Category Archives: Sindicalismo de Classe

Sindicalismo de conciliação de classes e sindicalismo de luta de classes, casos recentes no sector dos transportes

Nos últimos meses do governo de Passos Coelho o seu governo burguês do PSD colocou em marcha uma série de privatizações no sector dos transportes – TAP, CP Carga, Metro de Lisboa, STCP (que é do Porto), Transtejo, Softlusa e Carris. A origem do governo de António Costa do PS apoiado por acordos parlamentares pelo PCP e pelo BE têm origem naquele ataque do PSD aos trabalhadores dos transportes. Os sindicatos dos transpores nomeadamente dirigidos pela Fectrans (que hoje comprovadamente mostra domina-los) da CGTP tinham uma experiência de greves superior à generalidade dos sindicatos de todos os outros sectores, uma taxa de filiação grande e enfim tinham toda a capacidade de convocar uma greve do sector dos transportes como nunca vista em Portugal – de facto fora da “função pública” e mesmo em empresas “do Estado” nunca há greves sectoriais em Portugal (salvo a honrosa excepção das greves da cantinas lideradas pelo excepcional sindicato de hotelaria do norte). Em vez de uma greve sectorial dos transportes que era lógica no final de mandato do Passos Coelho para ganhar a anulação das privatizações e fusões através da luta, as greves da Fectrans foram miseráveis e mesmo no colosso da TAP não foi sequer possível unir as diferentes capelinhas profissionais da CGTP para fazer uma greve da empresa. Na TAP aliás devia fazer corar de vergonha a cúpula sindical da CGTP que os pilotos da TAP (sem dúvida aburguesados e amarelos) tenham feito mais greve que todos os sindicatos da CGTP da TAP juntos com os seus raquíticos protestos de “categoria profissional” cada um por si. Passadas as vergonhas havia algo que se preparava porque a Fectrans não tinha se vergado daquela maneira por acaso. A campanha eleitoral seguinte mostrou o que os sindicalistas da Fectrans pretendiam: o acordo do PCP e do BE com o PS para um governo do sindicalismo traidor e das meias tintas. Uma vez governo do PS instalado e PCP e BE vergados procedeu-se à falsa anulação das privatizações da STCP e Metro de Lisboa (entregues depois à “municipalização” que privatiza pela porta do cavalo), à anulação ilusória da fusão da Transtejo, Softlusa e Carris (que pode dar outra “municipalização” também) e à aberta traição na TAP (privatizada a 50%) e na CP Carga (privatizada a 100%!).

E que desculpem esta longa introdução mas serve esta verdadeira história recente da Fectrans e da CGTP para dizer que em Itália os “sindicatos de base” ou confederações sindicais minoritárias (entre as quais a SGB apoiada pelos comunistas italianos) fizeram uma greve sectorial nacional dos Transportes e da Logística com grande impacto, obrigando o ministro dos transportes italiano e as confederações sindicais maioritárias a ladrar que “há demasiadas” greves no sector. E esta greve sectorial em Itália uniu na greve trabalhadores de empresas do Estado e do sector privado (quando a Fectrans nem as lutas “do Estado” é capaz de unir, muito menos as do privado) contra vários ataques aos trabalhadores do sector.

Moral da história: tem muito mais força um David vermelho que um Golias amarelo.
Os sindicatos não se medem pelo número de filiados mas sim pela combatividade na linha da luta de classes.

Massima mobilitazione per lo sciopero generale del 27 ottobre (Partito Comunista, Itália, Settembre 2017)

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As alas mais confortáveis do inferno capitalista (reformista)

Ala nacional da burguesia, ala esquerda da social-democracia, ala progressista da igreja, ala moderada do fascismo, ala patriótica-republicana (ou honrada) dos liberais, ala multi-polar do imperialismo, ala desenvolvimentista do capitalismo, ala unitária do sindicalismo amarelo (ou peleguismo), ala democrática-parlamentar do Estado burguês, a esquerdinha militar pequeno-burguesa bonapartista para brincar ao Estado neutral ou ao “Socialismo com propriedade privada” do chavismo mas também do prec…

