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Crítica a certas visões oportunistas contemporâneas sobre o estado

por KKE [*]

A importância e actualidade do trabalho de Lenine sobre o estado

Cem anos atrás, poucos meses antes da Grande Revolução Socialista de Outubro e em condições políticas particularmente difíceis e complexas, V.I. Lenine escreveu um trabalho de importância fundamental, “O Estado e a Revolução”, o qual foi publicado pela primeira após a Revolução de Outubro, em 1918.

Neste trabalho, Lenine destacou a natureza de classe do estado e a sua essência. “O estado é um produto e uma manifestação da irreconciabilidade dos antagonismos de classe. O estado ascende onde, quando e na medida em que antagonismos de classe objectivamente não podem ser reconciliados. E, inversamente, a existência do estado prova que os antagonismos de classe são irreconciliáveis”. [1]

Lenine também estabelece neste trabalho a necessidade e actualidade da revolução socialista e do estado dos trabalhadores.

Foi baseado nas visões de Marx e Engels quanto à questão do estado, as quais foram formuladas em vários trabalhos, tais como “O 18 de Brumário de Luís Bonaparte”, “A guerra civil em França”, a “Crítica do Programa de Gotha”, carta de Engels a Bebel sobre o 18 de Março de 1875, a introdução de Engels às terceiras edições de “A guerra civil em França” de Marx em relação à ditadura do proletariado. As conclusões que Marx e Engels extraem do estudo e generalização da experiência e das lições da revoluções era que a classe trabalhadora só pode adquirir poder político e estabelecer a ditadura do proletariado através da revolução socialista, a qual destrói o aparelho de estado burguês e cria um novo aparelho de estado. Assim, podemos caracteristicamente referirmo-nos ao facto de que Marx no seu trabalho “Crítica do Programa de Gotha” enfatizou que: “Entre a sociedade capitalista e a comunista está o período da transformação revolucionária de uma para a outra. Correspondendo a isto está também um período de transição política no qual o estado não pode ser senão a ditadura revolucionária do proletariado”. [2]

Lenine destacou a importância fundamental desta questão para aqueles que compreendem a existência e o papel determinante da luta de classe no progresso social, notando que “deveria ser dada atenção particular à observação extremamente profunda de Marx de que a destruição da máquina de estado burocrática-militar é “a condição prévia para toda revolução popular real” [3] e enfatizou que “Só é marxista quem estende o reconhecimento da luta de classe ao reconhecimento da ditadura do proletariado”. [4]

Além disso, Lenine procurou descrever as características da formação social-política comunista, aspectos básicos do estado socialista, enquanto criticou severamente visões da direita oportunista e anarquista em relação ao estado.

Naturalmente, este trabalho específico de Lenine, e isto é verdadeiro para o resto de toda a titânica colecção das suas obras, não pode ser apartado dos seus outros trabalhos, tais como por exemplo “A Revolução Proletária e o renegado Kautsky” e deve sempre ser abordado num relacionamento dialéctico com os desenvolvimentos históricos. Seja como for, contudo, a abordagem leninista do estado é um enorme legado para movimento comunista internacional, o qual deve ser utilizado de um modo adequado a fim de repelir visões social-democratas e oportunistas acerca do estado, as quais têm penetrado e continuam a penetrar o movimento comunista internacional. Consequentemente, o objectivo desta intervenção não é apresentar as posições leninistas ou citações apropriadas de Lenine, mas fornecer uma resposta baseada no entendimento marxista-leninista do estado às visões oportunistas contemporâneas. Isto é ainda mais relevante hoje, quando muitas visões que Lenine combateu no seu tempo estão a reemergir em formas velhas e novas.

O entendimento “neutral” não classista do estado

As forças do oportunismo europeu constituíram a ferramenta básica para a nova diluição das características comunistas dos partidos comunistas e de trabalhadores. Trata-se de forças que são veículos para a ideologia burguesa no interior do movimento dos trabalhadores. Na Europa, elas estabeleceram o seu próprio centro ideológico-político e organizacional: o Partido de Esquerda Europeu (PEE), ao qual aderiram alguns PCs que no passado foram profundamente influenciados pelo eurocomunismo, tais como os PCs da França e da Espanha. O SYRIZA nele participa por parte da Grécia. Trata-se de um partido que contém forças influenciadas pela corrente eurocomunista que se separou do KKE em 1968, assim como forças que se separaram do KKE em 1991, sob a influência do “Novo pensamento” de Gorbachev. Este partido posteriormente fundiu-se com forças que vieram do PASOK social-democrata.

Tal partido argumenta que: “O estado, contudo, não é uma fortaleza mas sim uma rede, arena de relacionamento estratégico para a luta política. Ele não muda de um dia para o outro, mas ao contrário sua necessária transformação pressupõe batalhas constantes e contínuas, o envolvimento do povo, democratização contínua”. [5]

Como se verifica acima, eles não consideram que o estado burguês constitua por sua própria natureza um órgão para a dominação da classe burguesa, mas sim uma colecção de instituições que podem ser transformadas numa direcção a favor do povo. Com base nesta visão, argumenta-se que o carácter das instituições do estado burguês, o estado burguês como um todo, pode ser adequadamente modelado desde que existam “governos de esquerda”.

Isto é claramente uma visão enganosa, porque na prática destaca o estado da sua base económica, das relações económicas dominantes. Cria ilusões entre os trabalhadores de que o papel do estado burguês e suas instituições (ex. parlamento, governo, exército, polícia) depende das forças políticas (“esquerda” ou “direita”) que os dominam.

Analogamente, visões perigosas estão a ser hoje cultivadas num certo número de países latino-americanos, através do conceito de “progressismo”, por meio de vários governos “progressistas” e “de esquerda”, os quais após as suas vitórias eleitorais tentam semear ilusões entre o povo de que o sistema pode mudar através de eleições burguesas e referendos.

Contudo, na realidade não há “neutralidade” de classe por parte do estado burguês e suas instituições. O estado, como o marxismo-leninismo tem demonstrado, tem um claro conteúdo de classe, o qual não pode ser usado através de processos eleitorais e soluções governamentais burguesas em favor da classe trabalhadora e da mudança social.

