popular, de formar um sistema político e partidário que foi capaz de subverter a correlação de forças, transformando-a contra o povo.

Naturalmente, a política equivocada do partido, a sua participação no governo burguês do pós-guerra, não foi um erro momentâneo. A nossa avaliação como KKE hoje relaciona-se com a estratégia do partido, que naquele momento não envolvia qualquer capacidade de prever nem qualquer da estabilidade necessária para ligar a guerra contra o invasor com a luta pelo poder político. A liderança do KKE e a liderança do movimento de Resistência Nacional não previram, não viram o perigo que as forças burguesas no país constituíam para o povo, mesmo que elas se tenham momentaneamente desorganizado; nem eles levaram em consideração as actividades britânicas contra movimento social do nosso país. Então, eles não avaliaram adequadamente a questão estratégica e não estavam preparados para isso.

Durante os anos 1940, o KKE levou a cabo auto-crítica pública pelos seus compromissos inaceitáveis; resistiu ao terror anti-comunista, que foi não apenas ideológico, mas envolveu perseguições, execuções, assassinatos e perdas de forças comunistas. A perseguição assassina do KKE levou à formação do Exército Democrático da Grécia, levou aos três anos da guerra civil que constituiu e constitui ainda, o apogeu da luta de classes grega, e que nos deixou com um importante legado, independentemente da derrota que veio a suceder como resultado da correlação de forças negativa e da intervenção imperialista norte-americana.

(…)

Hoje temos muito mais indicações de que um governo, no quadro do sistema capitalista, formado com base no direito de voto em geral, não pode ser a rampa de lançamento para uma situação revolucionária, uma vez que esta última tem um carácter objectivo; mas também não pode forçar os capitalistas a aceitar perdas na sua tomada de lucro para o bem dos trabalhadores, em um momento em que de facto o sistema capitalista está numa fase em que ele está tendo dificuldade em atingir a reprodução ampliada capitalista na forma como ele tinha feito no passado . A esperança de que um governo de base parlamentar pode empurrar em direcção à abertura do processo revolucionário foi provada infundada e utópica, sobretudo num tempo em que temos os exemplos do Chile e de Portugal, mas também os exemplos contemporâneos da Bolívia, Venezuela, Brasil e Equador, países anunciados pelos oportunistas como o Socialismo do Século 21.

É inquestionável que a Venezuela abriu uma janela para a melhoria da vida das pessoas -particularmente no sector que sofre mais miséria – através da decisão de Chávez de avançar para uma nacionalização de importantes sectores da indústria do petróleo, tendo em conta que o petróleo constitui uma enorme vantagem do país. A nacionalização parcial tem financiado alguns programas para cuidados de saúde e de alimentos para os extremamente pobres, com a ajuda de Cuba. A questão, claro, não é satisfazer apenas as exigências imediatas da pobreza extrema, mas abrir o caminho para o povo viver com base no potencial do país e na satisfação das suas necessidades contemporâneas. Estas medidas positivas não reduziram a grande concentração de riqueza e de rendimentos para a burguesia e para os estratos médios-altos. A reforma agrária não conseguiu mudar a vida dos trabalhadores rurais e dos agricultores pobres contra os latifundiários.

É também um facto que na Bolívia, o governo de Evo Morales aumentou o salário mínimo, os salários diários e as pensões. No entanto, a maior parte da população nativa-americana vive abaixo da linha da pobreza. É, de facto, este estrato social que tem dado Morales a vitória. Os dados mostram que há uma abundância de investimentos estrangeiros de multinacionais na Bolívia, enquanto o governo apoia a exportação de capital. O aumento de proprietários de minas pequenas e de médio porte, com trabalho assalariado particularmente explorado tem crescido, e essas empresas estão se transformando em aliados das multinacionais.

Temos desenvolvimentos semelhantes no Equador, onde o factor crítico é que as multinacionais têm aumentado a sua participação (como proprietários) em sectores de importância estratégica, como fontes de mineração e energia. A estratégia do governo de Rafael Correa envolve o desenvolvimento e exploração da riqueza mineral pelo capital estrangeiro.

Os programas de combate à pobreza não eliminam a pobreza, mas sustentam-a, através da suavização dos seus aspectos muito extremos; a melhoria da situação das camadas médias é a dimensão do desenvolvimento capitalista que contém as sementes da crise inevitável, da concentração do capital e da intensificação das injustiças sociais. 

Opportunists in our country, those accusing us because we don’t want to support a government of bourgeois management, argue that this is the path to socialism, that this is socialism for the 21st century. This line doesn’t even presuppose an anti-imperialist and anti-monopoly policy, it has nothing to do even with the policy of stages, which of course has been superseded long ago, even before the period of 1917.

Os oportunistas no nosso país, aqueles que nos estão a acusar porque não queremos apoiar um governo de gestão burguesa, argumentam que esse é o caminho para o socialismo, que este é o socialismo para o século 21. Esta linha não pressupõe sequer uma política anti-imperialista e anti-monopólio, não tem nada a ver mesmo com a política de etapas – a qual naturalmente foi ultrapassada há muito tempo, mesmo antes do período de 1917.