Temos de ser parte das alas “progressistas” e “democráticas e patrióticas” porque é lá que “estão os trabalhadores”. Quais trabalhadores? Os que são obrigados a emigrar pela burguesia “nacional”, os atraiçoados pela social-democracia “de esquerda”, os que são reduzidos a parolos ingénuos pela “igreja progressista”, os que carregam às costas a “patriótica” república capitalista, os que conhecem o “desenvolvimento” do bolso dos ricos à custa do roubo do seu bolso, os que são postos de joelhos perante ao patrão graças à sagrada “unidade” de cúpulas sindicais com os amarelos, os que nem sequer votam para a pocilga parlamentar burguesa, os que pediram armas à esquerdinha militar no 25 de Novembro de 75 em Portugal em vão, os que estão desempregados e por isso são lhes vedados os sindicatos (se uma grande parte dos trabalhadores são desempregados uma grande parte dos dirigentes sindicais deviam ser desempregados como seus representantes e defensores) entre outros direitos, os que estão na miséria e que por isso – tirando a igreja que vive às suas custas – são desprezados e ignorados por esta corja toda de alas esquerda, progressistas, nacionais, democráticas e patrióticas.

Precisamos de um movimento de massas revolucionário do proletariado e dos pobres que até pode estar no parlamento burguês mas não para o defender e sim para o destruir. Precisamos de um movimento de massas cuja estratégia esteja focada inequivocamente fora (e contra) do sistema e Estado burguês e trabalhando para derrubar esse sistema e Estado explorador. Tudo o mais são alas confortáveis do inferno reformistas, que é o “rosto humano” ou melhor a máscara falsa da besta capitalista.

 

 

Comunicado do Sindicato de Hotelaria do Norte: Grande Adesão à Greve nas Cantinas!

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Nota minha: Com a participação destacada do Sindicato de Hotelaria do Norte, a Greve Geral Nacional do Sector dos trabalhadores das cantinas é uma greve sem paralelo em Portugal no sector privado e no sector público, porque de facto os trabalhadores trabalham quer em edifícios públicos quer em edifícios privados e se o governo tivesse um pingo de decência contratava directamente para o quadro fixo do Estado quem trabalha nas cantinas do Estado. Mas não esqueçamos que mesmo nas empresas completamente privadas esta greve precisa de ser exemplo para os outros sindicatos que nunca se lembram de fazer uma única greve geral sectorial nacional nem de trabalhar para chegar a esta combatividade. Queremos Contratação Colectiva e empregos permanentes a sério? Então sigamos este exemplo de luta e que se repita muitas mais vezes.

Comunicado do Sindicato de Hotelaria do Norte:

GRANDE ADESÃO À GREVE NAS CANTINAS
Os trabalhadores das cantinas, refeitórios, fábricas de refeições, áreas de serviço e bares concessionados realizaram hoje uma greve a nível nacional com grande adesão.
A greve afetou particularmente o fornecimento de refeições nos hospitais de Santo António, Pedro Hispano, Prelada, Penafiel, Chaves, Guimarães e Ponte de Lima com adesões de praticamente 100% e Santos Silva, Vila Real, Famalicão, Santo Tirso e Póvoa de Varzim com adesões menos significativas. Enceraram os centros de formação de Braga e Porto e mais de duas dezenas de cantinas escolares do 1.º e 2.º ciclo, bem como a cantina da RTP que encerrou e a Unicer que teve uma elevada adesão.
Esta greve teve também grande impacto noutras regiões. Na região Centro encerraram 40 escolas e dois centros de formação profissional e os hospitais de Covilhã, Bissaia Barreto, Covões e Guarda tiveram uma adesão de 100% e o Pediátrico também com grande adesão. No Sul a greve teve grande impacto nos hospitais Egas Moniz, Capuchos, São José, São Francisco Xavier, Setúbal, Portalegre e Elvas, bem como no refeitório da TAP.
Há empresas que pressionaram muito as trabalhadoras das cantinas escolares com ameaças de despedimento, dado que mais de 95% têm vinculo precário.
Alguns conselhos diretivos de escolas do 1.º ciclo e do 2.º ciclo substituíram ilegalmente a refeição por uma sandes, água e peça de fruta, que distribuíram aos alunos em lugar de encerrar as escolas.
Também tomamos conhecimento de transporte de refeições de umas escolas para outras e transferências ilegais de trabalhadores.
No setor hospitalar as empresas fizerem listas paralelas às do sindicato, ilegalmente, para os serviços mínimos, mas em geral os trabalhadores mantiveram-se firmes e não comparecerem ao serviço.
Porto, 9 de dezembro de 2016 A Direção do STIHTRSN

Fonte: Sindicato de Hotelaria do Norte