Acerca da visão respeitante ao “Estado Profundo”

A emergência do SYRIZA como partido governante na Grécia levou a celebrações de muitas forças oportunistas por todo o mundo. Na verdade, sua cooperação no governo com o partido nacionalista ANEL foi interpretada por alguns como uma tentativa de controlar o estado profundo da Grécia através desta aliança política governamental. [6] Analogamente, alguns apresentaram as declarações feitas por A. Tsipras ainda antes das eleições, quando afirmou directamente que a Grécia “pertence ao ocidente” e que a retirada da Grécia da NATO não estava na agenda, como sendo um movimento inteligente. [7]

Qual é o objectivo desta visão que separa as funções do estado burguês umas das outras como “fatias de salame”? Naturalmente, no interior do aparelho de estado do estado burguês há estruturas com diferentes funções e tarefas. Contudo, isto confirma a visão que separa o estado em secções “duras” e “moles”. Assim, por exemplo, as municipalidades, os serviços locais são uma parte integral da administração burguesa, pois os governos locais também são encarregados de implementar a estrutura legal reaccionária e anti-povo que é aprovada por cada governo burguês e a sua maioria parlamentar. Os comunistas no nosso país são activos nos governos locais, procuram ganhar a maioria nas municipalidades e hoje alcançaram isto em cinco municipalidades do país, as quais incluem a 3ª maior cidade na Grécia, Patras. Contudo, eles não promovem ilusões entre os trabalhadores acerca do carácter desta secção do estado burguês. Procuram, como oposição ou como maioria na administração das municipalidades, utilizar sua posição para desenvolver a luta de classe e não para “limpar” o capitalismo, o que é aquilo que defendem o SYRIZA e outras forças oportunistas.

Estas forças oportunistas acham conveniente a separação do estado burguês em secções. Acima de tudo, porque isto pode ocultar que todo o aparelho de estado, apesar das diferentes funções das suas secções, está ao serviço da classe burguesa. Em segundo lugar, porque deste modo semeiam a ilusão entre os trabalhadores de que gradualmente, começando da “periferia” do estado burguês e marchando para o “centro”, para as suas “profundidades”, eles podem limpá-lo, transformando-o num estado que será a favor do povo.

Forças oportunistas promovem visões utópicas semelhantes igualmente acerca das uniões capitalistas inter-estatais, tais como a imperialista UE. Na verdade, elas apregoam que através de referendos ou da emergência da esquerda, governos social-democratas, alegadamente uma “estrutura democrática para o continente” pode ser criada com “respeito pelos direitos democráticos e soberanos dos povos” [8] . Na realidade, tais afirmações contornam o carácter de classe desta união inter-estatal, a qual decorre do carácter de classe dos estados burgueses que a constituem e que, desde o seu nascimento em 1952, como “Comunidade Europeia do Carvão e do Aço”, foi criada para servir os interesses do capital.

A expansão da democracia no estado burguês como um “passo” para o socialismo

Lenine entrou em conflito agudo com aqueles, como Bernstein, que argumentavam ser possível a reforma do capitalismo e a gradual transformação reformista da sociedade.

Posteriormente, as visões do eurocomunismo ganharam um bocado de terreno, visões a argumentarem que comunistas podem transformar o estado numa direcção a favor do povo através da via parlamentar e da expansão da democracia.

O KKE, o qual combateu e continua hoje a combater tais visões, considerou que avaliações semelhantes feitas pelo PCUS fizeram um grande dano ao movimento comunista internacional. Estas visões chegaram a dominar o movimento comunista internacional principalmente após o 20º Congresso do PCUS e falavam de uma “transição parlamentar” [9] . Consequentemente, consideramos serem problemáticas visões desenvolvidas nesta base e que argumentam em favor da violação de princípios básicos da revolução e da construção socialista, como por exemplo conversas acerca de “uma variedade de formas de transição para o socialismo” ou o assim chamado “caminho de desenvolvimento não capitalista”.

O KKE extraiu conclusões e rejeitou as “etapas para o socialismo”, as quais atormentaram e continuam hoje a atormentar o movimento comunista, pois devido a estas “etapas” eles por um lado negam o papel dos PC como força para o derrube do capitalismo em nome de tarefas “actuais” no quadro do sistema (ex. o objectivo de restaurar a democracia burguesa nas condições de ditadura) e por outro lado semeiam ilusões acerca da “transição parlamentar” para o socialismo.

O KKE estuda sua história, extrai conclusões valiosas das lutas heróicas dos comunistas nas décadas passadas. O CC do KKE notou entre outras coisas na sua declaração recente sobre o 50º aniversário da Junta na Grécia: “O KKE e o movimento dos trabalhadores e do povo procuram e lutam por funcionar nas melhores condições possíveis, as quais facilitarão sua luta e mais geralmente expandem suas intervenções contra o capital e o seu poder. Eles lutam por liberdades e direitos, a fim de remover obstáculos à sua actividade, a fim de restringir – tanto quanto possível – a repressão estatal”. [10] No entanto, nosso partido, ao estudar a sua história, avalia que: “A ditadura forneceu nova experiência que demonstra o carácter sem fundamento da avaliação que existia no Movimento Comunista Internacional e no KKE, de que o caminho da luta por uma democracia burguesa avançada é terreno fértil para a concentração de forças e que aproxima o processo revolucionário, que a luta pela democracia está dialecticamente conectada à luta pelo socialismo. Esta avaliação impediu o partido de pôr em relevo a ditadura militar como uma forma de ditadura do capital, impediu a orientação da luta popular como um todo contra o inimigo – a ditadura da classe burguesa e suas alianças imperialistas, como a NATO”. [11]

Hoje, visões erradas semelhantes estão a ser promovidas dentro das fileiras do movimento comunista. Trata-se de visões que ou falam de “etapas” na estrada para o socialismo ou de comunistas a “penetrarem” o poder, com o objectivo em ambos os casos de expandir a democracia, como uma primeira etapa para o socialismo.

Na prática, tais visões adiam a luta para o derrube da exploração capitalista para um futuro distante, armadilha e restringe o movimento dos trabalhadores dentro do quadro de apenas lutar por melhores condições para a venda da força de trabalho, negando a orientação da luta para radicalizar o movimento dos trabalhadores, reagrupá-lo, concentrar forças sociais, as quais têm um interesse em confrontar os monopólios e podem lutar pelo derrube do capitalismo e a construção da nova sociedade socialista-comunista.

A nacionalização de negócios capitalistas como um passo para mudar a natureza do estado

Existe confusão semelhante quanto a questões relativas à economia. Durante muitos anos o movimento comunista internacional, o qual esteve e em grande medida continua a estar preso na lógica de etapas para o socialismo, viu o reforço do sector estatal do estado burguês como um passo para o socialismo.

Na verdade, hoje alguns compreendem mal a posição leninista de que “o capitalismo monopolista de estado é uma preparação material completa para o socialismo, o patamar do socialismo, uma fase na escada da história entre a qual e a fase chamada socialismo não há fases intermediárias” [12] a fim de justificar o apoio activo e a participação de comunistas na gestão burguesa com um sector estatal ampliado da economia. Mas deste modo eles entendem erradamente capitalismo monopolista de estado como sendo a existência de um sector estatal forte na economia e não como imperialismo, a etapa superior de capitalismo, tal como descrita por Lenine.

