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12. Solidariedade de Classe – Livro da PAME

12. Class Solidarity
12. Solidariedade de Classe

One of the crucial issues of organization and efficiency of the trade union movement is erasing the differences within the ranks of workers, breaking the individual interests, the guild perceptions.

Um dos assuntos cruciais da organização e eficiência do movimento sindical é apagar as diferenças dentro das fileiras dos trabalhadores, romper com os interesses individuais e as percepções corporativistas (guild perceptions).

The genuine class solidarity is the counterweight to plans of employers and of their political personnel and their effort to break the unity of the working class, to put obstacles into working
class cohesion and develop “social automation” (that is to cause one part of the society to act “automatically” against another part which is organizing its struggles).
PAME – All Workers Militant Front – Greece
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A solidariedade de classe genuína é um contrapeso para os planos dos patrões e para o seus pessoal político e para o esforço deles para quebrar a unidade da classe operária, para colocar obstáculos para a coesão de classe e para desenvolver a “automação social” (“social automation”, quer dizer causar que uma parte da sociedade aja “automaticamente” contra a outra parte que está a organizar as suas lutas).

One of the main elements of rallying and organization of our class is the development of class solidarity, away from the logic of charity and volunteerism, promoted by the bourgeoisie for managing poverty.

Um dos principais elementos para reagrupar e organizar a nossa classe é o desenvolvimento da solidariedade de classe, longe da lógica do caridade e do voluntariado – promovidas pela burguesia para gerir a pobreza.

Solidarity is not a typical case. It’s not just an announcement of support in a struggle –which is, often, not even done- it is not wishful thinking and vague slogans. Solidarity has its basis in the class unity of the workers in the industry and generally, in the social alliance that needs to be developed on the basis of social problems and interests against monopolies.

A solidariedade não é um caso típico (um assunto banal). Não é um anúncio de apoio a uma luta – que com frequência nem é feito – e não são doces ilusões (wishful thinking) e palavras de ordem vagas. A solidariedade tem como base a unidade de classe dos trabalhadores na sua indústria e em geral, na aliança social que precisa de se desenvolver na base de problemas sociais e dos interesses contra os monopólios.

The unions should have open radars for anything that concerns the working family, to intervene immediately, not waiting for central announcements or initiatives. They should have direct reflexes to support in struggles developed and are hit by government, employers, justice department and repressive mechanisms. They should take measures to inform the sector on such matters and not to remain only in a press release. Solidarity is not solidarity of one Board to another, among themselves.

Os sindicatos devem ser radares abertos para qualquer coisa que diga respeito à família trabalhadora, para intervir imediatamente e sem esperar por comunicados ou iniciativas centrais. Eles devem ter reflexos directos para dar apoio às lutas desenvolvidas que são atacadas pelo governo, pelos patrões, pelo sistema judicial (justice department) e pelos mecanismos repressivos. Eles devem tomar medidas para informar o sector de tais assuntos e não ficar apenas pelos comunicados de imprensa. A solidariedade não é a solidariedade de uma Direcção para outra, entre elas.

The unions should have mapped and constantly updated overview of the situation of their members. Thus links are established with employees. They should be aware of how many are unemployed,
what problems they face, how many children they have, if they go to school, if they have electricity in their homes, or whether it’s been cut etc
PAME – All Workers Militant Front – Greece
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Os sindicatos devem ter mapeada (mapped) e constantemente actualizada a situação dos seus membros. Dessa forma as ligações estão estabelecidas com os empregados. Eles devem estar cientes de quantos estão desempregados, de quais problemas enfrentam, de quantas crianças têm, se eles têm electricidade nas suas casas ou se ela foi cortada, etc.

For example, the power cut in homes of unemployed must find immediate and dynamic response to solve such problems and not for propaganda purposes. This action should not be left at the
level of the Board, but to be used as an opportunity to rally with the union or the neighborhood committee. Union members must join this battle. Τhe collectivity should be enhanced and colleagues should be assigned with responsibilities.

Por exemplo, o corte de luz nas casas dos desempregados tem de receber uma reposta imediata e dinâmica para resolver esses problemas – e não para fins propagandísticos. Esta acção não deve ser deixada apenas a nível da [resposta da] Direcção mas sim utilizada como oportunidade para mobilizar o sindicato ou o comité de bairro. O sindicato tem de envolver-se nesta batalha. O colectivo deve ser ampliado e os colegas devem ser encarregados com responsabilidades.