The policy of robbery, of annexation, of the turning of nations into protectorates, the policy of dismantling countries, is not a result of political immorality, nor is it an issue of dependency and cowardice on the part of the  bourgeoisie of a country with stronger and unequal dependencies. It is an issue of economic and political position that derives from capitalist uneven development, from the place of the country in the international capitalist market. The bourgeoisie that feels that its partners don’t treat it equally knows that it can’t do otherwise, because, beside everything else, its alliance with a stronger partner guarantees strong political protection in the country’s interior; protection from the threat of the intensification of class struggle.

A política de roubo, de anexação, de transformação de nações em protectorados, a política de desmantelamento de países, não é um resultado da imoralidade política, nem é um problema de dependência e covardia por parte da burguesia de um país com dependências desiguais com os mais fortes. É uma questão de posição económica e política que deriva do desenvolvimento desigual do capitalismo, a partir do lugar do país no mercado capitalista internacional. A burguesia que sente que os seus parceiros não a tratam igualmente sabe que não pode fazer o contrário, porque, além de tudo, a sua aliança com um parceiro mais forte garante forte protecção política no interior do país; protecção contra a ameaça da intensificação da luta de classes.

The bourgeoisie cannot defend its sovereign rights in the people’s own interests, but only and exclusively for its own interests. And if it needs to ignore particular interests of its own as the price it must pay to maintain its power, to hold on to it as much as it can, it will do so.

A burguesia não pode defender os seus direitos soberanos nos próprios interesses do povo, mas apenas e exclusivamente para os seus próprios interesses. E se ela precisa de ignorar os seus próprios interesses particulares como o preço que devem pagar para manter seu poder, para segurá-lo tanto quanto ela pode, ela vai fazê-lo.

The answer to capitalism is not the groundless return to pre-monopoly capital, to scattered capitalist businesses, but the necessity and contemporaneity of socialism, the attainment of revolutionary readiness, through daily struggle and through  experience, within conditions of a revolutionary situation.

A resposta ao capitalismo não é o retorno, sem fundamento, ao capital pré-monopolista e às empresas capitalistas dispersas, mas sim a necessidade e a contemporaneidade do socialismo. A resposta é o alcançar da prontidão revolucionária, através da luta diária e através da experiência, dentro das condições de uma situação revolucionária.

The KKE prioritizes the development of unity in the action of the working class and the formation of an alliance between it and poor, self-employed petty owners and the poor farmers. The objective interest of the working class is the abolition of all forms of ownership, of big and concentrated ownership and of middle and small ownership, since ownership means exploited wage labor, alienation of the worker from the wealth s/he produces.

O KKE prioriza o desenvolvimento da unidade na acção da classe operária e da formação de uma aliança entre ela e pobres, os auto-empregados pequenos proprietários e os agricultores pobres. O interesse objectivo da classe trabalhadora é a abolição de todas as formas de propriedade, da propriedade grande e concentrada e da propriedade média e pequena, uma vez que a propriedade significa trabalho assalariado explorado e a alienação do trabalhador da riqueza que ele produz.

Because of their middle position, the self-employed  have an interest in anti-monopoly struggle, but do not find it easy to commit themselves to the abolition of the exploitation of Man by Man, to the abolition of every form of individual ownership. They hope that from petty and poor business men they can become middle-rank, satellites of the monopolies, though their labor and social rights can only be guaranteed in socialist conditions.

Devido à sua posição intermédia, os auto-empregados (ou trabalhadores independentes) têm interesse na luta anti-monopólio, mas não encontram facilidade em se comprometerem com a abolição da exploração do homem pelo homem e com a supressão de todas as formas de propriedade individual. Eles esperam que a partir de homens de negócios pequenos e pobres podem tornar-se de médio ranking, satélites dos monopólios, embora os seus direitos laborais e sociais só possam ser garantidos em condições socialistas.

The compromise the KKE offers them is the meeting between anti-capitalist forces and anti-monopoly ones, their common action, which of course does not abolish their differences, an action in the direction of popular power and the abolition of the power of monopolies. This alliance is a social one as regards the question of which forces have to coalesce in the struggle, and a political one, in the sense that it has to have popular power as a direction of struggle — a direction that is not identical to the KKE program, and cannot be identical to it.

O compromisso que o KKE lhes oferece é o encontro entre as forças anti-capitalistas e as anti-monopólio, a sua acção comum, que obviamente não elimina as suas diferenças, uma acção no sentido do poder popular e da abolição do poder dos monopólios. Esta aliança é social no que respeita à questão de quais as forças é que têm de coalescer na luta, e política, no sentido que ela tem de ter o poder popular como uma direcção em que vai a luta – uma direcção que não é idêntica à do programa KKE nem pode ser idêntica.