A vida tem demonstrado que o capitalismo, de acordo com as suas necessidades, pode admitir que uma grande secção da economia do país seja administrada pelo estado. Assim, por exemplo, nas décadas de 1970 e 1980 a maior parte da economia grega estava nas mãos do estado, contudo isto não mudou de todo o carácter do estado burguês. Nem, naturalmente, significou que uma política de nacionalizar gradualmente negócios privados, que habitualmente significa simplesmente capitalistas a passarem suas dívidas para o estado, pudesse levar a uma mudança do seu carácter. Desde que o poder esteja nas mãos da classe burguesa, o estado (com um sector estatal mais forte ou mais fraco) será burguês e a classe dominante actuará como o “capitalista colectivo” da propriedade estatal.

O nome do estado como reflexo de como é encarada sua natureza

Lenine descreveu aspectos básicos do estado dos trabalhadores. Não podemos fechar os olhos à análise de Lenine e simplesmente orientar-nos para os adjectivos que acompanham o nome do estado. Hoje, por exemplo, emergiram a “República Popular de Lugansk” e a “República Popular de Donetsk”. Qual é o carácter destas auto-proclamadas “Repúblicas Populares”? E como um aparte a esta discussão, podíamos ter em mente a existência, por exemplo, da chamada “República Democrática do Congo”, onde crianças pequenas trabalham nas minas em condições terríveis de modo a que monopólios estrangeiros possam adquirir minérios valiosos como o cobalto e o cobre.

Consideramos que não podemos julgar um estado e a nossa posição em relação a ele exclusivamente com base em como ele se auto-define e nas suas proclamações. Um critério básico deve ser qual classe possui os meios de produção e mantém o poder no estado específico, que espécies de relações de produção são predominantes no país específico. E isto é assim porque o estado, para marxistas-leninistas, é uma “máquina repressiva”, o qual objectivamente na nossa era, no século XXI, na era da passagem do capitalismo para o socialismo, anunciada pela Revolução de Outubro, ou estará nas mãos da classe burguesa ou da classe trabalhadora. Não há caminho intermédio!

Não devemos esquecer que como sempre, e os dias de hoje não são excepção, as classes burguesas procuram ocultar seus objectivos, ocultar o carácter de classe do seu estado. Assim, por exemplo, um método clássico que a classe burguesa utiliza para camuflar o estado é a projecção do seu carácter “nacional”, apresentando seu estado como um “arma” para defender todo o país. O burguês hoje não hesita em utilizar também outras “armas” de propaganda a fim de subordinar o movimento dos trabalhadores “sob as suas bandeiras”. Os comunistas, o movimento dos trabalhadores como um todo, devem demonstrar alto nível de vigilância quando políticos burgueses, que contribuíram para a restauração capitalista na antiga URSS, hoje utilizam o “cartão” anti-fascista.

Hoje, quando a classe burguesa também está a reforçar forças fascistas, algumas da quais procuram mesmo desempenhar um papel no governo, tais como por exemplo na Ucrânia, os apelos a novas “frentes anti-fascistas” e por alianças mesmo com forças políticas burguesas, e mesmo estados burgueses que aparecem sob um manto anti-fascista, estão a intensificar-se. Contudo, como o KKE avaliou na Declaração do CC do KKE sobre os 70 anos desde o fim da 2ª Guerra Imperialista Mundial e da grande vitória anti-fascista dos povos: “O estado reaccionário burguês não está nem desejoso nem é capaz de enfrentar a raiz e os ramos do nazismo; nem tão pouco o podem as chamadas “frentes anti-fascistas”, alianças de movimentos populares e dos trabalhadores em cooperação com forças políticas burguesas. Só a aliança do povo, o desenvolvimento da luta de classe com o objectivo de derrubar o poder dos monopólios, o sistema capitalista, pode enfrentar o nazismo”. [13]

Além disso, o KKE considera que hoje o objectivo de poder dos trabalhadores não deve ser posto de lado por algum outro objectivo governamental no terreno do capitalismo, em nome da deterioração da situação da classe trabalhadora e dos extractos populares, devido à profunda e prolongada crise económica, à guerra imperialista, ao terror aberto contra o PC e o movimento dos trabalhadores por organizações nazi-fascistas, provocações, a intensificação da violência do estado. [14]

A construção socialista e o estado sob o socialismo

Durante décadas sociais-democratas e oportunistas têm estado a executar, dentre outras coisas, um esforços sistemático para negar toda abordagem científica do socialismo e seu estado. Lemos, por exemplo, no material do centro oportunista da Europa, o PEE, que ele defende as “perspectiva de um socialismo democrático”. E esta “perspectiva socialista” é definida pelo PEE como “uma sociedade de justiça fundada na combinação (pooling) da riqueza e dos meios de produção, e na soberania da escolha democrática, em harmonia com os recursos limitados do planeta”. Confusões semelhantes e abordagens anti-marxistas da sociedade socialista têm-se multiplicado em anos recentes com os vários “socialismos” da América Latina. Desde o “Socialismo para o Século XXI” de Chavez aos “socialismo do buen vivir ” no Equador, onde o dólar estado-unidense é utilizado como a divisa nacional.

Para nós, eles têm como objectivo ignorar o facto de que na base de toda formação sócio-económica está um modo específico de produção, a qual é a unidade dialéctica das forças de produção e das relações de produção. As relações de produção como um todo em toda fase do processo de reprodução-produção, distribuição, intercâmbio, consumo constituem a base económica da sociedade. Abordando a questão cientificamente, Lenine sublinhou que: “Na produção social da sua vida, os homens entram em relações definidas que são indispensáveis e independentes da sua vontade, relações de produção as quais correspondem a uma etapa definida do desenvolvimento das suas forças produtivas materiais. A soma total destas relações de produção constitui a estrutura da sociedade, a fundação real, sobre a qual ascende uma superestrutura legal e política e à qual correspondem forma definidas de consciência social”. [15]

J.V. Staline notou: “Há dois tipos de produção: a capitalista, incluindo o estado-capitalista, em que há duas classes, em que a produção é executada para o lucro do capitalista; e há o outro tipo, o tipo socialista de produção, em que não há exploração, em que os meios de produção pertencem à classe trabalhadora e em que as empresas são dirigidas não para o lucro de uma classe alheia, mas para a expansão da indústria no interesse dos trabalhadores como um todo”. [16]

Eis porque o KKE rejeita várias interpretações de socialismo que nada têm a ver com a visão marxista-leninista. E como tem sido sublinhado em relação às visões do PEE, ou aos vários “socialismos” da América Latina, o que temos em essência é a promoção de posições oportunistas acerca da “humanização” do capitalismo, “a utopia acerca da democratização do estado burguês, enquanto a economia capitalista “mista” está a ser apresentada como um novo modelo de socialismo. “A lógica de especificidades nacionais constitui um instrumento do “eurocomunismo” a fim de negar as leis científicas da revolução e da construção socialista e hoje o problema manifesta-se com os mesmos argumentos ou semelhantes. (…) a fim de [tentar] confirmar a substituição do caminho revolucionário pelo parlamentarismo, o abandono do socialismo por mudanças governamentais que administrarão a sociedade burguesa, como por exemplo fazem o Fórum São Paulo e outras forças. A construção do socialismo é um processo unificado, o qual começa com a conquista do poder pela classe trabalhadora a fim de formar o novo modo de produção, o qual prevalecerá com a completa abolição de relações capitalistas, relações capital – trabalho assalariado. A socialização dos meios de produção e a planificação central são leis da construção socialista, condições necessárias para a satisfação da necessidades do povo”. [17]