Press Releases, announcements should be given that will help in the development of solidarity, struggles support, support of workers and unemployed people who are suffering. With immediate
relief demands, through questionnaires or signature collection, with activities and escalation eg events in working class neighborhoods, meetings, festivities, trips, and actions inside workplaces, in workers’ houses, in popular neighborhoods.
PAME – All Workers Militant Front – Greece
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Devem ser enviados comunicados e notas de imprensa que irão ajudar a desenvolver a solidariedade, o apoio da luta, o apoio dos trabalhadores e da população desempregada que está em sofrimento. Com reivindicações de alívio imediato, com questionários ou abaixos-assinados, com actividades e radicalização – por exemplo, eventos em bairros operários, reuniões (encontros), festividades, viagens e acções nos lugares de trabalho, nas casas dos trabalhadores e nos bairros populares.

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13. Company and Branch Based Trade Unions

13. Sindicatos de Empresa e de Sector

The organization in a Branch Based Trade Union is a step forward in the workers’ consciousness compared to the organization in a company based union. The foundation of a series of Branch Based Trade Unions and their massification, deescalates the guild perceptions, it is a leap in the consciousness of a worker on the basis of unity in the branch and in the common action against the major employers of the sector.

A organização nos Sindicatos Organizados por Sector é um passo em frente na consciência dos trabalhadores comparada com a organização num sindicato baseado na empresa. A fundação de uma série de Sindicatos de Sector e a sua massificação, reduz as percepções corporativistas (guild perceptions), é um salto em frente na consciência de um trabalhador na base da unidade no sector e na acção comum contra os patrões do sector.

On this basis there is the need to be ready and more daring in forms of organization where a number of categories of workers are not covered by trade unions or there is fast movement from job to job.

Nesta base existe uma necessidade para estar preparado e para formas mais corajosas (audazes) de organização onde um número de trabalhadores não está coberto pela acção dos sindicatos ou onde existe um movimento rápido de emprego para emprego.

The planning of our action should be focused on the branch level, utilizing secondarily the territorial – geographical element (eg. Industrial zones of coexistence of many sectors) but without devaluating the company based union (eg high concentration of the working class in large production units, commerce groups). In conditions of high monopolization of the economy, large-scale companies that usually spread their activities in different sectors should not get out from our orientation. It is a matter of unity for the workers of a large
scale company to have a common front against the employer, irrespectively of the diversity of sectors they belong to. Workers should struggle together against the attack of employers, against
the dismissals and they should develop solidarity.

O planeamento da nossa acção deve estar focado no nível de sector, utilizando de forma secundária o elemento territorial-geográfico (exemplo: zonas industriais onde coexistem muitos sectores) mas sem desvalorizar o sindicato baseado na empresa (exemplo: grande concentração da classe operária em grandes unidades de produção, grupos de comércio). Em condições de grande monopolização da economia e empresas de grande escala que espalham as suas actividades por diferentes sectores [a nossa acção] não deve sair dos eixos da nossa orientação. É uma questão de unidade dos trabalhadores nas empresas de grande escala ter uma frente comum contra o patrão, independentemente da diversidade de sectores a que eles pertencem. Os trabalhadores devem lutar juntos contra o ataque dos patrões, contra os despedimentos e devem desenvolver a solidariedade.

On this basis, the forces of PAME and mainly the Branch Based Trade Unions should be oriented to the contact with the industrial and company based unions while having a good point of view of
what the situation is. There should be no waiver in front of the difficulties, the negative correlation of forces that can be found, and the orientation of several company based unions, who are in support of the employers’ interests. There are positive examples showing that it is possible to open paths of contact with workers or even to influence on trade unionists and union boards, by expanding our action this way. There are also positive examples of class oriented company based unions, which were founded through the action of branch and industrial unions’ committees.

Nesta base, as forças da PAME e principalmente os Sindicatos Organizados por Sector devem ser orientados para contactar com os sindicatos de empresa e de indústria (fábrica), e entretanto devem ter um bom ponto de vista sobre qual é a situação [no terreno]. Não deve haver vacilação diante das dificuldades, diante da correlação de forças negativa que podemos encontrar e perante a orientação de diversos sindicatos sindicatos de empresa, que estão a apoiar os interesses dos patrões. Existem exemplos positivos que demonstram que é possível abrir caminhos de contacto com os trabalhadores ou até de influenciar sindicalistas e direcções sindicais, ao expandirmos a nossa acção desta maneira. Existem também exemplos positivos de sindicatos de empresa com orientação de classe, que foram fundados através da acção das comissões sindicais dos sindicatos de sector e de indústria.