It is only affected by certain of its basic elements, such as the socialization of monopolies, the formation of agricultural production cooperatives, the disengagement from NATO and the EU. But these elementary aspects objectively constitute a set of compulsory choices if the country is to hope to exit the crisis in the interests of the popular majority, to allow the people to live on the basis of contemporary needs, to stop having the country used as bridge and as an ally of various imperialist centers, to stop its involvement in imperialist war and to put an end to dependencies and commitments that turn against the working people.

Ela só é afectada por alguns dos seus elementos básicos, tais como a socialização dos monopólios, a formação de cooperativas de produção agrícola e a retirada da NATO e da UE . Mas esses aspectos elementares objectivamente constituem um conjunto de escolhas obrigatórias se o país quer ter esperança de sair da crise seguindo os interesses da maioria popular, para permitir que as pessoas vivam com base nas suas necessidades contemporâneas, parar de ter o país utilizado como ponte e como um aliado de vários centros imperialistas, para parar o seu envolvimento em guerras imperialistas e para pôr fim a dependências e compromissos que se voltam contra as pessoas que trabalham.

As sementes desta aliança estão sendo moldadas na Grécia contemporânea; é claro, elas serão desenvolvidas em novas formas, particularmente nas bases, e, claro, teremos uma reorganização de posições que é impossível determinar hoje.
O poder popular é uma solução política e  governamental; daí que o KKE e o Movimento não estejam limitados por uma luta de oposição, uma luta para causar danos aos governos burgueses sem ter uma proposta alternativa para o poder.

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To the extent that the development of class struggle leads to the formation of petty bourgeois political forces that adopt a struggle in the direction of popular power, the KKE will develop both a dialogue and collaboration with them, but it will not sacrifice its autonomy by integrating itself into a unified political formation. The common action of the KKE with other political forces will express itself in the lines and the instruments of the Popular Alliance, whose ground is the workplace and the popular neighborhood, and whose forms of organization are the Union, the general meeting, the struggle committees.

Na medida em que o desenvolvimento da luta de classes conduz à formação de forças políticas pequeno-burguesas que adotam uma luta no sentido de poder popular, o KKE irá desenvolver tanto um diálogo e colaboração com eles, mas não vai sacrificar a sua autonomia através da integração -se em uma formação política unificada . a acção comum do KKE com outras forças políticas irá expressar-se nas linhas e os instrumentos da Aliança Popular, cujo chão é o local de trabalho e do bairro popular, e cujas formas de organização são a União, da assembleia geral, os comités de luta.

This is to say that the basis of alliance is in the people, in the lines of the social movement, and is addressed to everyone, independently of what they voted for politically, on the basis of their class and social stratum position. But at the level of power, there is no place for compromises, tacticisms and adventurist maneuvering. It’s one thing to choose the right slogans and forms of struggle to attract and unite the working popular masses, to attain the unity of the action of the working class, and quite another thing to foreground reform as a strategic choice, marginalizing and effacing revolution in the name of a negative correlation of social forces.

Lenin, in his talk in the 7th Congress of the Russian Social Democratic and Labor Party (Bolsheviks), in April 1917, asked for and obtained the abandonment of the slogan of a “democratic dictatorship of the proletariat and the farmers” as a superseded slogan; there was agreement that the coming revolution would be socialist. Lenin in fact showed that the basic aspect of the “two tactics of Social Democracy” was not the institution of the power of the “democratic dictatorship of the proletariat and farmers”, but the shaping of the social alliance of farmers and workers.
It’s obvious that in the contemporary era, the alliance policy of a CP cannot be identical to that which prevailed in a period when the revolutionary workers’ movement was formed (a period to which Marx and Engels refer even before the completion of bourgeois revolutions and the formation of the Political Party of the New Type). It cannot be the same with the politics of the Bolshevik party before World War I, when feudal power had not completely been abolished in Russia. Today, we don’t have a single example of an intermediate form of political power between capitalism and socialism. Power will either be in the hands of the bourgeoisie, in which case it cannot function in the interests of the people, or it will be socialist. It’s one thing to consider “moments” in the development of power under revolutionary conditions, or moments in the evolution of power when a socialist revolution has not yet won, and another to speak of an intermediate stage of political power.

As in any other country, the capitalist system in Greece will not collapse on its own, because of its contradictions. The great intensification of social contradictions will lead to conditions of a revolutionary situation, to conditions where capitalist policy cannot impose itself, to conditions of a great intensification of the class struggle while, through daily struggles, a strong workers’ movement, in a alliance with exploited popular strata, will mature and grow. In conditions of a revolutionary situation it will be time to determine, through the right choice of slogans and of forms of struggle, the will, the determination of the people to break and abolish the chains of class exploitation, of oppression, of involvement in imperialist war. This presupposes a workers’ movement that is not trapped by diversionary alternatives, which the bourgeois political system uses to organize the crushing of the movement, the attack against radicalism, against revolutionary mood and will, in order to pre-empt and cancel, for as long as it can, its overthrow.