O KKE, estudando a experiência da construção socialista avaliou as reformas económicas de 1965 na URSS como erradas. Trata-se de reformas que deram prioridade a “reformas de mercado” e trouxeram de volta para a economia socialista o papel do lucro. Em consequência emergiram nas empresas interesses especiais (vested interests). As reformas erradas na economia foram combinadas com direcções erradas semelhantes na superestrutura política (ex.: o estado de todo o povo) e na estratégia do movimento comunista internacional (ex.: política de “coexistência pacífica”). Naturalmente, nosso partido discorda das avaliações de PCs que foram arrastados para a corrente danosa do “maoismo” e consideraram que de um momento para outro, imediatamente após o 20º Congresso, o estado dos trabalhadores deixou de existir ou na verdade que estava alegadamente transformado em “social-imperialismo” e assim participaram na propaganda anti-soviética. Em contraste, nosso partido, o qual defende a contribuição da URSS como o fez o movimento internacional comunista e dos trabalhadores, considera que o socialismo foi construído na URSS. Contudo, também considera que o 20º Congresso do PCUS foi um ponto de viragem, devido a um certo número de posições oportunistas que foram adoptadas sobre questões relativas à economia, à estratégia do movimento comunista e a relações internacionais.

Hoje, avaliamos que 30 anos após a contra-revolução na URSS, Europa Central e do Leste, a capitalização da China avançou. Ali existem relações de produção capitalistas. Ao mesmo tempo observamos o contínuo reforço de relações capitalista em países que procuraram a construção socialista, tais como Vietname e Cuba. [18]

Alguns camaradas de outros PCs argumentam que os desenvolvimentos nestes países são resquícios da NEP na era de Lenine. Em outros textos [19] , destacámos as diferenças entre a NEP e as mudanças que se verificam nestes países e com cujos resultados nosso partido está preocupado, baseado no seu longo estudo da experiência da URSS. E isto é assim porque a socialização dos meios produção concentrados, a planificação central na distribuição da força de trabalho e dos meios de produção, a erradicação da exploração do homem pelo homem para a maioria dos trabalhadores são condições básicas e necessárias, não só para o começo da construção socialista como também para a sua continuação.

Além disso, com observou Lenine, “a ditadura do proletariado não é apenas a utilização da força contra os exploradores e nem mesmo principalmente a utilização da força. O fundamento económico desta utilização de força revolucionária, a garantia da sua eficácia e êxito está no facto de que o proletariado representa e cria uma organização social do trabalho de tipo superior em comparação com o capitalismo. Isto é que é importante, isto é a fonte do fortalecimento e a garantia de que o triunfo final do comunismo é inevitável”. [20] Está claro que esta “organização social de tipo superior” nada pode ter a haver com o nepotismo. Como foi observado no Relatório do CC do KKE ao 20º Congresso do partido, “a Coreia do Norte tem prosseguido o reforço das chamadas “zonas económicas livres”, o “mercado”. O Partido dos Trabalhadores da Coreia abandonou por alguns anos o marxismo-leninismo e promove a idealista teoria “Juche”, fala de “kimilsunguismo-kimjongunismo”, violando todo conceito de democracia socialista, do controle dos trabalhadores e do povo, num regime de nepotismo”. [21]

Ao invés de um epílogo: Devemos acabar com as “evasivas” da 2ª Internacional

O KKE efectuou um estudo profundo das causas que levaram ao derrube do socialismo na URSS, seguindo o caminho de muitos anos de estudo e discussão no interior do partido e dedicando o 18º Congresso (em 2009) a apresentação de respostas abrangentes sobre esta questão, extraindo conclusões valiosas para o futuro. Com base neste esforço, baseado no marxismo-leninismo, nosso partido enriqueceu o seu entendimento programático do socialismo, algo que está reflectido no novo Programa adoptado no 19º Congresso (2013).

O Programa do KKE nota entre outras coisas: “O poder socialista é o poder revolucionário da classe trabalhadora, a ditadura do proletariado. O poder da classe trabalhadora substituirá todas as instituições burguesas, as quais serão esmagadas pela actividade revolucionária, com novas instituições que serão criadas pelo povo”. [22]

Além disso, o Programa do KKE descreve em pormenor:

A base material da necessidade do socialismo na Grécia
Os deveres do KKE para a revolução socialista
Seus deveres mais especificamente sobre a situação revolucionária
O papel principal do Partido na revolução
Socialismo como a fase primeira e mais baixa do comunismo
A questão da satisfação das necessidades sociais
Princípios fundamentais da formação do poder socialista
O 20º Congresso do KKE, efectuado este ano, de 30 de Março a 2 de Abril de 2017, colocou a tarefa abrangente do endurecimento (steeling) ideológico-político-organizacinal do partido e da sua juventude como um partido para o derrube revolucionário.

Cem anos atrás, no fim da sua obra “O estado e a revolução”, Lenine notou que a 2ª Internacional havia caído em espiral dentro do oportunismo, que a experiência da Comuna fora esquecida e distorcida e acrescentou que: “Longe de inculcar nas mentes dos trabalhadores a ideia de que se aproxima o tempo em que devem actuar para esmagar a velha máquina estado, substituí-la por uma nova e deste modo fazer do seu domínio político o fundamento para a reorganização da sociedade, eles realmente pregaram às massas exactamente o oposto e retrataram a “conquista do poder” de um modo que deixava milhares de evasivas para o oportunismo”. [23]

Hoje, 100 anos após a Grande Revolução de Outubro e um ano antes do 100 aniversário da fundação do nosso partido, o KKE procura com suas posições e actividade barrar as “portas e janelas” ao oportunismo. Isto é uma condição prévia para a realização dos ideais de uma sociedade sem a exploração do homem pelo homem.