We should not leave them in peace. We should not think that the battle in company based unions does not concern us. We can move ahead of the developments. We can influence workers, we can reveal the corruption and that many of them work with utmost secrecy and unprecedented violations in trade union procedures in order to exclude us and alter the correlation of forces. We should open front against company based union boards which are tools in the hands of employers and they present false and compromised unionists.
PAME – All Workers Militant Front – Greece
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Nós não devemos deixá-los em paz. Nós não devemos pensar que a batalha nos sindicatos de empresa não nos dizem respeito. Nós podemos mover-nos um passo à frente dos acontecimentos. Nós podemos influenciar os trabalhadores, nós podemos revelar a corrupção e nós podemos revelar que muitos deles (os sindicalistas amarelos) trabalham com o maior secretismo e violações sem precedentes aos estatutos sindicais de forma a nos excluir e alterar a correlação de forças. Nós devemos abrir uma frente contra as direcções de sindicatos de empresa que são ferramentas nas mãos dos patrões e que representam sindicalistas falsos e vendidos (compromised).

D. Affiliation with PAME
D. Afiliação com a PAME

PAME is not an effort exhausted to the current needs of the trade union movement. It is birth of the conditions of class struggle, of the correlation of forces in the trade union movement.

A PAME não é um esforço esgotado dentro das necessidades do movimento sindical. A PAME é o nascimento das condições para a luta de classes no âmbito da correlação de forças dentro do movimento sindical.

PAME is a result of rallying the trade unions’ need to react against the corrupt class features of the trade unionism controlled by governments and employers. PAME comes from the need to rally and prepare the workers’ forces, to fight with continuity and determination against imperialism, against the regime of the monopolies. Therefore, achieving unified perception about the role and the character of PAME is an essential condition for the correct orientation of our work, of the measures to be taken to build a strong class pole in the trade union movement.
PAME – All Workers Militant Front – Greece
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A PAME é o resultado da necessidade de mobilização dos sindicatos em resposta contra as características de classe corruptas do sindicalismo controlado pelos governos e pelos patrões. A PAME
vem da necessidade de mobilizar e preparar as forças dos trabalhadores para lutar de forma contínua e determinada contra o imperialismo e contra o regime dos monopólios. Portanto, alcançar uma percepção unificada sobre o papel e carácter da PAME é condição essencial para a correcta orientação do nosso trabalho e para as medidas que precisam de ser tomadas para construir um forte pólo de classe dentro do movimento sindical.

PAME is not a trade-union tendency. It is a union pole. It has a movement character and sociopolitical goals. It is a front of class unions, Federations, Labor Centers, trade unionists, workers’ committees, who fight coordinated, nationwide, in terms of mass movement, under a framework of demands that reflect the interests of the working class and confronts the strategy of capital, the capitalist reforms, the overall anti-people’s policy imposed by the European Union and the governments of the capital.

A PAME não é uma tendência sindical. É um pólo sindical. É um movimento com objectivos de carácter político-social. É uma frente dos sindicatos de classe, federações, uniões regionais de sindicatos, sindicalistas, comités de trabalhadores de classe, que lutam de forma coordenada, a nível nacional, em termos de movimento de massas, sob os parâmetros das reivindicações que reflectem os interesses da classe operária e que confronta a estratégia do capital, as reformas capitalistas e a política geral anti-popular imposta pela União Europeia e os governos do capital.

PAME is the most advanced form of trade union organization not only because it brings together private and public sector workers, unemployed, pensioners, etc. But also because the objectives of PAME are advanced. PAME is rallying forces. PAME is not waiting for the GSEE and ADEDY (Confederations of Private and Public Sector, members of ITUC) to act. PAME does not wait for what
will one or the other trade union organization is going to do, in order to intervene on the problems of the workers. It does not submit to the negative correlation of forces, but everyday tries to develop multiform struggles.

A PAME é a mais avançada forma de organização sindical não apenas porque junta os trabalhadores do sector público e do sector privado , desempregados, pensionistas, etc. Mas também porque os objectivos da PAME são avançados. A PAME está a mobilizar forças. A PAME não está à espera da GSEE e da ADEDY (Confederações do Sector Privado e Público, membros da CSI) para agir. A PAME não espera pelo que fará uma ou outra organização sindical, de forma a intervir nos problemas dos trabalhadores. A PAME não se submete à correlação de forças negativa, mas pelo contrário a PAME todos os dias tenta desenvolver múltiplas formas de luta.

Unions should not be “hidden” behind the action of PAME, they should not standardize their action and their function must not be dried out. PAME should be the rallying of the vibrant action
of the unions. Through this effort, PAME succeeds in performing successfully coordinated fights and nationwide strikes.
PAME – All Workers Militant Front – Greece
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Os sindicatos não devem ficar “escondidos” por detrás da acção da PAME, eles não devem standardizar a sua acção e as suas funções não devem ser esgotadas. A PAME deve ser a mobilização da acção vibrante dos sindicatos. Através deste esforço, a PAME é bem sucedida em coordenar com êxito as lutas e greves nacionais.

This is a great achievement for all the workers and it is necessary to be strengthened, in order for the class movement to fight from a position of strength against the anti-people’s policy and the strategy of capital. By promoting its own demands, its own position of the way of development of economy and society in accordance with the best interests of the workers and with the aim of abolishing the exploitation of man by man.

Isto é um grande feito para todos os trabalhadores e é necessário fortalecê-lo, de forma ao movimento de classe lutar desde uma posição de força contra a política anti-popular e a estratégia do capital. De forma a promover as suas próprias reivindicações, a sua própria posição sobre o tipo de desenvolvimento da economia e da sociedade de acordo com os melhores interesses dos trabalhadores e com o objectivo de abolir a exploração do homem pelo homem.

It is wrong to work without consulting the unions for an action or activity of PAME. It is not enough if a majority of a Union Board agrees with PAME in order for the union to become part of our ranks. We need renewing of the trust, through the discussion and the promotion of our action to the workers. It should not be the rule the central initiatives not to have the full confirmation of the Union’s General Assembly of the workers, without the participation of the workers.
PAME – All Workers Militant Front – Greece
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É errado trabalhar para uma acção ou actividade da PAME sem consultar os sindicatos. Não é suficiente que a maioria da Direcção do Sindicato esteja de acordo com a PAME de forma a que o sindicato se torne parte das nossas fileiras. Nós precisamos de renovar a confiança, através da discussão e da promoção da nossa acção juntos dos trabalhadores. Não deve ser uma regra geral das iniciativas centrais que não se tenha a confirmação total dos trabalhadores da Assembleia Geral do Sindicato e sem a participação dos trabalhadores.

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O Combatente de classe profissional

Eduardo

Existe alguma literatura marxista-leninista sobre o conceito de revolucionários profissionais e felizmente também existe alguma dessa literatura que é actual. A discussão deste conceito é muito pertinente perante uma clara descaracterização revisionista de que o conceito é alvo em muitos partidos.

E eu creio que apesar de serem funções completamente distintas o conceito de “revolucionário profissional” num partido comunista e o conceito de sindicalista (não sei bem como chamar-lhe) que recebe salário do sindicato ou “a tempo inteiro” num sindicato de classe, são conceitos com uma forte ligação de classe, são ambos funções indispensáveis no conjunto do movimento revolucionário da classe operária, funções no movimento que luta pela revolução proletária.

Este tema não é fácil abordar mas creio que é urgente que o faça. Tenho lido o trabalho muito aprofundado da Revista El Machete do Partido Comunista do México sobre a táctica sindical e estou a traduzir um importante livro da PAME grega que me dão alguns elementos que me orientam. A questão que me parece mais urgente abordar é a do sindicalista de classe “a tempo inteiro” que eu prefiro chamar “combatente de classe profissional”.

Em primeiro lugar é preciso desmistificar a palavra profissional. A palavra profissional na sociedade capitalista em que vivemos está associada permanentemente à ideia da “mercantilização do trabalho”, isto é o trabalho vende-se como uma mercadoria qualquer. Pois bem o sindicalismo de classe não é uma mercadoria, não está à venda, não é uma prestação de serviços. O sindicalismo de classe seja exercido por um sindicalista pago pelos sindicato para estar a tempo inteiro ou por um sindicalista exclusivamente voluntário (que não recebe um cêntimo do sindicato) é uma actividade militante, é uma luta pela causa proletária, uma luta pela classe explorada, exclusivamente feita por “amor à camisola”. Os sindicalistas de classe não se vendem a ninguém, nem aos trabalhadores que procuram o seu apoio, não há venda nenhuma, serviço nenhum à venda, pois a actividade de militância sindical é uma actividade que visa abolir a exploração do homem pelo homem e portanto norteia-se pela mais desinteressada – e corajosa perante toda a repressão – causa revolucionária.