[1] “State and Revolution”, V.I. Lenin, Collected Works, V. 25
[2] “Critique of the Gotha Programme”, K. Marx
[3] “State and Revolution”, V.I. Lenin, Collected Works, V.25
[4] “State and Revolution”, V.I. Lenin, Collected Works, V.25
[5] From SYRIZA’s governmental programme.
[6] The Real News Network, Interview (28/1/2015) with Leo Panitch, Professor of Political Science at York University, Toronto, Canada. therealnews.com/…
[7] Article of Paul Mason (1/9/2015), former BBC journalist and former economics editor for Channel 4 http://www.irishtimes.com/…
[8] 5th Congress of the PEL. Political Document: “Refound Europe, create new progressive convergence”
[9] 18th Congress of the KKE, Resolution on Socialism. February 2009
[10] “Statement of the CC of the KKE on the Military Coup of the 21st of April 1967. Rizospastis, 5 March 2017.
[11] Ibid
[12] “The impending catastrophe and how to combat it”, V.I. Lenin, Collected Works, V.25
[13] Declaration of the CC of the KKE on the 70 years since the end of the 2nd World Imperialist War and the great anti-fascist victory of the peoples. April 2015
[14] ibid
[15] “Karl Marx”, V. I. Lenin, Collected Works, V.21
[16] J.V. Stalin, Works, V. 7
[17] Speech of the KKE at the 16th International Meeting of the Communist and Workers’ Parties in Ecuador.
[18] Theses of the CC of the KKE for the 20th Congress.
[19] “The international Role of China”, Komep 6/2010
[20] “A great beginning”, V.I. Lenin, Collected Works, V. 29
[21] Report of the CC of the KKE to the 20th Congress of the party, March 2017.
[22] Programme of the KKE, 2013
[23] “State and Revolution”, V.I. Lenin, Collected Works, V. 25

[*] Posição da secção de relações internacionais do CC do KKE na 11ª Conferência anual “V.I. Lenine, a Revolução de Outubro e o mundo contemporâneo”.

A versão em inglês encontra-se em inter.kke.gr/

Este documento encontra-se em http://resistir.info/ .
23/Abr/17

«Política do pau e da cenoura» – a complementaridade entre as migalhas da social-democracia e a repressão do fascismo

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A expressão «política do pau e da cenoura» contém os elementos da expressão inglesa carrot and stick.

Com estas palavras pretendemos dizer que qualquer cavalo (ou burro) pode correr se o cavaleiro pendurar uma cenoura à frente do focinho. Se este processo não for suficiente, então ele usará o pau (ou o chicote).

Em sentido figurado, queremos dizer que há métodos políticos que recorrem também ao “pau” (métodos mais violentos) e à “cenoura” (compensações aliciantes) na persecução dos seus objectivos.

Fonte: Ciberdúvidas

O Syriza e a Aurora Dourada – quando a social-democracia se encontra com os nazis

SYRIZA and Golden Dawn- When Social Democracy met with the Nazis

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From the left to right: Ilias Kasidiaris (Golden Dawn), Nina Kasimati (SYRIZA), Dimitris Vitsas (Alternate Defense Minister, SYRIZA), Panos Kammenos (Defense Minister, ANEL), Eleni Avlonitou (SYRIZA).

The islands of Kastelorizo, Ro and Stroggyli in south-eastern Aegean was the destination of a short visit by Greece’s Minister of Defense Panos Kammenos, the Chief of the General Staff Admiral V.Apostolakis and 9 members of the Parliament’s Committee on Foreign Affairs and Defense. Among the members who accompanied Kamenos were 5 MPs from SYRIZA, 1 MP from the right-wing ANEL (Independent Greeks) party, 1 MP from the Center Union party and 2 members from the Nazi-fascist Golden Dawn!

The MPs of the Nazi-criminal Golden Dawn who appear in the photos, along with Minister Kamenos and SYRIZA MPs, are Ilias Kasidiaris and Christos Pappas. Neo-Nazis, admirers of Hitler and the Third Reich, both Kasidiaris and Pappas belong to the leading circles of Golden Dawn.

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These are the two Nazis- Golden Dawn members- who appear in the photos with governmental officials and SYRIZA MPs:
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Kasidiaris (on the left) with his swastika tattoo and Pappas giving a Nazi salute.

Not enough? Lets see another one:
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Golden Dawn’s Christos Pappas showing his “ideology”. On the right photo, he teaches a child how to salute like a proper Nazi.

* * *
No MP from the KKE participated in this farce. The Press Office of the CC of the Communist Party of Greece issued a comment in which denounces the presence of Golden Dawn-Nazi thugs in Defense Minister’s mission in Kastelorizo. “The setting of the mission, with the governmental SYRIZA-ANEL MPs, alongside the fascists of Golden Dawn, shows that such actions pave dangerous roads” states the KKE comment among other things.

It should be also noted that members of the Golden Dawn Nazi-fascist organisation have been prosecuted for establishing a criminal gang. The trial of Golden Dawn, which faces numerous charges for murders, violent attacks and other illegal activities, is still under way.

Read more about the Nazi Golden Dawn:

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– Golden Dawn Trial: The murderous attack against the members of KKE and PAME was planned and organized.

– Golden Dawn’s neo-Nazis: Puppets of EU’s Monopoly Capitalism.

– €600,000 for Hitler’s political descendants: How the EU funds Neo-Nazi Parties.

– VIDEO: Golden Dawn’s Neo-Nazi thugs attack TV crew in Piraeus.

Fonte: In Defence of Communism

Lidar com o oportunismo (do livro: Assuntos teóricos a respeito do programa do KKE)

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Excerto do livro: THEORETICAL ISSUES REGARDING THE PROGRAMME OF THE COMMUNIST PARTY OF GREECE (KKE)

«(…)A experiência do KKE a confrontar o oportunismo
Lenine definiu o dever de confrontar o oportunismo como uma precondição essencial de forma que o Partido possa concretizar os seus objectivos revolucionários: “A não ser que a secção revolucionária do proletariado esteja exaustivamente preparada para a expulsão e supressão do oportunismo é inútil sequer pensar em ditadura do proletariado. Essa é a lição da revolução Russa” que devia ser levada a peito pelos líderes do Sociais-Democratas Alemães “independentes”, pelos socialistas Franceses e por aí fora, que agora querem evitar o assunto pela via do reconhecimento verbal da ditadura do proletariado” [32]

Inicialmente, o oportunismo não aparece como uma corrente política ideológica organizada. A experiência histórica provou que o oportunismo inicialmente aparece debaixo da superfície de várias maneiras e que utiliza problemas objectivos que aparecem no desenvolvimento da luta do movimento operário.

O suavizar de princípios operacionais do partido constitui a base para o gradual deslizar para teses oportunistas.

Ele (o oportunismo) aparece quando os desenvolvimentos e as necessidades requerem o ajustamento das tácticas do movimento para novas condições.

A tendência a subestimar as dificuldades, sobrestimar os sucessos, subestimar a complexidade e a natureza de longo-prazo da luta e vice versa, a tendência para a desilusão e compromisso com as dificuldades, a absolutização dos fracassos e a retirada da luta de classe são expressões do oportunismo.

O oportunismo desenvolve-se e amadurece de tal maneira. A princípio um erro táctico ou até um erro mais sério relativo aos princípios do Partido pode ocorrer que pode ser transformado com o tempo num desvio e finalmente ele pode tornar-se numa corrente política e numa direcção geral. Este assunto não significa que todos os erros cometidos pelo PC são devidos a uma atitude oportunista ou devido a um desejo de compromisso. Contudo o Partido é julgado pela sua capacidade de corrigir os seus erros. Caso contrário, os erros serão consolidados e isso objectivamente leva ao desvio.