O que é então “ser profissional” dentro da estrutura dirigente do movimento operário? Este ser profissional é a dedicação inteira e absoluta a causa da luta dos explorados, da luta operária, que requer dedicação absoluta e a tempo inteiro à causa da luta de classes, da luta de massas dentro através dos sindicatos de classe, através de sindicatos com uma linha de luta anti-capitalista e revolucionária.

Ser profissional em funções especialmente importantes do movimento sindical é focalizar na tarefa sindical, especializar-se, intensificar até ao máximo a dedicação à luta e organização do movimento dos trabalhadores. Esta necessidade em situações específicas e em momentos de grande organização e desenvolvimento do movimento sindical de classe não pode de maneira nenhuma ser oposta ou apagar o papel voluntário da militância sindical ou dos dirigentes e membros do sindicato que têm uma muito intensa actividade sindical e estão nos grandes confrontos grevistas numa base 100% voluntária (sem receber um cêntimo). Os sindicalistas remunerados são escolhidos para funções estratégicas e por razões estratégicas de direcção do movimento sindical e de aproveitamento dos seus melhores combatentes, mas a massa militante ou activista 100% voluntária é sempre muito maior e tem um papel absolutamente indispensável. É preciso deixar bem claro que um sindicato de classe que se preze e digno desse nome encara todos os seus filiados não como meros “sócios” e muitos menos como “clientes” mas sim como membros de pleno direito (isto é inclusive potenciais dirigentes) que devem participar activamente e intensamente em todas as actividades e lutas do sindicato como verdadeiros militantes da luta de classes, como activistas da luta sindical e de massas, como combatentes pelo derrube do capitalismo e pela revolução proletária. Onde estão os comunistas nos sindicatos a luta contra o reformismo, contra a conciliação de classes, contra o sindicalismo amarelo e contra a aristocracia operária é o elemento mais central da construção do sindicalismo de classe e é portanto evidente que a luta pelo sindicato de classe e a massificação da luta de classes é (e devemos afirmá-lo abertamente) parte crucial da luta pelo socialismo.

Voltarei a este tema. Penso que é preciso insistir e desenvolver profundamente esta questão do que nos distingue aos que temos um papel revolucionário dentro do movimento da classe operária e os que têm um papel reformista, vendido e traidor. Precisamos de ter conceitos cristalinamente claros sobre as diversas tarefas e funções.

 

Mais especificamente sobre o trabalho dos sindicatos de nível primário

C. Mais especificamente sobre o trabalho dos sindicatos de nível primário

A estrutura e as formas da organização do movimento sindical na Grécia estão no seu nível primário: o sindicato de base, o sindicato de empresa, o sindicato regional, o comité de trabalhadores, o comité de greve. A nível secundário estão as Uniões Regionais (Centros Operários) e as Federações sindicais.

Como se dividem os sindicatos

Um Sindicato é a união de pelo menos 20 trabalhadores que trabalham no mesmo sector da economia ou que trabalham para o mesmo patrão.

Os sindicatos de nível primário distinguem-se por serem: da mesma profissão, sindicatos de sector, sindicatos de empresa, sindicatos nacionais e delegações sindicais locais.

Na mesma profissão estão os sindicatos que são organizados por profissão do trabalhador. Por exemplo: sindicato dos contabilistas, sindicato dos operários da construção civil.

Sindicatos de sector são sindicatos de trabalhadores baseados no sector da economia a que as empresas dos trabalhadores pertencem. Por exemplo: sindicato dos operários da indústria alimentar, sindicato dos empregados dos bancos.

Sindicatos de empresa são sindicatos de trabalhadores baseados na empresa ou Grupo em que os trabalhadores trabalham. Exemplo: sindicato de empresa da Vodafone, sindicato do banco nacional (banco grego).

Sindicatos regionais são os sindicatos organizados por profissão ou sector numa cidade ou região específica. Por exemplo: o Sindicato de Trabalhadores Metalúrgicos de Atenas.

Sindicatos nacionais são os sindicatos organizados sob a base da profissão ou sector dos trabalhadores de toda a Grécia. Por exemplo: Sindicato Nacional de Mecânicos.

As delegações locais não são organizações independentes, mas são sim partes orgânicas de um sindicato com âmbito local ou regional. Por exemplo: Delegação de Pireu do Sindicato de Trabalhadores Metalúrgicos de Atenas.