No seu processo de formação e amadurecimento dentro do PC ou dentro do movimento, o oportunismo utiliza declarações revolucionárias e esconde as suas divergências a respeito dos princípios do PC com várias discordâncias tácticas em nome da revolução. Ele pode ser expresso como: a Submissão a uma correlação de forças negativa em nome da acção táctica, a abstracção ou a equivalência da estratégia com as tácticas e o desprendimento de objectivos individuais da estratégia.

Existem vários momentos em que a responsabilidade pelo desenvolvimento e pela imposição do oportunismo é das tendências que se comprometem e procuram a reconciliação com ele.

A luta incansável e sem vacilações contra o oportunismo é uma obrigação para um PC promover a sua estratégia e para consolidar o seu papel como vanguarda política e ideológica da classe operária.

Para lidar com o oportunismo o partido tem de ter a capacidade de:

-Subordinar a sua actividade inteira à sua definida estratégia revolucionária.

-Estar preparado para interpretar teoricamente os desenvolvimentos, os novos elementos do ponto de vista da defesa ideológica dos princípios teóricos e a capacidade de explicar os novos fenómenos na perspectiva de classe.

-Conduzir elaborações teóricas a respeito das conclusões sobre a acção política e a operação do partido.

-Assegurar o constante alargamento do nível político-ideológico geral do Partido e da relação das forças do partido com a teoria Marxista-Leninista.

-Salvaguardar a relação do partido com a classe operária e a correspondente composição de classe operária do partido.

-Assegurar a independência ideológica, política e organizacional do Partido a respeito de qualquer política de alianças e para perceber que a luta é conduzida dentro da estrutura da aliança.

-Ter a relação certa entre a vanguarda e as massas operárias e populares: Nem submissão ao nível de consciência das massas nem ficar separado delas.

-Assegurar que os princípios operacionais do partido são o centralismo democrático, a crítica e auto-crítica e o colectivo.

O KKE conseguiu persistir e dar passos para o seu reagrupamento político-ideológico e organizacional devido ao facto que uma grande parte dos seus quadros e membros não se vergaram aos apelos à contra-revolução em finais dos anos 1980.

O KKE possuía como legado a tradição de conflicto com o poder burguês através da luta do Exército Democrático da Grécia (DSE) em 1946-1949. Ele confrontou o revisionismo e o oportunismo euro-comunista em 1968 apesar do facto de ter ocorrido uma guinada oportunista direitista dentro do Partido depois do 6º plenário de 1956 – também devido à interferência do PCUS e de outros 5 partidos-irmãos, num contexto de sérios erros estratégicos e fraquezas.

A experiência histórica demonstrou que quando existem inconsistências entre as declarações e objectivos programáticos por um lado e a linha política directa para a sua realização por outro lado, quando não existe consistência entre palavras e acções, então as inconsistências que ocorrem serão resolvidas sacrificando as “declarações revolucionárias”.

A experiência histórica do KKE demonstrou que todas as expressões da luta do oportunismo por dominar dentro do Partido adquirem as características de trabalho de facções. Este faccionalismo foi óbvio nos desenvolvimentos que prepararam o 6º plenário de 1956 (faccionalismo apoiado pela liderança do PCUS) e durante o caso do 12º plenário de 1968 assim como durante a crise que o partido experimentou ao longo do período 1989-1991.

O oportunismo não deve ser identificado apenas com certos indivíduos que que lideraram e expressaram um desvio oportunista. A confrontação (do oportunismo) não diz respeito apenas à acção do Partido contra estes indivíduos, que evidentemente tem de ser decisiva.

Tem de haver sempre a identificação de uma causa mais profunda e das razões que levaram o desenvolvimento deste desvio. Isto é, as forças principais que lideraram a tentativa de dissolução do KKE ou a sua transformação num partido euro-comunista não têm a responsabilidade exclusiva pela série de escolhas oportunistas como a condenação da luta do DSE como sectarismo, como a dissolução das organizações ilegais do partido ou até na participação do KKE na formação da EDA* (NT: União Democrática de Esquerda, partido substituto legal do KKE quando este esteve ilegalizado durante décadas em plena democracia burguesa).

Consequentemente, a confrontação decisiva contra estas forças expulsando-as do Partido é um imperativo, uma necessidade imediata, mas (quando isso foi feito) não confrontou a raiz do problema. Adicionalmente, a experiência demonstra que a existência de reflexos (reacções) a respeito da confrontação aberta contra o oportunismo direitista, contra a tentativa de mutação ou de dissolução do Partido é um elemento importante que não foi perdido ao longo da história inteira do Partido, mesmo no período em que a guinada oportunista de direita foi dominante como foi expresso pelo 6º Plenário de 1956.

Porém, já se provou que estes reflexos por si só não são suficientes. Enquanto o principal problema não for confrontado, nomeadamente a questão de elaborar uma estratégia revolucionária e linha política revolucionária, então as lacunas estratégicas que são formadas no futuro irão consolidar o potencial do oportunismo e tentar alcançar a dominação dentro do Partido.

Como foi apontado no Ensaio da História do KKE, volume 2, 1949-1968: “Já se confirmou que o oportunismo e o faccionalismo consideram a crítica aberta, a auto-crítica, a colectividade, a revelação de problemas aos membros do Partido, a confiança no juízo deles, o controlo sobre a implementação das decisões e o centralismo democrático em geral como seus inimigos.” [33]

O conflicto contra o oportunismo não cessa enquanto as causas sociais da sua génese ainda existem e exercem pressão para a adaptação ao sistema. “A posição contra o oportunismo equivale à posição contra a classe burguesa do nosso próprio país” como disse Lenine.

A pressão para a perda de independência política e ideológica do Partido não é sempre expressa directamente pela classe burguesa e pelos seus aparatos (Comunicação Social, supressão pelo Estado, etc.) mas também é trazida para dentro das suas fileiras pelas suas próprias forças ou é reproduzida como pressão oportunista por forças que se separam do movimento comunista e continuam a pressionar as suas forças organizadas ou de facto de dentro do círculo de influência política do partido.

Frequentemente no passado, a aliança com o oportunismo (com a social-democracia durante um período histórico) foi realizada em nome da unidade da classe operária ou em nome da aliança entre a classe operária e as camadas populares pobres. A unidade política da classe operária apenas pode ser alcançada através da mobilização da classe operária à volta do seu Partido. Numerosos partidos expressando os interesses gerais da classe operária, independentemente de como eles se auto-intitulem, não podem existir.

Baseado nestes factos a Resolução Política do 19º Congresso do KKE fez referência a que: “Nas condições de capitalismo monopolista emergem partidos políticos e grupos oportunistas com várias formas que se separaram do KKE e têm posições diferentes (do KKE) em inúmeros assuntos mas acima de tudo na principal questão política, a questão “reforma ou revolução”. O KKE não pode levar a cabo nenhuma cooperação com estas forças políticas. Isto mantém-se verdade independentemente das manobras que as forças políticas oportunistas levem a cabo nas condições da ascenção do movimento adoptando palavras de ordem que parecem ser a favor do povo.