O artigo 7 parte 1 da lei 1264/82 define restrições para a autonomia interna dos sindicatos declarando que cada trabalhador de forma a ser membro de um sindicato tem de ter completado um período de 2 meses de emprego num local de trabalho específico e que tem de ter todas as condições legais requisitadas pelos estatutos do sindicato. O mesmo artigo da lei proíbe se membro de múltiplos sindicatos.

Cada trabalhador tem direito a ser membro no máximo em dois sindicatos: um de empresa e outro de sector ou a pertencer a um sindicato da mesma profissão. Então é proibido pela lei 1264/82 ser membro em 2 sindicatos de empresa ou em 2 sindicatos de sector. Menores e imigrantes, empregados legalmente, podem ser membros de sindicatos. Se não for definido em contrário pelos estatutos dos sindicatos, ser membro de um sindicato é cancelado para membros que:

• Não participaram nas duas últimas eleições para a administração, sem justificação séria.
• Pararam voluntariamente de trabalhar na empresa ou na indústria da sua profissão, por mais de 6 meses, a não ser que isto seja devido à sua eleição para o Parlamento ou para o Governo Local (câmara municipal).

Se o sindicato de nível primário participa no sindicato de nível secundário (por exemplo: federação) ele elege representantes e dessa forma é representado no nível secundário de organização. Os representantes das organizações de nível primário  que participam no nível secundário integram a Assembleia Geral do sindicato de nível secundário.

Os estatutos do sindicato de nível secundário determinam a percentagem de delegados dos sindicatos de nível primário. A percentagem tem de ser a mesma para todos os sindicatos, de forma a garantir igual representação de todos os sindicatos na organização superior.
O número de representantes é encontrado dividindo o número de membros que votaram na eleição para os representantes da organização de nível primário dividida pela percentagem que é definida nos estatutos do sindicato. Se da divisão é criada uma fracção mais alta que a metade mais do número que é a medida, então mais um representante é acrescentado. Se pelo contrário é criada uma fracção mais pequena que a metade da medida, então não obtém representação para a organização.

Que tipo de sindicatos nós queremos

Nós precisamos de sindicatos que sejam de massas, fortes e com presença em todos os grandes locais de trabalho. Sindicatos que vão mobilizar os trabalhadores e que vão cuidar de “equipá-los” para uma frente mais forte e unificada de resistência em todo o lado. Uma frente contra os grandes empresários e os monopólios. Contra o governo e as organizações capitalistas. Daqui surge a necessidade dos sindicatos de ter “pés” em todo o lado e especialmente dentro das grandes multinacionais e grupos monopolistas, com presença estável, através da formação comissões sindicais, especialmente para os sindicatos sectoriais.

É incompatível com a história e valores do movimento da classe operária que haja atrasos na organização dos trabalhadores em uma série de sindicatos. Atrasos na criação de comissões sindicais nos locais de trabalho.

Existe actividade disfuncional ou bastante reduzida em muitos sindicatos (exemplo: raras reuniões de direcção, ter discussões pobres ou banais, às vezes nem discussões haver, as assembleias gerais serem convocadas raramente, com apenas poucos membros a participarem). Além disso muitos sindicatos têm de lidar com problemas financeiros, eles não recolhem as cotas de muitos dos seus membros, eles não interferem em problemas dos trabalhadores nos seus locais de trabalho, eles não marcam presença da direcção do sindicato nos seus escritórios ou nos locais de trabalho. de forma a que pudessem informar e mobilizar os seus membros.
Além disso, existe o muito fraco desenvolvimento das mobilizações nos locais de trabalho que têm problemas. Estas condições estão por baixo das necessidades do nosso movimento e têm de ser enfrentadas.
A necessidade de reconstrução do movimento sindical tem de ter como dever prioritário a massificação dos sindicatos com especial orientação para a juventude, as mulheres e os imigrantes. Em segundo lugar, é necessário o fortalecimento da aliança da classe operária com os auto-empregados e os camponeses pobres.