A sua proposta política (dos oportunistas) para o problema do poder está integrada nos parâmetros da gestão do sistema capitalista.” [34]

Hoje o KKE projecta a necessidade da vitória contra o oportunismo e da confrontação contra o oportunismo independentemente da sua força eleitoral e das suas expressões políticas. A linha política oportunista hoje impede a classe operária e as suas forças aliadas de romper o seu apoio à linha política burguesa. A linha da “unidade da esquerda”, da aliança com o objectivo de um “governo de esquerda” é a linha da assimilação (capitulação). A derrota desta linha facilitará às mais amplas massas operárias a avaliação com critérios com orientação de classe dos partidos políticos, a compreensão que os seus problemas estão baseados num carácter de classe e a ganhar consciência da necessidade da luta para mudar o carácter do poder.

A luta contra o oportunismo também diz respeito às condições em que novas parcelas das massas surgem na disputa e na luta contra qualquer política governamental, nas condições de crise económica e ainda mais nas condições de instabilidade política burguesa e ascenso revolucionário. É necessária a preparação política e ideológica adequada de forma a neutralizar as armadilhas da classe burguesa que utiliza o oportunismo também. Hoje, nestas condições, na Grécia ficou demonstrado que o surgimento do Syriza como um principais pilares para a reformulação do pólo social-democrata, tendo como sua perspectiva o governo burguês, fortalece as tendências de reagrupamento das forças políticas oportunistas com o objectivo de “criar um terceiro pólo na esquerda”, enquanto estas forças têm como principal característica a tolerância ou mesmo o apoio a um “governo de esquerda” no terreno do capitalismo.

O PC tem de consistentemente e de forma constante expor as inconsistências, as vacilações e o aventureirismo do oportunismo, mesmo quando as forças oportunistas declaram a sua fidelidade ao derrube do capitalismo.»

*The party was founded the July 1951 by prominent center-left and leftist politicians, some of which were former members of ELAS. While initially EDA was meant to act as a substitute and political front of the banned Communist Party of Greece, it eventually acquired a voice of its own, rather pluralistic and moderate. This development was more clearly shown at the time of the 1968 split in the ranks of Communist Party of Greece, with almost all former members of EDA joining the faction with Euro-communist, moderate tendencies.
https://en.m.wikipedia.org/wiki/United_Democratic_Left

Fonte: Blog In Defence of Communism

A PAME bloqueou o “Festival” dos Capitalistas-GSEE-CES-Governo Syriza

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16 de Setembro de 2016

Centenas de Sindicalistas da PAME, de desempregados e de pensionistas fizerm um protesto militante, desde manhã cedo, na Mansão Zappeio em Atenas, onde estava agendado para ter lugar o “Festival do Diálogo Social” do Governo do Syriza, dos Capitalistas Gregos, da Confederação Geral amarela dos Trabalhadores Gregos (GSEE) e da CES fantoche das multinacionais (Confederação Europeia de Sindicatos) e suas organizações-membros com o objectivo de enganar os trabalhadores.

Os trabalhadores responderam ao chamado da PAME bloqueando as entradas para a mansão e, dessa forma, bloqueando este Cartel do “Diálogo Social” de ter a sua “fiesta”. Os trabalhadores bloquearam os seus planos.

Este cartel veio à Grécia para discutir a abolição dos Contractos Colectivos, o ataque contra a Segurança Social e a destruição dos vínculos laborais.

Para conrectizar este plano o Governo do Syriza e os Capitalistas Gregos lado a lado com a GSEE vieram a Atenas para apoiar os burocratas vendidos amarelos da CGIL da Itália, DGB da Alemanha, CCOO da Espanha, TUC das Ilhas Britânicas e outros. Todos eles, executivos da CES, que durante anos apoiaram os planos dos imperialistas e aceitaram a abolição dos direitos dos trabalhadores.

A todos eles, a PAME deu lhes uma grande lição hoje!

Eles não são bem-vindos à Grécia!

Fonte: PAME

Trump Presidente. Il progressismo sconfitto dal voto popolare.

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November 9, 2016

di Alessandro Mustillo

Lo schiaffo all’establishment americano è compiuto. Donald Trump è il nuovo presidente degli Stati Uniti, dopo aver battuto Hillary Clinton con un ampio margine di grandi elettori. La vittoria repubblicana travolge i democratici anche al Congresso e al Senato, anche se in termini percentuali di voto popolare, che come noto non è un fattore dirimente nel sistema elettorale ultra-maggioritario americano, il divario si riduce a un milione di voti, abbondantemente meno dell’1%. Un’America spaccata senza dubbio, costretta tra l’alternativa di un candidato marcatamente di destra che si presenta in un’ottica anti-establishment e una candidata democratica, emblema di tutto ciò che c’è di negativo della classe politica americana. Il risultato americano conferma un trend ormai consolidato: allo scollamento del fronte “progressista” dai settori popolari, corrisponde una presa di quei settori da parte di una destra reazionaria, che si accredita come anti-establishment. La sinistra imposta la sua battaglia su temi civili, sulla tenuta rispetto al rischio dell’avversario, e quindi accoglie tra le sue braccia il sostegno dei settori dominanti del capitale. La destra vince sulle contraddizioni sociali, pur rappresentando solo un’altra visione dei settori capitalistici, porta dietro di sé il consenso del ceto medio proletarizzato dalla crisi e dei settori dei lavoratori, abbandonati a sé stessi e privi di una reale coscienza politica.

L’elezione di Obama era stata presentata come una grande speranza di cambiamento per l’America e il mondo. Anche in Italia tutta la sinistra si era ricompattata, dal PD a Rifondazione, valorizzando la vittoria dei diritti civili nel paese della divisione tra neri e bianchi. La sinistra radicale in particolare aveva insistito su questo aspetto, come spesso accade, tentando di importare modelli e miti dall’estero. I comunisti, quelli coerenti – sembra sempre brutto fare questo discorso e ci si espone alle critiche su contrasti, divisioni, litigi, ma purtroppo alla prova dei fatti le cose stanno così – non si erano per nulla entusiasmati, ricordando la celebre espressione di Fidel Castro per cui democratici e repubblicani sono solo due facce della stessa medaglia. La prova dei fatti ha dato ragione a noi, mentre ci meritavamo i consueti appellativi di “settari” “stalinisti” perché non ci allineavamo alla vulgata generale. Obama è stato l’utile strumento delle classi dominanti americane in un periodo di crisi. Ha portato avanti la politica imperialista in medio oriente e africa, tra primavere arabe e interventi diretti. Ha acuito i contrasti internazionali con la Russia. Ha fatto qualche timida apertura a progetti sociali interni, tutti a ribasso su un programma già di compromesso e pienamente compatibile. Nella sua presidenza il gap sociale tra i grandi ricchi della finanza e le classi popolari è aumentato. Dulcis in fundo la divisione tra neri e bianchi, ossia la questione dello sfruttamento e delle condizioni del proletariato e del sottoproletariato dei ghetti americani è rimasta inalterata, con nuovi casi di uccisioni, e contrasti che si acuiscono nella società americana, nonostante il presidente nero. Anche il disgelo con Cuba esaltato dai settori progressisti altro non è stato che un tentativo di ottenere con altri mezzi la capitolazione del socialismo nell’isola, con il blocco economico ancora pienamente operante.