Fonte: PAME – Livro da PAME

As alas mais confortáveis do inferno capitalista (reformista)

Ala nacional da burguesia, ala esquerda da social-democracia, ala progressista da igreja, ala moderada do fascismo, ala patriótica-republicana (ou honrada) dos liberais, ala multi-polar do imperialismo, ala desenvolvimentista do capitalismo, ala unitária do sindicalismo amarelo (ou peleguismo), ala democrática-parlamentar do Estado burguês, a esquerdinha militar pequeno-burguesa bonapartista para brincar ao Estado neutral ou ao “Socialismo com propriedade privada” do chavismo mas também do prec…

Temos de ser parte das alas “progressistas” e “democráticas e patrióticas” porque é lá que “estão os trabalhadores”. Quais trabalhadores? Os que são obrigados a emigrar pela burguesia “nacional”, os atraiçoados pela social-democracia “de esquerda”, os que são reduzidos a parolos ingénuos pela “igreja progressista”, os que carregam às costas a “patriótica” república capitalista, os que conhecem o “desenvolvimento” do bolso dos ricos à custa do roubo do seu bolso, os que são postos de joelhos perante ao patrão graças à sagrada “unidade” de cúpulas sindicais com os amarelos, os que nem sequer votam para a pocilga parlamentar burguesa, os que pediram armas à esquerdinha militar no 25 de Novembro de 75 em Portugal em vão, os que estão desempregados e por isso são lhes vedados os sindicatos (se uma grande parte dos trabalhadores são desempregados uma grande parte dos dirigentes sindicais deviam ser desempregados como seus representantes e defensores) entre outros direitos, os que estão na miséria e que por isso – tirando a igreja que vive às suas custas – são desprezados e ignorados por esta corja toda de alas esquerda, progressistas, nacionais, democráticas e patrióticas.

Precisamos de um movimento de massas revolucionário do proletariado e dos pobres que até pode estar no parlamento burguês mas não para o defender e sim para o destruir. Precisamos de um movimento de massas cuja estratégia esteja focada inequivocamente fora (e contra) do sistema e Estado burguês e trabalhando para derrubar esse sistema e Estado explorador. Tudo o mais são alas confortáveis do inferno reformistas, que é o “rosto humano” ou melhor a máscara falsa da besta capitalista.

 

 

Comunicado do Sindicato de Hotelaria do Norte: Grande Adesão à Greve nas Cantinas!

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Nota minha: Com a participação destacada do Sindicato de Hotelaria do Norte, a Greve Geral Nacional do Sector dos trabalhadores das cantinas é uma greve sem paralelo em Portugal no sector privado e no sector público, porque de facto os trabalhadores trabalham quer em edifícios públicos quer em edifícios privados e se o governo tivesse um pingo de decência contratava directamente para o quadro fixo do Estado quem trabalha nas cantinas do Estado. Mas não esqueçamos que mesmo nas empresas completamente privadas esta greve precisa de ser exemplo para os outros sindicatos que nunca se lembram de fazer uma única greve geral sectorial nacional nem de trabalhar para chegar a esta combatividade. Queremos Contratação Colectiva e empregos permanentes a sério? Então sigamos este exemplo de luta e que se repita muitas mais vezes.

Comunicado do Sindicato de Hotelaria do Norte:

GRANDE ADESÃO À GREVE NAS CANTINAS
Os trabalhadores das cantinas, refeitórios, fábricas de refeições, áreas de serviço e bares concessionados realizaram hoje uma greve a nível nacional com grande adesão.
A greve afetou particularmente o fornecimento de refeições nos hospitais de Santo António, Pedro Hispano, Prelada, Penafiel, Chaves, Guimarães e Ponte de Lima com adesões de praticamente 100% e Santos Silva, Vila Real, Famalicão, Santo Tirso e Póvoa de Varzim com adesões menos significativas. Enceraram os centros de formação de Braga e Porto e mais de duas dezenas de cantinas escolares do 1.º e 2.º ciclo, bem como a cantina da RTP que encerrou e a Unicer que teve uma elevada adesão.
Esta greve teve também grande impacto noutras regiões. Na região Centro encerraram 40 escolas e dois centros de formação profissional e os hospitais de Covilhã, Bissaia Barreto, Covões e Guarda tiveram uma adesão de 100% e o Pediátrico também com grande adesão. No Sul a greve teve grande impacto nos hospitais Egas Moniz, Capuchos, São José, São Francisco Xavier, Setúbal, Portalegre e Elvas, bem como no refeitório da TAP.
Há empresas que pressionaram muito as trabalhadoras das cantinas escolares com ameaças de despedimento, dado que mais de 95% têm vinculo precário.
Alguns conselhos diretivos de escolas do 1.º ciclo e do 2.º ciclo substituíram ilegalmente a refeição por uma sandes, água e peça de fruta, que distribuíram aos alunos em lugar de encerrar as escolas.
Também tomamos conhecimento de transporte de refeições de umas escolas para outras e transferências ilegais de trabalhadores.
No setor hospitalar as empresas fizerem listas paralelas às do sindicato, ilegalmente, para os serviços mínimos, mas em geral os trabalhadores mantiveram-se firmes e não comparecerem ao serviço.
Porto, 9 de dezembro de 2016 A Direção do STIHTRSN

Fonte: Sindicato de Hotelaria do Norte

De Bolonha avança a construção do Sindicato de Classe (SGB, Itália)

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Nota minha: Eu sempre fui apoiante desta táctica sindical, é preciso separar muito bem o trigo do joio entre sindicalismo amarelo e sindicalismo de classe. É fundamental para a vitória do sindicalismo de classe na correlação de forças geral dentro dos sindicatos que seja absolutamente claro quem é sindicato amarelo e quem é sindicato de classe, quem é sindicalista amarelo e quem é sindicalista de classe. Esta separação de águas é a única forma verdadeira de unidade dos trabalhadores, a unidade em torno da luta de classes é a unidade em torno dos interesses de toda a classe explorada. Os oportunistas do nosso tempo procuram envenenar-nos com a falsidade que a unidade dos trabalhadores é uma unidade “sindical” de cúpulas e de siglas, mesmo quando isto não significa sequer uma única linha de táctica e estratégia sindical mas sim várias linhas reformistas e corporativistas. A unidade dos trabalhadores é a unidade da luta de classes desde logo contra esta falsa “unidade” de cúpulas amarelas dos sindicatos.

“Perto do fim dos trabalhos recebemos a notícia do pré-acordo patronato-FIOM-FIM-uilm no contrato nacional de trabalho da metalo-mecânica: não foi um relâmpago em  céu azul, mas a confirmação atempada de quanto é grave e perversa a traição, em particular da FIOM-CGIL, aos interesses da classe (proletária), e de como tais sinais de traição reiteram a incompatibilidade da militância comunista e da militância contínua nos sindicatos colaboracionistas.”

“Verso la fine dei lavori è giunta la notizia del pre-accordo padronato-fiom-fim-uilm sul contratto nazionale di lavoro dei meccanici: non è stato un fulmine a ciel sereno, bensì la conferma puntuale di quanto sia grave e pervasivo il tradimento, segnatamente della cgil-fiom, degli interessi della classe, e di quanto tale tradimento segni la ribadita incompatibilità tra la militanza comunista e il permanere della militanza nei sindacati collaborazionisti.”

Fonte: La Riscossa

A Greve Sectorial dos trabalhadores narítimos gregos foi prolongada e vai chegar a 8 dias no domingo

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O governo grego do Syriza respondeu à Greve Geral de 8 de Dezembro com o anúnico que vai distribui migalhas para compensar os roubos austeritários que está a fazer.
http://www.902.gr/eidisi/politiki/116372/proklitiki-koroidia-ta-kyvernitika-diaggelmata-poy-dianemoyn-psihoyla

Entretanto: Com determinação os trabalhadores marítimos continuam a luta grevista.
http://www.902.gr/eidisi/ergatiki-taxi/116374/me-apofasistikotita-oi-naytergates-synehizoyn-ton-apergiako-agona-toys

A greve dos trabalhadores marítimos foi prolongada esta manhã em Pireus e em outros portos (Creta, Volos…) por mais dois dias com fortes piquetes.
http://www.902.gr/eidisi/ergatiki-taxi/116404/apo-ta-haramata-stoys-katapeltes-perifroyrontas-tin-apergia-toys-nea

A mobilização em massa no porto de Pireus continua na luta para derrotar os ataques patronais. Reunindo no porto de Piraeus, em frente ao navio ‘Elyros” esta sexta-feira os marinheiros continuam a sua greve para o oitavo dia consecutivo.
http://www.902.gr/eidisi/ergatiki-taxi/116430/maziki-kinitopoiisi-sto-limani-toy-peiraia-sto-keno-i-prospatheia

Todos na batalha da greve até domingo de manhã, com vista à adesão generalizada. “A participação militante dos trabalhadores marítimos em uma greve de 7 dias e a nova decisão de continuar a greve até domingo 11 dezembro às 6h, com a perspectiva de escalada, é porque são justas as razões da nossa luta, junto com a luta de toda a classe trabalhadora contra a política anti-popular dos armadores, do governo Syriza-ANEL, da UE, do FMI e das outras partes do capital.”
http://www.902.gr/eidisi/ergatiki-taxi/116359/oloi-sti-mahi-tis-apergias-eos-proi-tis-kyriakis-me-prooptiki-klimakosis