Michael Moore aveva ammonito sulla vittoria di Trump. Onore al merito per aver colto ciò che stava realmente accadendo nell’America profonda. Ma le sue parole sono interessanti anche per capire quale sia lo spirito dello scontro tra settori in atto. Moore afferma: «La sinistra ha vinto la guerra culturale. I gay e le lesbiche possono sposarsi. La maggioranza degli americani ora adotta posizioni liberali in quasi tutti i quesiti elettorali. Paga uguale per le donne. Legalizzazione dell’aborto. Leggi più severe in materia ambientale. Più controllo sulle armi. Legalizzazione della marijuana.» Tolta la parità salariale per le donne, non esiste un provvedimento di natura sociale che venga seriamente preso in considerazione. Mentre la sinistra vince su una presunta battaglia culturale, registra l’accettazione culturale nella società di un avanzamento sul tema dei diritti civili, dimentica completamente il tema dei diritti sociali, che lascia a ricette della destra.

Trump ha vinto nei distretti industriali del paese dove maggiormente si sente il peso della crisi. Ha promesso di riaprire le fabbriche e riportare gli americani disoccupati a lavorare. Ha vinto tra i lavoratori, tra le classi medie proletarizzate e sotto-proletarizzate, tra i contadini. Lo stesso accade da tempo nei distretti industriali francesi dove vola il FN, è accaduto in Gran Bretagna con il voto sulla Brexit, pur con tutte le differenze si evidenzia nel voto al M5S nelle periferie popolari delle grandi città italiane e così via. Questo non fa di Trump un candidato a favore dei lavoratori, non trasforma una forza reazionaria in una forza autenticamente e realmente progressista. Trump ha promesso meno ingerenze negli affari degli altri paesi, questo non ne fa un candidato antimperialista. Ma è significativo che su tutti questi temi il fronte “progressista” sia più arretrato di una forza reazionaria, più allineato esplicitamente agli interessi delle classi dominanti. Si comprende allora che ogni sostegno orientato sulla logica del “meno peggio” verso i democratici – come anche in questa occasione fatto da PC Usa – non solo sia sbagliato in termini reali, ma è una lingua che le classi popolari non possono parlare. Ogni teoria si infrange davanti alla realtà, ogni previsione viene smentita perché gli interessi dei settori dominanti del capitale non riescono più ad esercitare direttamente quell’egemonia attraverso partiti e figure politiche tradizionali. Il ceto medio piccolo borghese che è il fattore dirimente in questo processo riesce ad impostare la sua lotta politica solo nei confronti della casta, non può dare ampio respiro ad un reale processo di emancipazione popolare. Limita la sua visione al capitalismo tradizionale.

Cosa sarà Trump? Difficile dirlo con precisione. Forse il presidente che contribuirà a minare ulteriormente l’egemonia statunitense, in un processo che appare irreversibile nelle tendenze economica ormai consolidate, che vedrà un ulteriore stimolo anche in termini di immagine. Un Presidente che si riallineerà immediatamente ai settori dominanti? Probabile che entrambe queste risposte siano vere. Di certo è improbabile che si realizzino quegli scenari apocalittici prospettati da chi in questi mesi per giustificare il voto verso la Clinton vedeva in Trump una sorta di Hitler in provetta. Nè d’altra parte si realizzeranno facili automatismi sostenuti da qualche interprete della geopolitica da risiko. E’ possibile che, come sempre accaduto, i margini reali dell’azione di un presidente americano siano assai limitati. Che gli interessi economici e politici veri, i settori del capitale imperialista che negli USA hanno il loro primo avamposto mondiale, siano in grado di determinare la politica della più grande potenza economica e militare del pianeta, quasi indipendentemente dall’inquilino della Casa Bianca. Anche quelle classi popolari che a Trump hanno dato fiducia non guadagneranno nulla da un cambio di presidente, in un sistema economico-sociale intatto, in cui settori della borghesia riusciranno invece ad incrementare i propri profitti anche grazie alle proposte su tasse, privatizzazioni, e politica economica che il candidato repubblicano ha avanzato. Ricordiamo poi che Trump è un vecchio finanziatore della Clinton, è pur sempre un capitalista che per quanto giochi a presentarsi come anti-establishment ne fa a pieno titolo parte. Il gioco sul mito dell’imprenditore che si è fatto da solo, del sogno americano, dell’anti-retorica che lo rende alla portata dell’americano medio, non cancella il discrimine di classe di una politica che ricorda tanto quella della Roma antica dove il dibattito tra populares e optimates si svolgeva pur sempre tra famiglie dell’aristocrazia cittadina. Un segnale ulteriore dell’arretratezza della reazione delle classi popolari americane la cui scelta è pur sempre legata a esponenti di fazioni borghesi, tra due nemici di classe.

L’interesse si sposta poi sull’Europa. All’inizio degli anni ’90 la vittoria di Clinton aprì il ciclo delle vittorie “progressiste” in vari paesi europei. Blair nel Regno Unito, Prodi in Italia. La vittoria di Trump è un segnale e apre ad una ondata di destra sul continente europeo. Un vento che già soffiava, ma che adesso può diventare un tifone. La destra francese, inglese, persino in Germania e Italia sarà certamente galvanizzata da questo risultato. Il voto contro la casta, contro l’establishment è indubbiamente la tendenza di questa fase, ma è una prigione per le classi popolari. E’ un voto che divide gli oppressi, che ha nell’immigrazione un punto cruciale e che finisce per portare la rabbia popolare sul binario della lotta tra poveri, distogliendolo dal terreno del conflitto di classe. Non saranno coalizioni con le forze socialdemocratiche a invertire la rotta, come già visto varie volte, perché il meno peggio è il modo migliore per consegnare alla destra populista vasti settori delle masse popolari. Non sarà appoggiare nuove forme di socialdemocrazia di sinistra, che dove già al governo, come in Grecia, mostrano tutti i loro limiti storici. Il problema della soggettività autonoma della classe operaia capace di legare attorno a sé i settori più combattivi delle masse subalterne è la questione del nostro tempo, non rimandabile, unica che possa costruire un’azione delle classi popolari autonoma da tendenze inconcludenti e avventure reazionarie.

Fonte: La Riscossa